segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Epitáfio

Aqui jaz um ano bom que trouxe alegrias e tristezas como todos os outros.

Um ano que começou como um sonho, ensinando de um jeito difícil, mas prazeroso, como é ser gente grande. Mostrou as dúvidas, os medos, a saudade, o reencontro, o amor e as certezas.

Um ano que confirmou serem verdade as coisas do coração, que fortaleceu os sentimentos e fez nascer laços eternos.  Ensinou o valor da amizade e provou que o tempo é o melhor remédio para as maiores dores e mágoas. Mostrou que alguns amores são pra sempre e que são nesses que a gente tem que confiar sempre!

Um ano que provou que basta acreditar para que as coisas aconteçam e que não precisamos saber como elas vão acontecer, elas simplesmente acontecem se a gente acredita.

Um ano que começou maravilhoso e foi amornando aos poucos. No meio do caminho trouxe dores e lágrimas, mas nem por isso deixou de ser bom. Mesmo assim, sofrendo, aprendemos alguma coisa.

O que ele trouxe de mais valioso não saberia dizer. Só sei que me despeço com a certeza de que ele será inesquecível.

Cresci, sofri, chorei, sorri, caí, levantei e hoje me sinto mais forte para encarar o ano que segue.

Obrigada por tudo 2012!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Pessoas

Eu definitivamente não nasci pra ficar na frente de um computador!

Gosto de conversar com as pessoas, de lidar com elas, descobri-las, decifrá-las...

Quer me ver desmotivada, triste, braba... É só me prender em uma cadeira e me deixar por horas frente a frente com o computador. Chega uma hora que já não sei mais o que fazer com ele e acabamos discutindo, brigando até.

Eu gosto é de gente! Prefiro estar rodeada delas e voltar pra casa no final do dia cansada do que passar o dia inteirinho tranquila sem abrir a boca...

Eu não criei um mundo só meu onde sou capaz de ficar por horas e horas isolada. É claro que eu gosto de ficar quieta, sozinha, pensando, mas isso é por alguns instantes... Um dia no máximo. Mais que isso, enlouqueço. Acredite!

O que seria do mundo sem as pessoas? O que será de mim sem elas?
Sinto falta...

Quarterlife Crisis

Pois é... Depois de muito achar que eu estava ficando meio maluca, depois de conversar com pessoas da minha idade, cheguei à conclusão de que SIM, estou em crise!

Quarterlife Crisis.  Descobri que esse é o nome dessa fase totalmente angustiante pela qual estou passando. Aliás, eu e mais uma galera...

São tantas oportunidades, tanta pressão, tantas escolhas a fazer que não sabemos mais o que fazer, o que escolher, pra onde correr.

Tantos sonhos, tantas expectativas que parecem que nunca vão se realizar, por mais que a gente corra atrás. Parece que os anos passam tããão lentamente...

As comparações são inevitáveis. Minha mãe na minha idade já tinha duas filhas. A fulana está trabalhando em tal lugar e eu aqui... Sou um fracasso. E por aí vai.

Difícil não é entender que as coisas na vida acontecem em etapas, que precisamos fazer escolhas porque não podemos ter tudo ao mesmo tempo. O difícil é segurar a ansiedade, manter a calma e ter paciência para não enlouquecer no meio do caminho...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Coisas que só o espelho vê

Entro no banheiro coloco pasta na escova de dente, molho um pouco e começo o ritual. No instante seguinte, ele entra no banheiro coloca pasta na escova, dá uma molhadinha e começa.

Quando olho no espelho, estamos os dois na mesma posição, pensando na vida, sem falar nada, com o olhar perdido no espaço. A mão direita na escova e a esquerda na cintura. Pernas cruzadas quase formando um quatro no ar.

Resmungo alguma coisa com a boca cheia de espuma. Ele entende e responde. Quando foi que criamos uma língua só nossa?

Ficamos tão parecidos...

Tem coisas que só o espelho testemunha... A nossa cumplicidade é uma delas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bye bye 2012


Faltam dois meses para terminar 2012 e eu já estou pensando nas minhas projeções para 2013... Tantas coisas que eu queria ter feito e não consegui ou deixei de lado, tantas outras que eu queria fazer e consegui e algumas ainda que eu nem pensei que faria e estão aí...

Olhar para trás definitivamente não é uma prática que costuma fazer parte de mim. Eu gosto é de olhar pra frente, pra trás, só se for com saudade e olhe lá, porque a saudade às vezes dói, faz sofrer e traz um monte de sensações junto com ela.

2013 vem aí e na medida em que eu risco uma coisa da minha lista de realizações, acrescento outras três, ou seja... ela só aumenta. Sim, eu sou essa coisinha semi-organizada que faz listinhas e check-lists pra tudo e depois não respeita nada, esquece as coisas e muda os planos no meio do caminho. Assim sou eu...

Desde que saí da faculdade, prometi pra mim mesma que ia ler mais livros que me dessem prazer, coisas que eu escolhesse ler e deixar de lado os livros técnicos chatos e complicados (a menos é claro que seja por opção).  Pois então... Vai fazer dois anos que me formei (lembrar disso agora me deu uma leve dor de cabeça) e ainda não consegui ler mais que dois livros por ano. Ok, é vergonhoso, eu sei.

Outra coisa que há muito tempo (bota tempo nisso) eu tento fazer e não consigo é organizar o blog. Acontece que ainda não achei um motivo pelo qual escrever. Eu, como jornalista que sou, não me permito ficar escrevendo o tempo todo sobre a minha vida ou os meus pensamentos sem passar informação alguma. Tenho pensado muito nisso, ainda mais agora com as redes sociais. As pessoas postam coisas que chegam a dar aquela vergonha alheia básica e eu realmente não quero ser mais uma dessas. Então, má notícia... ainda não decidi qual o propósito do blog, sobre o que escrever, por isso, enquanto não ficar claro pra mim, nada feito.

Acho que o item acima faz parte de um outro que pretendo resolver também em breve: a minha crise PPP (profissional-pessoal-psicológica). Às vezes me pego divagando sobre o que eu quero para daqui a cinco anos, o que eu não quero, se eu to feliz, o que imagino pra minha vida profissional e por aí vai mais um zilhão de perguntas. Sabe aquela pergunta clássica: casar ou comprar uma bicicleta? Pois é, tipo isso... Mas as coisas estão andando. Tenho pensado muito em tudo isso e aos poucos (bem aos poucos) estou esclarecendo as coisas na minha pequena cachola.

A última coisa (deste post porque como já comentei a lista é gigante) que quero mudar em mim é o cuidado comigo mesma. Venho tentando desde que me entendo por gente mas sou um pouco negligente quando o assunto sou eu. Me alimentar melhor, fazer exercícios, beber muita água, essas coisas que uma pessoa saudável faz para se sentir melhor. A coisa boa é que agora a minha preocupação não é só (veja bem – SÓ) a estética, mas a questão do bem-estar, da saúde. Sabe como é... a idade vem chegando e a gente começa a se dar conta de algumas coisas.

Enfim... Que 2013 seja um bom ano!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fim dos tempos


Cada dia que passa acredito um pouco mais na profecia Maia que diz que o mundo vai acabar no dia 21 de dezembro de 2012. Do jeito que nós, seres-humanos, estamos vivendo nesse mundo não vamos longe não...

Brincadeiras a parte, fiquei preocupada hoje quando vi um motorista de ônibus xingando em alto e bom som um motorista de outro ônibus porque estava esperando parado no ponto um homem que atravessava a rua correndo para entrar no veículo.

Já aconteceu comigo diversas vezes... Tentar atravessar a rua na hora do movimento, atrasada, ver o ônibus chegando e ficar naquela situação do “vai-não-vai”. Algumas vezes o motorista esperou que eu conseguisse atravessar para seguir, outras vezes cruzei com um desses mau-humorados de plantão que só querem saber de cumprir o horário.

Mas a questão não é nem essa. O que me deixou chocada e um pouco indignada a ponto de quase sair em defesa do motorista gentil dentro do ônibus, foi o fato dele ter sido xingado como se tivesse feito uma barbeiragem no trânsito.

Por isso eu digo, o fim dos tempos está próximo... No dia que a gentileza deixar de existir o mundo acaba!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Menininha


De repente eu me vejo diante de uma moça que eu pensava ainda ser uma menininha. Me enganei...

A seriedade do assunto, a clareza das palavras, o senso de responsabilidade me deixaram boquiaberta diante dela. Senti como se tivesse cinco anos e minha mãe estivesse ralhando comigo. Senti como se os meus 25 anos não fossem nada diante daqueles 13. Senti vergonha. Senti orgulho. Não sou mãe, mas sei da minha contribuição para formar aquela personalidadezinha forte.

As palavras martelam na minha cabeça até agora...

Como não a vi crescer assim? Não pensei que as noites fossem tão longas...

Pai


Ele é importante pra mim. Sempre foi e sempre será.

Me ensinou muitas coisas que agora, mais velha, posso ver como são importantes pra mim, como contribuíram para formar o meu caráter.

Ele sempre esteve ali para me dar a mão, mas nunca me impediu de cair, de correr os riscos necessários pra crescer, aprender e me fortalecer.

Do jeitão dele, nunca deixou de dizer que nos ama, nunca nos deixou faltar nada, nunca nos faltou como pai, como exemplo ou como homem. Mesmo distante esteve e está sempre perto.

Já passamos por tantas coisas juntos, já pedi tantos conselhos que não sei dar meio passo importante sem antes falar com ele.

Lá de longe, quando precisei de força, me vieram na cabeça algumas palavras que ele sempre me disse e que às vezes eu não escutava.

De legado maior me deixa a vontade de ir cada vez mais longe, sonhar cada vez mais alto e seguir sempre buscando alcançar meus sonhos.

Valeu PAI!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Espiadinha


Sabe saudade??

Não estou falando de saudade de alguém, mas saudade de tempo.

Pois é... Hoje bateu uma saudade de um tempo que passou... Culpa de fotos, vídeos, músicas e outras coisas que me transportam direto para lá.

Em certos momentos a vida pede (obriga) que a gente faça escolhas. Escolher o caminho que vamos seguir não é fácil. Se pelo menos fosse possível dar uma espiadinha no futuro pra ver como seria... Mas não dá! É preciso escolher no escuro, medir na hora os prós e contras, pensar, refletir, discutir e decidir.

Eu fiz a minha escolha, não me arrependi nem um momento. Mas hoje, vendo que o caminho número 2 me levaria para um lugar totalmente diferente do que eu já imaginei pra mim e que eu com certeza gostaria de estar lá, me bateu uma vontade de pegar o caminho de novo...

Agora, o destino me aparece de novo com uma escolha dessas... E de novo, uma guerra começa dentro de mim.
Minha cabeça diz que agora é mais difícil, as coisas já estão encaminhadas para um lado diferente, já fiz meus planos, já reprogramei a minha vida certinha, já tracei novos objetivos, que o passado fez a sua parte e foi, passou... Mas o meu coração tenta sair do sufocamento em que o coloquei para gritar algo do tipo “Me segue que tu não vai te arrepender!”.

Se pelo menos fosse possível dar uma espiadinha no futuro...

Vai que...


Sempre fui a primeira a falar que se as coisas não são melhores no Brasil, boa parte da culpa disso é dos brasileiros que adoram reclamar, mas fazer uma mobilização que é bom nada.
Acontece com muitos de nós, criticamos o sistema, ficamos com raiva, expomos nossas ideias para amigos, familiares, mas nada passa da porta de casa.

Indo para o trabalho esses dias, com o ônibus lotado (para começar bem o dia), fiquei pensando nisso. Quantas vezes já liguei para EPTC (órgão que fiscaliza o transporte público), reclamei, expliquei, aguardei soluções e nada, nem uma pequena melhora.

Antes eu me irritava, ficava indignada com a situação caótica do transporte coletivo em Porto Alegre, mas a única coisa que mudava era o meu humor. Já chegava irritada no trabalho e começava mal meu dia.

Cansada disso, resolvi mudar meu comportamento. Hoje eu pego ônibus e tento (sim, ainda tento) não me estressar. Meu próximo passo é comprar um carro, uma moto, uma bicicleta que seja, mas que me tire do tumulto e me leve com um pouco de conforto para casa ou trabalho.

Se isso me deixou mais feliz? Não, na verdade me sinto um pouco culpada porque vou colocar mais um veículo num trânsito que já está no limite do caótico. Me sinto triste porque sei que um transporte público de qualidade seria a solução para muitos problemas e eu adoraria usufruir de um. Mas... Como já diziam os sábios, é mais fácil mudar o nosso comportamento do que mudar os outros.

É triste ver que as nossas reclamações não dão em nada e que a alternativa que nos resta é o conformismo.

Mas como eu sou brasileira e não desisto nunca, enquanto tiver que me sujeitar a isso, vou divulgando o telefone para reclamações entre os passageiros que volta e meia reclamam dentro dos ônibus.

Vai que um dia muda...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Autoajuda


Livrarias sempre foram um lugar mágico para mim. Sempre adorei ficar folheando os livros, lendo títulos e “orelhas”. Confesso que há um bom tempo que não fazia isso, mas ontem, durante uma longa espera no shopping, resolvi entrar em uma.

Lá pelas tantas me deparei com uma seção chamada autoajuda. Era um tal de “O poder dos quietos”, “Porque os homens amam mulheres poderosas”, “Como conquistar um amor em 60 segundos”, “A linguagem corporal do amor” e tantos outros.

Tantos títulos que fiquei pensando na situação das pessoas... Sim, porque se tem tanto livro desse tipo é porque tem muita gente comprando e precisando.

Não tenho realmente nada contra eles, já li alguns até (e que atire a primeira pedra que nunca sequer folheou um), mas pra mim, se é pra ler sobre amor, sou muito mais um bom romance!

As pessoas estão tão preocupadas em encontrar regras de como viver, como amar, como enriquecer, como criar os filhos e coisas desse tipo que acabam esquecendo de viver, de se divertir, de curtir as coisinhas da vida.

Para a vida ser boa, a gente é que tem que inventar a receita. Não adianta copiar a receita dos outros porque os ingredientes são bem diferentes!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Quando a ignorância mata a gentileza

A cena é mais ou menos assim: ônibus lotado, caroneiro sentado, senhora de pé. O cobrador gentil e caridoso ao ver a senhora de pé, pede educadamente que o caroneiro se levante e ceda o lugar para a senhora. O caroneiro na mesma hora corresponde ao pedido e dá o lugar.

Até aí nenhum problema. Tudo normal, lindo até. Difícil encontrar pessoas com tal nível de sensibilidade e percepção. Mas o que chocou não só a mim como aos passageiros que testemunharam a cena foi a reação agressiva da senhora.

“O senhor não precisava fazer isso moço! Eu podia ir em pé até a minha casa! Se eu quisesse sentar eu tinha pedido! Vou fazer uma reclamação!”

E assim ela foi discutindo com o cobrador por um longo tempo. Ele tentou se defender por um instante dizendo que só havia feito uma gentileza, e que o moço que cedeu lugar não estava pagando passagem, mas viu que era inútil e ficou quieto, apenas ouvindo os desabafos da senhora.

As palavras que ele disse depois que a passageira encrenqueira desceu do ônibus me fizeram entender porque falta tanta gentileza no mundo hoje...

“Pô! A gente é gentil e leva uma patada dessas... Agora já sei... Não vou mais ser gentil com ninguém!”

A ignorância de algumas pessoas é maior do que a bondade, generosidade, caridade e gentileza de outros. Ao invés de apenas agradecer e dizer que não precisava ou apenas sorrir, existem pessoas que adoram dar patada nos outros.

É... A ignorância mata a gentileza!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Carta de (des)amor


Quem me conhece, sabe que tenho uma característica que alguns veem como qualidade, outros como defeito, me coloco facilmente no lugar dos outros, sinto as coisas como se fossem comigo, “tomo as dores” de quem eu gosto, me sensibilizo e choro por causa de problemas que não são meus. Esta carta é um exemplo disso...

“Será que todos esses anos não te serviram de nada? Será que não fostes capaz de ouvir uma palavra sequer do que eu disse?

Porque agora, depois de tanto tempo vens pra cima de mim como se eu, que fiquei contigo por todos esses anos, fosse tua inimiga? Como se eu fosse a culpada por tudo de ruim que se passa na tua mente?

Nunca achei que serias capaz de me machucar tanto. Ouvi coisas que não merecia da tua boca, coisas que machucaram minha alma. Não tens ideia de como me sinto agora.

Quando foi que o homem que eu amei deu lugar a esse que olho nos olhos agora e vejo ser um completo estranho? Quando? Será possível que todos esses anos, todas as coisas que passamos juntos, todas as alegrias e todo amor que sentíamos um pelo outro foram fruto da minha imaginação?

É ruim admitir, mas no fundo, no fundo mais escondido do meu coração, eu já desconfiava. Mas ao mesmo tempo, não me dei o direito de desconfiar de ti, não acreditei que tu serias capaz de fazer isso comigo. Logo tu, o meu companheiro, o meu amigo, o meu namorado, o meu marido.
Ainda estou em pedaços, é verdade. Mas sei que vou conseguir me recompor e renascer das cinzas que tu fizestes questão de jogar ao vento. E quando isso acontecer meu querido, surgirá em mim outra mulher, uma mulher que eu não conheço e que tu jamais conhecerás.

Tenho raiva de ti por tudo que ouvi, por tudo que vi e pelas tuas atitudes que transformaram tudo que eu tinha em quase nada. Tenho raiva sim, mas não tenho ódio, porque o ódio e o amor são sentimentos irmãos. E amor, isso eu já não sinto mais.” 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Diário de Viagem – O que aprendi

Dois meses maravilhosos em uma cidade organizada, limpa, bem cuidada, com gente educada, parques e 'markets' por toda parte... Vou sentir saudades disso, não tenho dúvida!

Dois meses que tive que aprender a lidar com sentimentos que não gosto de sentir, a saudade, a ausência, a solidão, a tristeza... E tive que aprender a espantar todos eles sozinha, sem ninguém pra me ajudar.

Aprendi tantas coisas que é difícil deixar esse 'post' curto, por isso, quem tiver paciência leia, quem não tiver, eu perdôo...

Aprendi a pensar em quem é Gabriela Carpes e quem vai ser Gabriela Carpes.
Aprendi a saber o que eu gosto de fazer, de comer, de vestir...
Aprendi que a independência tem um gostinho ótimo e que agora eu tenho que lutar pra ter isso pra sempre.
Aprendi a controlar o meu dinheiro e que fazer comprar é muito bom, mas que depois, na hora de colocar as coisas na mala a gente pensa “porque foi que eu comprei isso mesmo?”
Aprendi que a vida existe sem televisão, mas que as novelas brasileiras tem o seu valor no final da noite.
Aprendi que alface, pimentão, pepino, abobrinha e berinjela podem não ser tão ruins assim.
Aprendi que mesmo pessoas educadas perdem a cabeça de vez em quando.
Aprendi que mãe é igual sim e só muda o endereço.
Aprendi que caminhar mais até a parada do ônibus e subir as escadas do prédio não vai doer e ainda vai me deixar mais saudável.
Aprendi que a distância une as pessoas.
Aprendi que não falar a mesma língua não é empecilho para uma amizade de verdade.
Aprendi que família é pra sempre, não importa a distância ou o tempo.
Aprendi que a saudade dói mas que quando tem data marcada pra terminar pode até ser boa.
Aprendi que uma viagem como essa vou levar pra sempre na memória e que esse tipo de coisa ninguém vai tirar de mim.
Aprendi que existem coisas mais importantes pra fazer com o dinheiro do que só adquirir coisas materiais.
Aprendi que subir e descer escadas todos os dias não mata ninguém
Aprendi que ficar um dia sem comer no almoço não faz mal pra saúde e ninguém morre de fome por isso.
Aprendi que uma comunidade para dar certo tem que ter regras e que as regras tem que ser respeitadas e que nem por isso o lugar é ruim.
Aprendi que ficar sozinha pode ser bom mesmo quando não tenho nada pra fazer.
Aprendi a cuidar melhor de mim e das minhas coisas.
Aprendi que arrumar a cama antes de sair de casa de manhã não vai fazer eu me atrasar mais do que um minuto.
Aprendi que tudo que eu posso fazer hoje eu devo fazer hoje porque amanhã pode estar chovendo.
Aprendi que roupas confortáveis são tudo de bom mesmo que não sejam as mais lindas do mundo.
Aprendi que algumas características a gente não perde nunca, não importa o quão longe de casa esteja.
Aprendi que as pessoas são diferentes fisicamente, mas é possível encontrar pensamentos bem parecidos.
Aprendi que a distância nos proporciona conhecer pessoas diferente que talvez nunca pudéssemos conhecer.
Aprendi que as pessoas vão e vem todos os dias e que não podemos ficar tão tristes por isso porque cada um tem o seu papel na nossa vida.  
Aprendi que a comida da minha mãe é a melhor do mundo, mas que existem outras comidas bem boas por aí.
Aprendi a dar valor às coisas que realmente importam.

domingo, 6 de maio de 2012

Diário de Viagem – Lições de Mrs. Tatik


É interessante quando a gente se depara com uma cultura totalmente diferente da nossa, onde tudo é motivo de surpresa e, às vezes, estranhamento. É uma experiência incrível poder compartilhar esse tipo de coisa, trocar experiências...

Aqui na casa onde moro, somos quatro pessoas, eu, uma suíça, um japonês e a dona da casa que é da Indonésia. Uma senhora no auge dos seus 60 e poucos anos, muito mais ativa do que muita gente que eu conheço e dona de um vasto conhecimento de mundo e de vida.


Dois meses foram suficientes para absorver algumas lições dessa pessoa incrível que recebe há mais de 30 anos estudantes dentro da sua própria casa e faz isso por livre e espontânea vontade (porque para ela isso não é só um negócio).

Mrs. Tatik é ‘muslim’, religião também conhecida como islamismo. Confesso que esse foi o primeiro choque quando pisei em Londres. Para mim nunca foi comum ver mulheres usando lenço na cabeça e ser recepcionada por uma me deixou sem saber o que fazer ou falar. Esse foi só o primeiro sinal de todas as surpresas que Londres reservava pra mim...

Na hora do jantar, todos nós sentamos à mesa juntos, conversamos, praticamos nosso inglês e ouvimos as histórias e lições de Mrs. Tatik...

“Não dependa de ninguém! Precisamos das pessoas para viver, mas não podemos depender delas porque um dia elas vão embora e quando dependemos delas, sofremos muito por isso!”

“Ajude os outros. Reserve um tempo da semana, organize-se. Isso é o que realmente traz felicidade e ninguém pode tirar isso de você! O dinheiro pode trazer felicidade, mas quando o dinheiro vai embora, a felicidade se vai também.”

“Não julgue ninguém pelas roupas que a pessoa usa, pelo carro que ela tem ou pela casa onde mora. Nunca sabemos as reais condições e podemos nos surpreender no futuro. Só quem pode julgar é Deus!”

“Coma salada, faça exercícios e cuida da sua saúde. Quando chegar nos 60 ou mais você vai lembrar disse e pode se arrepender de não ter feito mais por você mesmo.”

“Dedique-se a diversas atividades, dessa forma, quando uma estiver em crise, você tem outras coisas com que se preocupar e não corre o risco de duplicar a importância do problema.”

“Não gaste o seu dinheiro com coisas que você não precisa. A moda vai e vem, o que você é, é pra sempre. Busque isso!”

“NADA É IMPOSSÍVEL!”

sábado, 5 de maio de 2012

Diário de Viagem – Estilo: cada um tem o seu. Londres tem todos!


Acho que essa é uma das coisas mais legais aqui em Londres, tem lugar pra todos os estilos.

Para começar, ninguém tá nem aí para o que estamos vestindo, como está o cabelo ou se a meia-calça está furada ou não. Se é preciso andar com um lenço na cabeça cobrindo o cabelo ou se a religião só permite que os olhos sejam vistos e o resto seja coberto, não tem problema. Londres é o lugar certo!

Aqui o conceito de moda toma uma dimensão completamente diferente do que já vi. Vale tudo. Se você se sente confortável, vale! 

Já cansei de ver no metrô mulheres indo para o trabalho com o cabelo todo despenteado; pessoas vestindo roupas que, para mim são um tanto “exóticas”, mas que, com um pouco de estilo ficam legais; punks, góticos e ‘emos’, circulam com suas roupas pretas, seus piercings às vezes chocantes para os mais conservadores e seus cabelos coloridos e bem trabalhados; homens com calças curtas, gravatas divertidas, meias de algodão com calça e sapato social, e por aí vai...

O fato é que não importa o que você vista, ninguém vai apontar pra você, ninguém vai rir, ninguém vai manifestar uma reação sequer. Sabe por quê? Porque aqui, é cada um na sua, cada um interessado na sua vida, no seu ‘business’ e não no dos outros. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Diário de Viagem – Vai de ‘bike’!


Tá aí uma grande ideia que o Brasil podia copiar... Em diversos pontos de Londres tem os chamados “Barclays Cicle Hire”, onde podemos alugar uma bicicleta para andar pela cidade.

É simples! Funciona assim: a gente vai a um dos terminais, paga por um determinado período para ficar com a bicicleta e é só sair andando. Encerrado o tempo, é só devolver a ‘bike’ a qualquer outro terminal. Os valores variam de acordo com o tempo, mas os primeiros trinta minutos são gratuitos.

Genial não é! E o mais incrível é que a população utiliza (e muito) o serviço! Mesmo com o trânsito caótico de Londres (no meu ponto de vista é claro), as pessoas costumam sair de casa de bicicleta. Vale lembrar que a ciclovia por aqui é bem vasta, embora o ciclista não seja tão respeitado quando deveria.

É bom para as pessoas que aproveitam pra se exercitar e levar uma vida mais saudável; é bom para o trânsito que fica menos caótico e é melhor ainda para o meio ambiente, que deixa de receber uma boa quantidade de gases.

Eu até quis tentar, mas como minha intimidade com a bicicleta não é muita, preferi não arriscar. 

Diário de Viagem – Markets


Portobello Market, Covent Garden Market, Spitafields Market, Columbia Flower Market, Borought Market, Camden Market, Petticoat Lane Market…

Apenas alguns dos muitos markets de Londres. Um jeito bom de comprar, onde se é livre para escolher, andar, passear, olhar... E onde é possível encontrar de tudo, desde roupas de segunda mão, até antiguidades, passando por comidas diferentes, sapatos, frutas, artesanatos, flores e todo tipo de bugiganga que se pode imaginar. 

Que shopping o quê?!?! O pessoal aqui adora é ir pro "market"!!

Borough Market

Camden Market

Covent Garden Market
Petticoat Lane Market

Portobello Road Market

Apple Market

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Diário de Viagem – Profissão: trabalhador de rua


Nunca vi um lugar com tanta gente trabalhando na rua como Londres. É gente fazendo malabarismo, estátua viva, fantasia de personagem, gente dançando hip hop, fazendo bolha de sabão, mágica, gente cantando e tocando instrumentos então é o que mais tem.

E não é difícil encontrar coisas de qualidade não, pelo contrário. Se eu fosse dar uma moeda para cada um que achei legal, eu ia à falência.

E sabe que tem gente que faz isso há anos? Gente que sustenta a família e que não ganha pouco não, só fazendo apresentações na rua. Conversei com um malabarista depois do show e ele me disse que colocou os dois filhos na faculdade e pagou toda a escola dos guris com o dinheiro que ganha na rua. Disse também que adora o que faz e que não trocaria esse trabalho por nenhum outro, porque ali ele tem contato com as pessoas, escuta o retorno, as risadas, e se sente satisfeito e feliz.
 
Interessante o jeito que eles veem esse tipo de trabalho. A grande maioria, faz uma super produção, com amplificadores, cenários, roupas diferentes, equipamentos, tudo para fazer as pessoas que estão passando perceberem que aquilo ali não é só mais um “showzinho”, é um “show” de verdade e que tem que ser respeitado. Se você parou, viu, riu, se divertiu, nada mais justo do que pagar por isso. E a grande maioria das pessoas paga. Uma moeda, não importa o valor, já é suficiente.

domingo, 29 de abril de 2012

Diário de Viagem – Dez horas em Paris


Depois de um pacote cancelado, discussão (em inglês) no telefone, cancelamento e remarcação de viagem, finalmente consegui pegar o “trem bala” para conhecer a cidade mais romântica do mundo, Paris!

Um dia é muito pouco pra curtir tudo o que ela tem a oferecer, mas eu juro que tentei! Uma cidade linda, cheia de história, romântica, completamente turística e, é claro, muito, muito, muito cheia!

Logo que cheguei fui a Catedral de Notre Dame. Um prédio maravilhoso, que por si só merece um tempo para perceber os detalhes, se não, é bem possível sair de lá sem ver as famosas gárgulas.

Catedral de Notre Dame
Caminhando pela cidade (que para mim é o melhor jeito de fazer os passeios turísticos), cheguei ao Museu do Louvre, um dos maiores e mais famosos do mundo. Depois de uma hora na fila, consegui entrar. Como meu tempo era curto, fui direto ao ponto: Monalisa.

Museu do Louvre - La Gioconda / Monalisa
Saí de lá e fui caminhando pela Champs-Élysée, uma rua muito famosa pelas lojas de luxo, restaurantes, cafés e cinemas, até o Arco do Triunfo, monumento construído em comemoração às vitórias militares de Napoleão.

Champs-Élysée
Arco do Triunfo
Minha última parada foi a Torre Eiffel. Impossível estar em Paris e não subir até o topo da Torre. Mas será que vale duas horas em pé na fila? Para mim valeu. É claro que o fato de eu estar sozinha em um lugar onde estar com um “par” é pré-requisito, me deixou um pouco entediada, mas quando cheguei lá em cima, a vista, apesar das muitas nuvens e da neblina, foi recompensadora. Descer é que foi outra longa espera... 
Torre Eiffel
Por incrível que pareça, não comprei “nadica” de nada em Paris. Concentrei toda a minha atenção no roteiro turístico que tinha em mãos e não parei em nenhuma loja pra ver absolutamente nada. Cada minuto era precioso e eu sabia perfeitamente disso.

Adorei a viagem mas não aproveitei como deveria ser. Essas dez horas em Paris me trouxeram uma certeza: preciso voltar pra ver tudo com calma e com a merecida atenção. E da próxima vez, devidamente acompanhada, é claro. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Diário de Viagem – Falando sozinha


Às vezes me dá um desespero, acho que não aprendi nada de inglês, que vou voltar falando a mesma coisa que antes, que só gastei dinheiro a toa... Eu sei que não é verdade, sei que aprendi muita coisa, sei que cada dia é uma prova, sei que estou me virando super bem desde que cheguei, mas mesmo assim, às vezes, ainda penso do jeito errado.

Mas essa semana, acho que cheguei naquele ponto em que a gente sabe que o inglês está entrando na gente. Estava pensando e falando sozinha quando me dei conta de que não sabia determinada palavra. Foi aí que percebi que isso tudo era em inglês.

Pra mim que nunca gostei da língua e que sempre tive minhas piores médias na escola em inglês, isso, por si só, já é uma vitória. Hoje posso dizer que gosto de estudar inglês e que vou continuar praticando pra não perder nunca o que ganhei aqui.

Ponto pra mim!

Diário de Viagem – A palavra é... ADAPTAÇÃO


Antes de viajar, li uma frase de um autor que não costumo ler, Paulo Coelho. Confesso que nunca li um livro inteiro, mas estava lendo um de crônicas sobre viagens onde ele escreveu a seguinte frase:

“Seus referenciais mudam e você passa a depender dos outros. É preciso reduzir tudo, da roupa às exigências. Isso ajuda a perceber que a vida é simples. Longe do conforto do conhecido, tudo vira lar”.

Verdade. A mais pura verdade!

Uma experiência como essa que estou vivendo transforma completamente a maneira de ver o mundo. Percebemos que ele é muito maior do que parece ou do que conhecemos. Percebemos que é preciso mudar algumas coisas em nós mesmos para receber o novo, o diferente. Aprendemos a fazer coisas que nunca fizemos antes. Colocamos em prática toda a educação que temos e lembramos de coisas que ouvimos há muito tempo atrás. Comemos aquilo que nunca imaginamos e mudamos alguns conceitos pessoais. Aprendemos que a palavra ‘nunca’ pode ser substituída facilmente pelo ‘talvez’ ou ‘quem sabe’.

Sair da zona de conforto dá medo, intimida, assusta, mas não dói. Talvez no começo doa um pouco, mas logo passa e a gente aprende a fazer aquilo que nossos ancestrais sempre fizeram: se adaptar. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Diário de Viagem – Contando moedas


Se tem uma coisa que me faz passar vergonha aqui em Londres são as moedas.

Quando tenho que pagar alguma coisa, sempre que posso evito as moedas. Mas às vezes fica difícil. Minha niqueleira ficou tão cheia que chegou a arrebentar...

2 e 1 pounds, 50 e 20 pence
10, 5, 2 e 1 pence
O problema é que as moedas são todas diferentes e de tudo que é valor. E aqui não tem essa de ficar devendo um centavo ou de troco em bala, se o troco é 93 “pence” (o centavo do pound), a pessoa vai te dar 93 certinho, nem um “pence” a mais, nem um a menos.

Imagina a cena: fila pra pedir o sanduiche. Logo aí já encontro o primeiro obstáculo, o que escolher. Geralmente tem várias opções e quero saber o que é cada uma, logo, é preciso ler as identificações. Depois de escolher um sanduíche onde eu conheço 80 por cento dos ingredientes, vou pra fila. Chego no caixa, a pessoa fala muito rápido mas como já estou acostumada e, mais ou menos, sei a sequência de perguntas, sem problemas. Na hora de pagar ela diz 3,75. Olho na carteira, nenhuma nota. Só moedas. Desespero! A fila atrás de mim cresce, as pessoas ficam impacientes enquanto eu conto as minhas inacabáveis moedas na frente do caixa. Começo a suar, ficar nervosa, perco a conta, recomeço, desisto. Peço ajuda a pessoa do caixa para contar as moedas e ela faz isso com uma facilidade que me faz sentir uma criança quando vai comprar balas pela primeira vez na venda da esquina e não tem a menor noção do valor do dinheiro que carrega.

Vergonha!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Diário de Viagem – Liverpool and The Beatles


Como descrever a sensação de estar em um lugar onde sabemos que uma das bandas mais famosas do mundo começou sua carreira? Missão difícil...

Nesse final de semana fui a Liverpool para conhecer um pouco mais sobre a história dos Beatles e pra visitar alguns lugares por onde estiveram, as ruas onde cresceram e a cidade que até hoje é lembrada por ser o berço dos quatro meninos que a fizeram inesquecível quando se fala de música.



Para começar, uma longa caminhada pela cidade só para conhecer o território. A primeira parada obrigatória é ‘Beatles History Exhibition’. Toda a história da banda que começou em 1956, gravou treze álbuns em 8 anos, virou febre mundial e tudo isso sem perder a ternura e a rebeldia da juventude. E pensar que todas as gravadoras recusaram os garotos no começo...

Fotos, vídeos, objetos, textos, reprodução de lugares, roupas, músicas, comentários, desenhos, jornais, cadernos com anotações, discos, uma infinidade de coisas que nos fazem reviver tudo nos mínimos detalhes.

Mas o auge da minha rápida passagem por Liverpool foi quando entrei no ‘Cavern Club’. Impossível descrever a sensação de estar no lugar onde eles começaram, onde se apresentavam sem compromisso, sem imaginar que um dia seriam o que foram.

Descendo as escadas, pude notar que o cheiro é exatamente como Paul descreve “suor, detergente de banheiro, cerveja e umidade”. Quando entrei, uma banda estava tocando rock, acho que ‘Rolling Stones’. Mas meu coração acelerou quando começaram a tocar “She Loves You” e todo mundo acompanhou. Foi como se todos que estavam ali estivessem esperando por esse momento.

Infelizmente, não tive oportunidade de vê-los no palco. Mas poder sentir um pouquinho dessa sensação foi simplesmente emocionante.


Obrigada pai por me apresentar a música boa e me ensinar a gostar de tudo que tem qualidade. Não tenho palavras pra agradecer...


Obs.: Seria injusto dizer que esta é minha preferida, mas com certeza é uma das mais bonitas...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Diário de Viagem – Unhas


Se tem uma coisa que me tira do sério aqui, são as unhas das mulheres. Porque é que elas não cuidam das unhas? Não quer pintar, pelo menos tira o esmalte!

Pode parecer que é coisa de mulher fresca, mas não é. Pra mim, é uma questão de higiene. Não precisa pintar de vermelho, só precisa cuidar, entenda-se, cortar, limpar, lixar, essas coisas básicas.

Nunca vi nada parecido! Fico chocada cada vez que vejo... E olha que já vi muitas, é muito comum por aqui andar com as unhas mal feitas. 

Cada vez que vejo lembro da minha mãe mandando tirar o esmalte quando já está ficando feio. "Que coisa mais porca guria! Vai tirar esse esmalte já! Credo!". Ela ia ficar horrorizada.

E acho que não sou só eu que fico chocada, porque esses dias fui colocar crédito no cartão do metrô e o atendente elogiou minhas unhas (que para mim, estavam mal-feitas). Coitado... Deve ver cada coisa durante o dia...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Diário de Viagem – Óculos de sol X guarda chuva


Hoje ouvi uma que é muito real: duas coisas que sempre tenho que ter na bolsa em Londres são o óculos de sol e o guarda chuva. 

Nunca vi tempo tão louco! É capaz de mudar três ou quatro vezes no mesmo dia.

Ontem o dia amanheceu chuvoso e muito frio. No meio da manhã o sol apareceu. No início da tarde choveu granizo, logo em seguida sol e calorzinho. No fim da tarde, frio e mais chuva. E hoje foi a mesma coisa.

Agora me diz... Como é que a pessoa escolhe uma roupa pra usar? Efeito cebola todos os dias! Vivendo no tira casaco, bota casaco...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Diário de Viagem – Turismo

Em Londres o turismo é uma preocupação primordial. É fácil se locomover, é fácil achar os pontos turísticos, tem placas espalhadas por todos os cantos, mapas em cada estação de metrô e parada de ônibus, as vezes, indicações em mais de uma língua.

Tudo isso mostra uma cidade que está se preparando para receber os jogos olímpicos, que começam no dia 27 de julho, e que se preocupa em fazer com que o turista se sinta bem aqui.

É incrível a diferença entre uma cidade que se valoriza, e uma que não dá muita atenção a isso. Propaganda. Essa é a palavra certa. Cada esquina tem um mapa com os principais pontos turísticos da cidade.

Todos os dias, visito algum ponto turístico da cidade ou algum lugar interessante. Cada um desses lugares tem, na saída, uma loja com “quinquilharias” para comprar. E, diga-se de passagem, estão sempre cheias. Os turistas adoram.

O raciocínio é lógico: a pessoa entra em determinado lugar, faz uma visita guiada que conta todos os pontos importantes, emocionais e históricos do local, se sensibiliza e na saída, compra. Os produtos são caros e nem por isso de boa qualidade. Por exemplo, uma caixinha de chá inglês que ali custa oito pounds, em outro Market qualquer, a mesma caixinha vai custar no máximo seis.

A maioria dos museus são pagos. E não são muito baratos não. O mais barato que paguei foi cinco pounds. Na maioria das vezes, no valor está incluso o fone com a visita guiada, onde podemos andar pelo local no nosso tempo, independentemente de guia ou grupo, o que é bem melhor.

É claro que se juntar tudo que já gastei só em museus dá uma quantia razoável, mas acho isso interessante porque é uma maneira de manter o espaço vivo, limpo e bem cuidado. Só entra ali quem realmente quer conhecer e saber sobre aquela determinada história.

E não tem aquele papo de que cobrando o povo não vai. Está tudo sempre cheio, independente do dia da semana, sempre tem gente transitando nos lugares mais famosos de Londres.

Definitivamente nós, brasileiros, não sabemos nos vender. Com tantas coisas lindas no nosso país para serem mostradas, a única coisa que os estrangeiros sabem sobre nós é “Pelé, Ronaldinho e samba”. Parece mentira, mas é a mais pura verdade.

2014 está chegando e temos muito o que aprender! A começar pela propaganda de nós mesmos. 

domingo, 15 de abril de 2012

Diário de Viagem – Vergonha? Que vergonha?

Já faz cinco semanas que estou aqui. Nesse meio tempo, aprendi muitas coisas. Algumas já mencionei e outras ainda não, mas uma grande coisa que aprendi é que vergonha é uma coisa que não existe.

Na hora da necessidade, não há vergonha que resista. Ela some rapidinho...

Não tem essa de falar errado ou falar certo, o negócio é se comunicar. Sabe aquele ditado que diz que só se aprende errando? Pois é! Quando erramos e alguém nos corrige, é bem mais difícil de esquecer. Aos poucos a gente vai aprendendo a falar certo, a pedir informação de um jeito mais “polite” e por aí vai.

Quando pisei em solo britânico pensei: “Putz! E agora?”. Logo nos primeiros minutos já tive que me desdobrar com a mulher da imigração que pegou no meu pé. Fez milhares de perguntas, contou meu dinheiro e me deu a primeira lição de inglês que eu jamais vou esquecer: quando usar “what?” e quando usar “sorry?”.

Deixei minha vergonha no avião. Tive que me virar com o inglês que eu sabia (que descobri não ser tão pouco quanto imaginava) e tudo correu bem até agora. Já pedi informação, já dei informação, já conversei com estranhos, já fiz amizades num pub, já troquei e-mails com um professor, já falei no telefone com uma agência de turismo...

Não sabe? Pergunta. Não entendeu? Pergunta de novo.

Ás vezes é melhor pedir uma informação do que ficar rodando, rodando, rodando pela cidade com o mapa na mão e com cara de turista. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Diário de Viagem – Olhe para os dois lados

Uma das coisas mais comentadas sobre Londres é a tal mão inglesa. Aqui o trânsito é completamente virado no avesso. Sabe tudo aquilo que a gente sabe de trânsito? Esquece. Não se aplica aqui.

Só para começar, o motorista fica do lado direito do carro. A partir daí, troca tudo de lado pronto! Tá feita a confusão. É tão diferente que lá pelas tantas a gente já nem sabe mais o que é esquerda e o que é direita, o que é certo e o que é errado. Sim, porque até na escada tem o lado que sobe e o lado que desce, não sei bem qual é o lado, sempre dá aquele nó no cérebro. Para não errar, sigo o fluxo.

Deixei pra escrever sobre isso só agora porque queria dar um tempo para o meu pobre cérebro se acostumar com a dita cuja. Impossível! Já se passou um mês e ainda não tenho a menor idéia de que lado tenho que olhar quando atravesso a rua.

Conselho número 1: “Na dúvida, olhe para os dois lados”.
Sabe quando somos crianças e estamos aprendendo a atravessar a rua? É só lembrar aquilo que a mamãe sempre dizia “Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua”. Não tem erro! E como Londres é uma cidade cosmopolita, em algumas sinaleiras, no chão tem uma flecha dizendo para que direção devemos olhar.



Conselho número 2: “Nunca ande com pressa”.
Mais um clichê “A pressa é inimiga da perfeição”, nesse caso, a palavra perfeição pode perfeitamente ser substituída por vida. Não interessa o quão apressado esteja, não somos britânicos e ponto final. Não nascemos aqui, não sabemos pra que lado olhar e sempre vamos precisar parar pra pensar antes de olhar para o lado certo.

Conselho número 3: “Confie no sinal e não nos outros pedestres”.
Não é raro ver o sinal fechado para os carros e para os pedestres. Quando isso acontecer, o melhor a fazer é esperar o sinal. Se está com pressa, novamente, olhe para os dois lados. Sempre tem aquele que passa correndo e aquele monte de gente que vai atrás. Mas... se o sinal está vermelho, algum motivo tem né? Já vi vários “quase” atropelamentos de turistas por causa disso.

Uma última coisa a falar sobre o trânsito dessa cidade maravilhosa é que os motoristas são tão ou mais estressados que nós brasileiros, e dirigem muito, muito, muito rápido pelas ruas estreitas que não raramente tem carros estacionados dos dois lados. Logo, atravessar a rua ás vezes é uma aventura e tanto.