Janeiro e fevereiro em Porto Alegre são meses de Porto Verão
Alegre, um tradicional festival que mergulha a cidade em cultura de todos os
tipos.
Quem gosta de teatro, música dança, fotografia, filme, arte
em geral, sabe o quanto é difícil viver disso hoje em dia e o quanto é preciso
amar e se dedicar pra tirar projetos do papel.
Por isso, esse ano, decidi que uma daquelas resoluções de
ano novo era ir a uma peça de teatro por mês.
Nesses dois primeiros meses, aproveitamos os preços
camaradas do Porto Verão Alegre pra ir a duas peças super legais.
Em janeiro, assistimos “O que os homens pensam que as
mulheres pensam”, no teatro Renascença. No palco, três homens e uma travesti
ficam trancados em um banheiro público onde discutem o universo feminino. Com
humor, eles discutem os comportamentos masculino e feminino dentro de um
relacionamento e fazem algumas críticas. O texto foi baseado em uma pesquisa de
campo feita pelo diretor e ator Pedro Delgado dentro de banheiros públicos de
Porto Alegre. Bom pra rir um pouco.
Foto: Divulgação
Em fevereiro, fomos prestigiar o espetáculo “Misto Quente”,
do Circo Girassol. O espetáculo transforma o palco do teatro em um grande
picadeiro de circo onde são mostrados os melhores números de cada artista de
forma muito dinâmica e super divertida. Os destaques eu deixaria para a dupla
de palhaços Pinguinho e Serragem, que interagem muito com a plateia e garantem
as gargalhadas até o final e para a trilha sonora ao vivo que é um show a
parte. Uma verdadeira mistura de risadas, caras de pavor e, por incrível que
pareça, emoção, garantida pelos discursos do palhaço Serragem no início e no final
do espetáculo.
Realmente, não precisa de diploma, não precisa de papel.
Pra ser jornalista precisa saber escrever direito, precisa
saber pesquisar, ir atrás das informações, checar, checar e checar. Pra ser
jornalista precisa ter senso crítico para diferenciar o que é notícia do que
não é. Pra ser jornalista precisa pensar e saber quais os impactos que aquilo
que você escreve vai ter na vida das pessoas. Pra ser jornalista é preciso
conhecer um pouco de legislação, de tecnologia, de meio ambiente, de esporte,
de cultura, de ciência, de tecnologia, de inovação, de mundo, de tudo. Pra ser
jornalista é preciso saber que a sua opinião tem que ter embasamento e não
ficar só no “eu acho”. Pra ser jornalista tem que saber ouvir os dois lados
antes de sair por aí falando bobagem.
É meu amigo, pra ser jornalista não precisa ter diploma.
Precisa muito mais do que isso, precisa saber muita coisa que a faculdade não
te ensina.
Mas mais do que qualquer conhecimento técnico, hoje, mais do
que nunca, pra ser jornalista é preciso ter coragem e paciência para lidar e
enfrentar pessoas que além de não reconhecer o seu trabalho ainda desdenham da
sua competência e “acham” que qualquer um pode fazer o que você faz.
Eu nunca
quis morar em casa. Me lembro quando era pequena, meu pai viajava muito e minha
mãe dizia que não moraria em casa pra ficar sozinha com duas crianças pequenas.
Fui acostumada a ter só uma porta em casa e janelas que ficam a metros e metros
do chão.
As duas
únicas experiências que eu tive de morar em casa foram: em Curitiba, quando
moramos em um condomínio fechado e depois, quando morei em uma casa de família
em Londres.
Nos últimos
cinco anos, tive um pouco da experiência de como é viver em uma casa. Até
gostei da ideia de ter pátio, não ter que dar satisfação pra ninguém, não pagar
condomínio, mas na semana passada, voltei a lembrar o porquê de não querer
morar em casa.
Invadiram a casa
do meu namorado. Mexeram em tudo. Levaram coisas. Essa foi a segunda
experiência que tive, a segunda vez que acompanhei o caso de perto. Uma das
piores sensações do mundo é entrar em casa e ver que nada está do jeito que
você deixou, que alguém esteve ali, mexeu em tudo que é seu sem o menor cuidado
e levou coisas suas, coisas que você suou pra comprar, coisas que não tinham
valor nenhum a não ser o valor sentimental...
O medo que
fica demora pra ir embora e aquela sensação de segurança dentro de casa talvez
seja irrecuperável.
Aos poucos
vamos nos prendendo dentro da nossa própria casa. Grades, alarmes, cães de
guarda, interfones, seguranças...
“Se um dia
ele precisar de mim quando estiver velho, eu não vou ajudar. Ele que se dane.
Eu cresci sozinho, ele nunca me ajudou em nada. Ele sumiu da minha vida...”
Garoto, você
sabe o que teu pai passou pra te criar? Você sabe quantas fraldas tuas ele
trocou e quantas noites passou em claro por causa da tua gripe? Você sabe o
quanto ele teve que trabalhar pra colocar comida na tua mesa, pagar teu
material escolar e te dar aquele vídeo game que você tanto incomodou pra ter?
Sim. Eles
erram. É impossível ser perfeito, ainda mais quando se fala de criar os filhos.
Nossos pais sempre erram. Alguns mais, outros menos, mas sempre existe algum
errinho. Ninguém é infalível.
Quando ouvi
esse adolescente falando assim do pai dele, imediatamente lembrei do meu. Ele
sempre diz uma frase que vou levar pra sempre: “Vocês podem me odiar, mas eu,
como pai, sempre vou amar vocês incondicionalmente!”.
O fato de
nossos pais terem cometido seus erros, e incluo aqui até os mais graves, não
justifica sermos pessoas ruins ou que alimentemos dentro de nós esse sentimento
ruim com relação aqueles que nos geraram.
É preciso
superar as dificuldades para viver. É preciso esquecer algumas coisas para
poder levantar a cabeça e seguir em frente. É preciso perdoar para ter o
coração tranquilo. Pode ser difícil, mas é preciso tentar.
Sei que muita
gente vai dizer que é fácil pra mim falar isso porque eu nunca passei por
coisas assim. Eu concordo, meus pais erraram em algumas coisas e acertaram em
tantas outras, mas eu acredito que todos os pais e mães procuram fazer o melhor
que podem.
Cabe a nós
reconhecer os erros deles e tentar não repeti-los quando for a nossa vez de
criar os nossos filhos. E digo tentar porque muitos vão cometer os mesmos
erros, tenho certeza. Sabe porquê? Porque quando for a nossa vez, vamos ter
maturidade suficiente para entender e, porque não, concordar com algumas das
atitudes deles.
A vida
passa. Cada minuto que passamos longe das pessoas que realmente importam podem
ser cobrados de nós mais tarde. Não vale a pena ficar remoendo mágoas.
Tente
imaginar em como você sentiria se amanhã alguém batesse na sua porta dizendo
que um de seus pais morreu. Pense em qual seria sua reação se seu pai ou sua
mãe viesse à sua casa pedindo abrigo porque não tem mais nada. E se você
encontrasse um deles dormindo em um banco da praça da matriz?
Pode parecer
exagero, mas essas hipóteses existem, são reais. Uma pessoa que não tem o amor
da família, dos filhos, dos irmãos, é uma pessoa sem estrutura. Pense nessas
situações extremas e tente perdoar. Ao menos tente.
Esse caso da
jovem torcedora do Grêmio que foi flagrada pelas câmeras gritando “macaco” para
o goleiro do Santos já deu o que tinha que dar. Não foi bonito o que ela fez ou
disse. Foi um caso de racismo sim e deve ser punido. Mas a repercussão dada ao
caso foi e está sendo exagerada.
Esse
sensacionalismo todo em torno do assunto é no mínimo irresponsável. Só o fato
de ter sido flagrada em rede nacional já foi vergonha suficiente para ela.
Ainda assim ela perdeu o emprego, teve a casa apedrejada e está sob proteção da
polícia porque corre o risco de ser linchada ao colocar o nariz na rua. A vida
dessa guria nunca mais vai ser a mesma. Ela com certeza já se deu conta da
cagada que fez e com mais certeza ainda nunca mais vai chamar negro de macaco, gay
de veado e por aí vai.
Milhares de
pessoas estavam no estádio naquele dia. Milhares de pessoas entoaram cantos
preconceituosos em uma só voz, muitas vezes sem nem se dar conta do que estavam
falando. As crianças aprendem os “hinos” da torcida desde pequenas e não tem
noção do que significam muitas das palavras que aprendem a falar. Quem já foi
assistir partidas no estádio sabe que isso acontece. Não justifica, mas... Que
atire a primeira pedra quem nunca errou.
Tantas coisas
acontecem nos estádios e passam em branco que é no mínimo exagero o que estão
fazendo nesse caso. Quantas mortes durante brigas de torcedores nos estádios
brasileiros já assistimos pela televisão? Quantas vezes a violência foi tema
dos principais noticiários de esportes? O que foi feito nesses casos? Qual foi
a repercussão dada? Não me lembro de ter visto tanto alarde nem da mídia nem da
justiça.
E não estou
minimizando o crime de racismo que a guria cometeu. A única coisa é que me
parece incoerente que ela, uma guria que não agrediu fisicamente ninguém, que
não atirou pedra em ninguém, que não acertou nenhuma cabeça com barras de
ferro, que não matou, que não representa risco para a sociedade, pague por um
crime com tamanha severidade e seja reprimida de maneira tão estúpida pela
sociedade enquanto outros torcedores criminosos muito mais perigosos, que já
mataram, machucaram e deixaram outras pessoas inconscientes ficaram livres e
passaram ilesos pelos julgamentos (quando foram julgados).
Sim, alguém
tem que dar o exemplo, eu entendo. Acho lindo que o Rio Grande do Sul resolva
fazer isso. Mas vamos combinar, isso dificilmente vai resolver o problema. Prender a garota não vai resolver. Os casos de
racismo dentro e fora dos estádios vão continuar existindo, sabe porque? Porque
isso é um problema de educação básica, aquela que se aprende em casa. É muito
maior do que isso.
Quando os
pais olham um negro, um gay, um mendigo, um drogado, um cachorro vira lata e
fazem comentários, viram o rosto ou exercitam aquela cara de nojo guardada para
as piores coisas existentes no mundo, a criança entende que aquilo ali (seja o
que for) não merece um pingo de respeito, amor, caridade, dó ou gentileza. Tá
feita a merda. Daí pra frente, é só incitar um pouquinho e pronto - um passo
para a violência.
Se você quer
realmente ajudar a acabar com o preconceito no mundo, comece mudando o seu
comportamento. Olhe pra dentro de si mesmo e veja quantas vezes você teve
reações preconceituosas com relação a seja lá o que for. Depois que você mudar
isso, depois que fizer a sua parte passando isso pros seus filhos, aí sim poderemos
discutir casos como esse sem ser ofuscados pelo sensacionalismo das pessoas, da
mídia e da justiça. Antes disso, somos todos iguais. Não apedreje o teto do
outro porque o seu também é de vidro.
Ontem o
Brasil perdeu mais uma Copa do Mundo de futebol.
Mas não era
qualquer Copa, era a Copa no Brasil. E também não foi qualquer derrota, foi uma
goleada de 7x1 para a Alemanha, a provável campeã do mundo.
Foi triste,
foi decepcionante, foi irritante ver o time do Brasil apagado em campo. Foi uma
tragédia.
Ninguém imaginou (nem no pior dos pessimismos) que o placar seria tão
vergonhoso, mas aconteceu. Acontece. No esporte acontece, na vida acontece...
Quem nunca perdeu e ficou com vontade de dar uma de avestruz e enterrar a cara
na terra de tanta vergonha que atire a primeira pedra.
E como teve
gente que fez isso... Muita zoação nas redes sociais (confesso que me diverti bastante com algumas), muita revolta, muitas
palavras ofensivas, muitas críticas.
Mas o que me
deixou mais “de cara” foi ver os narradores e comentaristas de futebol que
antes da partida estavam idolatrando jogadores e comissão técnica começarem a
abrir a torneirinha de asneiras depois do jogo.
É muito
fácil criticar alguém quando não é você que está passando por aquele momento. É
fácil julgar e dizer que teria dado certo assim ou assado. OIEEE!!! Quem é que
sabe disso rapaz? Por acaso tem segunda chance na vida pra tentar de novo?
E não venha
me dizer que eles não estão nem aí, que já ganharam dinheiro suficiente para
estar lá e que depois do jogo vão embora para suas mansões tranquilamente. Pode
até ser verdade, mas eu sei e você sabe que uma vergonha assim, vista por uma
das maiores audiências de todas as Copas do Mundo não se esquece fácil assim.
Eu fiquei
triste sim. Como todo brasileiro queria ver meu país hexa campeão do mundo e
festejar como em 1994 e em 2002. Com certeza não queria ver os jogadores que
deram tudo de si durante os 90 minutos dentro do campo (mesmo que o tudo de
alguns seja tão pouco) chorando feito crianças de tanta vergonha.
Mas não é
por isso que vou queimar as minhas bandeiras, deixar de cantar o hino nacional,
mentir por aí que sou estrangeira ou rechaçar um dos nossos jogadores na rua.
Continuo sendo
brasileira com muito orgulho do meu país e do povo ao qual faço parte.
Futebol é
futebol, ponto final. Perdeu, aceita. A vida segue.
“Almoço de família em restaurante. Cinco pessoas, pai, mãe,
dois filhos adolescentes e um bebê. Os filhos pegam seus celulares, colocam os
fones de ouvido e se desligam daquele momento. O pai, muito preocupado com o
trabalho, pega o celular só para dar uma conferida nos e-mails e já não presta
mais atenção nos assuntos da mulher que, percebendo o descaso do marido, pega o
tablet e tira fotos do bebê para compartilhar na internet com as amigas.”
É triste, eu sei. Mas essa é uma cena real que presenciei
esses dias em um restaurante. Meia dúzia de palavras trocadas durante duas
horas de almoço. A soberania dos celulares e redes sociais mal conseguiu ser
interrompida pela chegada do almoço à mesa.
Sinceramente? Eu acho que o nosso tempo está carente de
contato. Falta pegar na mão, falta dar atenção, falta olho no olho, falta
cumplicidade. Falta aproveitar o momento. Falta ouvir.
As redes sociais fizeram com que todos nós fossemos
escutados e vistos por todos. Será? Há quanto tempo não conversamos pessoalmente
com nossos amigos de infância? Há quanto tempo não separamos um tempo para
conversar sobre coisas aleatórias, sem importância nenhuma com nossos
familiares e amigos?
Sem condenação àqueles que passam muito tempo conectados,
mas tudo na vida precisa de equilíbrio. Não se esqueça que se você realmente
precisar chorar as mágoas da vida que virão pela frente, é muito mais
confortável fazer isso nos ombros de um bom amigo do que na frente do
computador.
Sim, fico
indignada. Indignada não por pagar caro pelo transporte público, mas por pagar
caro e ter um transporte de péssima qualidade.
Já pegou o
T11, o T3 ou o T4 em horário de pico? E o Restinga? Sabe lata de sardinha? Sobra
espaço perto do ônibus lotado às 18h.
Demora, é
apertado, sem ar condicionado, pessoas impacientes, cansadas, suadas... Às
vezes me fazem lembrar as histórias dos navios negreiros, onde milhares de
pessoas eram jogadas nos porões sem condição nenhuma.
É uma
vergonha ter que esperar mais de 45 minutos para pegar um ônibus porque os que
vieram antes não tinham condições de abrir as portas. É uma vergonha não
existir um sistema que diga quanto tempo o seu ônibus vai demorar pra chegar. É
uma vergonha imensa o ônibus que eu pego pra casa ter que fazer dois desvios,
se atrasando mais 15 minutos por causa de obras que se arrastam há tempos e não
tem previsões reais de finalização. É uma vergonha as paradas de ônibus
espalhadas pela cidade não exibirem um painel com as linhas que passam por ali
e para onde vão.
É impossível
não sentir saudades de Londres... É claro que não dá pra comparar. Os
britânicos andam anos luz na frente de nós nessa questão. Mas mesmo assim, a
saudade bate forte. Pagava caro pelo passe livre mensal no Oyster Card (120 libras,
cerca de 480 reais), mas ia para onde queria, a hora que queria, sem me
preocupar com quantas moedas eu tinha no bolso ou se ia pagar duas, cinco ou 10
passagens no mesmo dia. Além disso, em todas as estações tinham o mapa com
todas as linhas do metrô e um painel dizendo qual era e quanto tempo levaria
para chegar o próximo trem. Ai que saudade...
Eu pagaria o
que fosse para ter um transporte de qualidade, sem muitos atrasos, sem
superlotação dos ônibus... Um transporte digno. Mas do jeito que está, me
desculpem os responsáveis pela bagunça que é nosso transporte, não dá. É
revoltante sim ter que pagar R$ 2,95 para ter um transporte desse nível.
Se você não concorda, experimenta pegar um dos ônibus que citei acima lá pelas 18h e depois a gente conversa, ok?!?!
Ontem, enquanto esperei por 50 minutos um ônibus que
demoraria mais 50 minutos para chegar em casa, presenciei uma situação que até
agora me deixa chocada pelo comportamento medíocre das pessoas.
“O motorista do ônibus
abre a porta de trás e, mesmo com a parada lotada de gente esperando, não abre
a porta dianteira. O fato é que o ônibus já estava cheio o suficiente e não
tinha condições de transportar mais ninguém (pelo menos não em segurança).
Mesmo sendo o ônibus que me levaria pra casa, nem pensei em entrar. No entanto,
poucos pensaram como eu e a grande maioria das pessoas resolveu entrar no ônibus
pela porta de trás mesmo, sem um pingo de vergonha na cara por não pagar passagem,
como o fato de estarem ali há muito tempo justificasse.
A cobradora do ônibus,
por sua vez, disse ao motorista que não saísse da parada enquanto as pessoas
que entraram sem pagar descessem. E foi o que ele fez. Não arredou o pé.
Não preciso dizer que os
segundo que se seguiram foram de total desordem, gritaria e bagunça.
Eis que um policial
está chegando à parada quando vê a bagunça, se intera do assunto e pede
educadamente às pessoas que subiram sem pagar que desçam. Depois de muita
discussão, alguns querendo tirar os outros à força de dentro do ônibus e outros
querendo chamar a polícia, algumas das muitas pessoas que subiram sem pagar resolvem
descer, o ônibus fecha a porta e vai embora.
Um dos cheios de razão
que desceu muito a contragosto (um senhor de idade, diga-se de passagem) gritava
pros quatro ventos: o gaúcho é mesmo muito tranquilo. Se fosse no Rio ou em São
Paulo, já tinham colocado fogo nesse troço!
A fila de ônibus atrasados
por causa dessa bagunça toda já somava mais de 10. Logo atrás vieram mais quatro
da mesma linha. Peguei o último e fui sentada até minha casa.”
Desculpa aí moço ignorante. Mas o que o senhor chama de tranquilidade,
eu chamo de educação. Não é porque você está esperando há muito tempo uma
porcaria de ônibus que isso te dá o direito de entrar sem pagar. Existem
pessoas que vão sofrer as conseqüências dos seus atos, pessoas que vão pagar
por você, pessoas que trabalham.
O senhor e mais todo mundo que estava naquela parada estavam
esperando há muito tempo, assim como eu. A decisão é sua de pegar o ônibus cheio
ou esperar o próximo. Tem gente que perdeu aula, tem gente que perdeu prova,
tem gente que não chegou na hora pra buscar o filho na creche e nem por isso
saiu por aí revoltado, querendo entrar no ônibus sem pagar ou colocar fogo nele.
Educação sempre em primeiro lugar. O fato do transporte em
Porto Alegre estar um caos, não justifica atitudes medíocres como essa.
Pode parecer
mentira, mas olho as notícias, as fofocas, as novidades dos amigos, as frases
engraçadas, lindas ou criativas de algumas páginas e continuo sem vontade de
postar uma palavra sequer.
E não é por
falta de assunto. Minha vida anda bem agitada... É só porque eu não gosto nem
nunca gostei de exposição.
Lembro
quando trabalhava na TV e as pessoas se debatiam pra ficar na frente da câmera,
arrumavam cabelo, colocavam perfume, escolhiam o melhor ângulo... E eu ali,
atrás, com o microfone na mão fazendo perguntas. Detestava essa vontade de se
expor de graça (ou pagando, dependendo do caso).
Com o
facebook é a mesma coisa... As pessoas disputam a melhor foto, fazem check-in
em qualquer lugar, postam cada momento da vida. Ok, não são todos, mas uma boa
parcela...
Hoje eu quis
gritar pra todo mundo ouvir o quanto eu me sinto angustiada e triste e o quanto
esse sentimento é ambíguo dentro de mim porque acaba de acontecer uma coisa
maravilhosa e uma outra terrível. Quase escrevi no facebook pra desabafar. Não
consegui. Nem todos os meus mais de 600 “amigos” merecem saber o que se passa e
mais da metade deles não daria a menor importância. Muitos curtiriam, alguns
comentariam e dois ou três (e olhe lá!) me ligariam pra saber o que aconteceu.
Apaguei cada
palavra que tinha escrito, abri a janela do quarto e gritei o mais alto que
pude!
Tô cansada
de gente chata que diz que tem personalidade. Personalidade forte pra mim é
sinônimo de inflexibilidade e muita, muita chatice.
As pessoas
tem sim que saber o que querem e do que gostam, tem que saber expor as suas
ideias e falar o que pensam, mas tudo isso tem jeito e limite. Se você não
gosta de pagode ou funk, por exemplo, não precisa dizer que são uma droga.
Basta dizer que não gosta. Mas e se você está em uma festa e começa a tocar um
pagodão ou um funk daqueles tipo “pre-pa-ra”, o que você faz? Vai embora
indignado ou fica porque, afinal de contas, você não vai morrer se ouvir um
pouco daquela música não é?
Se você está
com 10 amigos, todos querem ir almoçar em uma churrascaria no domingo e você
está de dieta e não quer sair da linha, o que faz? Tenta fazer todo mundo mudar
de ideia, vai embora emburrada ou abre uma exceção e acompanha a galera?
O problema
dessa tal personalidade é que as pessoas ficaram mal educadas e chatas. Falam o
que querem, expõe os seus gostos e (pior) diminuem aquilo que não for do seu
agrado.
Eu acredito
que tudo na vida deve ser falado, conversado, discutido. Não podemos guardar
nada dentro da gente, colocar pra fora os sentimentos, dividir com os outros só
nos faz bem. Diminui o peso que carregamos nas costas. Mas sempre existe o
momento e o jeito certo de falar as coisas. Não que você não possa falar o que
quer, quando quer, pra quem quiser e do jeito que quiser, mas se for assim, a
resposta seguirá a mesma lógica e talvez você não goste do que vai ouvir.
Ter
personalidade não significa que você precisa necessariamente amar uma coisa e
odiar outra, significa que você sabe o que te agrada, respeita a opinião dos
outros e está disposto a abrir exceções em nome da boa convivência.
Vai que numa
dessas você aprende que funk e pagode tem o seu lado legal e que churrasco
apesar de acabar com a dieta é uma das refeições mais gostosas do mundo?
Surpresas da vida... Abra seu coração pra elas!
Esses dias
um grande amigo me veio com essa: existem dois tipos de namorada, a de inverno
e a de verão.
Eu me
recusaria a explicar o porquê da distinção, mas como ninguém é obrigado a entender,
aí vai: a namorada de inverno é a gordinha, a de verão a gostosa.
Desde que
ouvi isso não consegui parar de pensar no quão estúpida, fútil e superficial é
essa distinção.
Me irrita o
jeito como as pessoas etiquetam umas às outras sem ao menos conhecer a
criatura. Estão aí aplicativos revolucionários como o Tinder e o Lulu que nada
mais são do que simples vitrines onde você “compra” se o produto agrada os
olhos.
Não vou
falar sobre como esses padrões de beleza me irritam ou repetir máximas como
“quem vê cara não vê coração”. O que eu quero com esse post é propor uma
reflexão sobre o que faz uma mulher ser realmente bonita, atraente, especial.
Eu descobri
que o homem tem um papel muitíssimo importante na beleza da mulher que está ao
seu lado. Sim, nós mulheres temos zilhões de hormônios que quando não estão em
perfeita harmonia desregulam tudo dentro do nosso corpitcho e o resultado quase
sempre, são alguns quilinhos que insistem em ir e vir mas nunca nos abandonam.
Agora você
pergunta: o que os homens têm a ver com isso?
Simples. O
que faz uma mulher realmente bonita é a confiança. Uma mulher confiante não se
importa com os números da balança ou com o tamanho do manequim, ela é linda do
jeito que é. E o papel do homem é justamente, encher a mulher de confiança!
Homens amados do meu coração, alimentem o ego da mulher que vocês têm ao lado e descobrirão que não importa a estação, o peso ou o tamanho do biquíni que ela veste, ela vai ser dona de uma beleza incrível e incapaz de se esvair com o tempo!
Passamos a vida inteira ouvindo nossos pais dizerem que o que nos faz independentes é o dinheiro. Que é ele que nos dá a tão sonhada liberdade de ir e vir, de fazer o que bem entendermos.
Sinto dizer, mas essa não é uma verdade absoluta.
O dinheiro faz parte sim da conquista da independência, mas não é só isso que basta para dizer se somos independentes ou não.
Se eu perguntar quanto tempo você consegue ficar em casa desfrutando da sua própria companhia, qual seria a resposta? Uma hora, duas, 40 minutos? Ah sim, detalhe básico... Sem acessar redes sociais (porque elas são ótimas para passar o tempo sem fazer com que nos sintamos sós).
A verdade é que somos criados e treinados para nos tornarmos independentes financeiramente e quando chegamos a esse objetivo, nos vemos ali, com casa, carro, comida, roupas de marca e ainda assim, não conseguimos ficar satisfeitos. Falta alguma coisa.
Muitas pessoas que moram sozinhas se sentem perdidas quando saem do trabalho e precisam ir para casa. É só começar a chegar a hora de sair que já vem aquela pergunta: “O que vamos fazer hoje?”. Inventam programas, happy hours, festas, mil desculpas para tardar ainda mais a hora de ir pra casa.
O lar doce lar deixou de ser doce e virou motivo de angústia para muitos. A solidão das quatro paredes tornou-se um monstro.
A independência emocional é algo que se conquista a duras penas. Não é tarefa fácil curtir a solidão. Mas é exatamente nesses momentos que a gente se conhece realmente, é obrigado a descobrir se quer comer arroz e feijão ou uma boa macarronada, se prefere ir dar um passeio no parque ou fazer compras na feira, se vai cozinhar no domingo, sair pra almoçar ou ainda pedir um cachorro quente, se o passeio do feriado vai ser um museu ou o cinema.
É quando estamos sozinhos e precisamos tomar essas pequenas decisões que construímos a nossa personalidade, nos tornamos independentes emocionalmente.
As novas gerações, a nossa geração, precisa aprender a se curtir mais, deixar de lado o computador, o celular, o tablete, as redes sociais e aprender que para ser feliz não precisamos de nada disso. Quem consegue passar o tempo sozinho e não se sentir desesperado, perdido ou inútil, está de parabéns!
É o primeiro caminho para um futuro mais feliz e menos acelerado pela quantidade de informações que recebemos diariamente e que estão cada vez mais ao alcance das nossas mãos. É o primeiro caminho para a independência emocional, e porque não dizer digital?!?
É impossível visitar ou morar em uma cidade diferente e não fazer comparações. Aliás, essa é a coisa mais gostosa de conhecer outro lugar, perceber as pequenas e grandes diferenças que podem haver entre culturas.
Curitiba e Porto Alegre, embora sejam cidade próximas (600 km aproximadamente), são muito diferentes culturalmente.
Não vou citar todas porque são muitas, mas algumas, valem a pena ser destacadas...
- Gastronomia: em Curitiba a gastronomia é super desenvolvida (comparando a Porto Alegre). A começar pela decoração. Em qualquer barzinho, boteco ou restaurante vê-se que o ambiente foi pensado em cada detalhe, desde as cores, objetos, móveis, enfim... Outro diferencial é o conceito. Cada lugar tem o seu conceito seja uma padaria que só faz pães artesanais, não utiliza farinha branca em nenhuma das receitas e só abre das 16h às 20h ou um café totalmente inspirado em New York que te transporta ao ambiente e serve o melhor cheesecake que já comi na vida. Fato: os curitibanos sabem comer bem e tem muitas opções maravilhosas para quem quer fazer uma orgia gastronômica. De fato, toda essa experiência tem um custo. O preço, comparando, é mais alto. O atendimento também muitas vezes deixou a desejar.
- Vocabulário: pra mim, essa é a parte mais divertida quando viajamos pelo Brasil! Ouvir alguém dizer que vai descascar uma mimosa te faz pensar em que?? Com certeza não é em bergamota ou tangerina. Aqui no sul, o semáforo é sinaleira, lá vira homem e se chama sinaleiro. A padaria fica chique e vira panificadora. Uma torrada de cacetinho com presunto e queijo vira um prensado de pão francês com queijo e presunto. Lomba é uma coisa que não existe e o viaduto pra eles se chama elevado. Sabe pão de sanduíche?? Lá é broa. Broa pra mim é aquela de polvilho, mas tudo bem... Mas o mais esquisito é o penal. Sério!! Penal é estojo. Aquele de guardar lápis, borracha e caneta sabe? Quando me falaram “pega o penal”, fiquei com aquela cara de quem acaba de ouvir um alemão falando.
- Pessoas: existe um senso comum de que o curitibano é mais individualista, fechado, antipático, curitiboca, como eles dizem. Adoraria dizer que não é verdade, mas infelizmente, a imensa maioria deles é assim. É claro que cruzei com algumas exceções, pessoas ótimas, comunicativas, faladoras, mas no geral... Uma das minhas maiores crises em Curitiba, foi quando, depois de um mês morando no mesmo prédio, me dei conta que os porteiros sequer me davam bom dia, boa noite, boa tarde. Nem um oizinho, um resmungo que fosse pra responder ao meu cumprimento. Sabe aquela coisa básica de sorrir ou acenar para o vizinho quando encontra no hall do condomínio? Não existe. É triste, mas é verdade. E os próprios curitibanos sabem e comentam o assunto. Esse vídeo exemplifica exatamente o que eu quero dizer...
- Trânsito: esse é um tópico que me chocou. O trânsito de Curitiba é extremamente mais organizado do que em Porto Alegre. Parar em um cruzamento, nunca! Respeitam os sinais, as preferenciais... Mas como nem tudo são flores... É só ver um pedestre atravessando a rua que eles já começam a acelerar, como se fosse divertido ver a pobre criatura dar aquela corridinha tosca e desesperada pra chegar do outro lado da rua. E como dirigem rápido e grudados na bunda do carro da frente. Perdi a conta de quantas batidas vi pela rua. Coisas bobas que viram acidentes feios e poderiam ser evitados se não andassem tão perto um do outro.
Curitiba vai deixar saudade, principalmente pela experiência e pelas pessoas que conheci e que fizeram parte da minha rotina curitibana e fizeram com que eu me sentisse, nem que fosse um pouquinho, em casa. Não posso negar que voltei um pouco curitiboca também. É impossível visitar a cidade e voltar sem trazer um pouco dela dentro de mim.
Não há mais o que dizer! Durante a jornada mundial da
juventude ele deu muito mais do que as declarações que todos esperavam, ele deu
exemplos. Um homem santo, um homem simples. Anel de ouro, carro importado, papa-móvel
blindado, apartamento de luxo, sapatos vermelhos, milhares de seguranças e
roupas bordadas com fios de ouro foram substituídos pela mais pura simplicidade
e pelo contato direto com o povo. É o mínimo que se espera de uma pessoa tão importante e tão
influente como o Papa.
O fato é que nosso Papa (sim, Francisco ganhou a honra de
ser considerado nosso) falou o que muitos católicos não praticantes como eu esperavam
ouvir. A igreja precisa de reformas!
Confesso que ouvindo os discursos do Papa me deu vontade de
me juntar aos três milhões e meio de pessoas que lotaram a praia de Copacabana
no domingo.
Há muitos anos não vou à igreja regularmente. Não me
considero menos crente ou menos católica por causa disso. Não rezo todas as
noites mas sempre que o faço, faço de coração, peço e agradeço por tudo que
tenho. Não lembro Dele só nas dificuldades. Tenho minha consciência tranquila. Abandonei
a Igreja porque não concordo com muitas coisas enraizadas não só nos
religiosos, mas nas pessoas que a frequentam.
Não concordo com o fato de minha mãe não poder fazer a
comunhão porque é separada. Ela não é menos católica do que muitas pessoas que
estão ali na missa, ela só fez o que era melhor pra vida dela. Isso é errado?
Deus a condena por isso? Não creio.
Também não concordo algumas coisas que hoje são consideradas
pecado como o uso da pílula anticoncepcional, o sexo antes do casamento, a
homossexualidade. Espero de coração que esses e outros tópicos façam parte da
pauta de modernização do pensamento da igreja.
Mas o que mais me incomoda são as próprias pessoas. A
política do “faça o que eu digo não faça o que eu faço” impera. Muitas delas não
colocam em prática no dia a dia os mandamentos divinos mas, pelo simples fato
de irem à missa todos os domingos se acham mais fiéis do que os outros. Conheço
muitos católicos assim mas sei que não são todos, ok?
A cada ano que passa a igreja católica fica mais fraca,
atrai cada vez menos fiéis e é colocada em cheque a cada escândalo envolvendo
os homens de batina. Mas essa evasão não é culpa somente dos escândalos, vem da
raiz dos pensamentos e/ou mandamentos católicos que pararam no tempo. Quando
não se dá assistência, quando se proíbe isso ou aquilo, quando não se acompanha
os tempos modernos, as pessoas procuram a palavra de Deus em outras fontes.
O meu desejo sincero é que com o novo Papa e a reforma da
igreja os jovens (principalmente) voltem à igreja, voltem a acreditar em Deus,
busquem a palavra de deus como orientação, voltem a ter fé. Eu sinto falta
disso. É preciso acreditar em alguma coisa, é preciso ter fé para superar
dificuldades e desafios e seguir adiante.
Nessa última semana, nosso país foi marcado por manifestações
violentas que mais retratavam uma guerra do que os pacíficos protestos que
realmente tinham a intenção de ser. Guerra no Brasil?? Um país tão pacífico,
tão festeiro, com um povo tão alegre e feliz? Sim!
A banda foi pra rua e o coro gritou “O POVO ACORDOU!”. E
acordou mesmo. Está provando para os políticos corruptos e incompetentes do
nosso país que não é só cumprir à risca a política do pão e circo pro povo
calar a boca. Não basta mais colocar futebol e mulher pelada na TV pro povo
deixar a safadeza rolar solta no congresso.
Se enganou quem achou que trazer a copa do mundo para o
Brasil era a grande oportunidade de fechar negócios e “resolver” problemas que
se arrastam há anos já que o povo estaria distraído com os jogos.
A Copa das Confederações mal começou e nós, o povo, estamos
mostrando que temos voz e que vamos sim falar e falar alto! Demorou mas
aprendemos que a nossa arma é maior, a nossa voz fala mais alto.
Uma pena que em meio a protestantes pacíficos existam
pessoas cujo único objetivo é manchar a legitimidade do processo e fazer
baderna e bagunça. Mas nós não vamos deixar que esses poucos falem por nós.
Quem vandaliza não nos representa!
Vandalismo? Não! Violência? Também não! Nem do povo nem da
polícia.
A reportagem abaixo é da Folha e mostra uma visão clara do
que foram os protestos. Das muitas que li e vi nessa semana, é, sem dúvida, uma
das melhores. Minha alma jornalística não me deixa parar de pensar se o
posicionamento da empresa seria o mesmo se uma jornalista da equipe que cobria
o protesto não tivesse sido atingida no olho por uma bala de borracha.
Nós, imprensa, temos o dever de relatar o que aconteceu
nesse campo de guerra que viraram as avenidas de São Paulo na última
quinta-feira. Nós, povo, temos a obrigação de não desistir de lutar pelos nosso
direitos e contra o que acreditamos que está errado.
O povo deixou de ser bobo. Graças à internet, não
acreditamos piamente no que nos é transmitido pelas grandes emissoras de TV.
Corremos atrás da informação, checamos e discutimos as ideias. Chega de
jornalismo direcionado para a ignorância do povo. O povo reclama!
Sim! Nós queremos mais educação, escolas, saúde de qualidade
e segurança. Não precisamos de mais estádios pagos com o nosso dinheiro que
certamente vão se transformar em gigantescos elefantes brancos depois da Copa.
De quem vai ser o problema depois que as lentes internacionais não estiverem
mais voltadas pra nós?
Deixamos o “deitado eternamente em berço esplêndido” e
adotamos o “verás que um filho teu não foge à luta”. Vamos defender o nosso
país dessa minoria que nos domina. Porque o povo quando se junta tem força
maior que a de um exército. Não existem balas suficientes para ferir toda a
nação.
Detesto admitir meus erros, mas dizem que esse é um dos
caminhos para acertar, então...
Muitas vezes eu não vejo as pessoas invisíveis... Essa frase
pode parecer ridícula num primeiro momento, mas vou tentar explicar.
Pra começar, vamos definir quem são as pessoas invisíveis.
São aquelas que andam maltrapilhas pelas ruas da cidade, muitas vezes sem rumo,
pedindo dinheiro, comida ou o que quer que a sua caridade possa dar. São
pessoas que não tiveram oportunidades ou que as tiveram mas não conseguiram
aproveitar da melhor maneira. Aos poucos, elas vestem o manto da
invisibilidade. A sociedade passa a (fingir) não enxergá-las.
Me deparei com esse assunto dias atrás, quando estacionamos
o carro em frente ao prédio que moro e percebemos à frente um homem, já
conhecido nas redondezas por ficar vagando dia e noite, atirado no chão. Mais
atrás vinha um grupo com dois casais que deviam ter entre 50 e 60 anos. Quando
as duas mulheres avistaram o homem atirado no caminho, atravessaram na mesma
hora. Nos olhos elas carregavam desprezo e medo.
Descemos do carro e não mudamos o nosso trajeto por causa do
homem. Lucas, que sempre conversa com ele e dá algumas moedas embora eu sempre
diga que ele vai gastar tudo em drogas e bebidas, parou e perguntou o que tinha
acontecido ao homem estirado no chão. Quando vi os olhos dele, completamente
vidrados, e ouvi ele dizer que aquilo estava machucando ele, senti um misto de
pena, tristeza, impotência e uma vontade louca de chorar e abraçar aquele
homem.
Mas o sentimento que mais doeu em mim e sou obrigada a
reconhecer isso, foi a vergonha. Quantas vezes eu tive medo dele? Quantas vezes
eu passei por uma pessoa em situação semelhante e fingi que não via? Quantas
vezes eu ignorei o mendigo que pede esmola no sinal? Quantas vezes o medo, o
nojo, o desprezo e a pena estavam nos meus olhos? Quantas vezes pensei em
ajudar e não fiz isso? Quantas vezes eu podia ter estendido a mão e não o fiz?
Eu sei que a violência existe e não é pouca. Mas será que se
a gente parar para ajudar, dar a mão, uma palavra que seja, essa pessoa não vai
se dar conta que não somos indiferentes? Será?
O homem levantou com as moedas de Lucas nas mãos e saiu
caminhando.
Uma pernambucana de 40 anos, que fala cinco idiomas (CINCO)
e é formada em contabilidade, foi
descoberta fazendo faxina no Mercado Central de Belo Horizonte. Pode?! Ela, que
morou sete anos na Holanda e ficou desempregada durante oito meses aqui no
Brasil, disse que omitiu algumas informações no currículo para conseguir a vaga
de faxineira.
“Eu preenchi a ficha,
mas menti as informações, por medo. Falei que tinha só a 8ª série, que tinha
básico de contabilidade, que tinha feito um curso.”
Pode isso?? Que país é esse em que a pessoa se vê obrigada a
tomar atitudes como essas para conseguir um emprego?
Já parou pra dar uma olhadinha nos classificados? Para
qualquer vaga, eu disse qualquer vaga, é preciso ter o ensino médio completo. Desde
frentista de posto de gasolina e gari até arrumadeira e faxineira. Ok. Mas se
aparece alguém com inglês fluente, formada em sei-lá-o-que e o empregador não
aceita porque é muito qualificado.
A pessoa ter que omitir coisas que não se pode esconder por
muito tempo porque se disser a verdade é capaz de ouvir algo do tipo: “Você é
muito qualificada para esse cargo”. A pessoa quer trabalhar, ela sabe que é
qualificada para fazer mais, mas não consegue uma vaga a sua altura, então ela
aceita a realidade, fica na fila do emprego por horas e na hora de entregar o
currículo, decide mentir (ou omitir que dá na mesma).
Esses valores confusos que só funcionam quando é conveniente
para alguém me dão nos nervos.
Na reportagem a
moça conta toda a sua história e hoje foi “promovida” a agente de turismo
e recebe os gringos que passam pelo Mercado.
É por essas e outras que eu sou um pouco contra os métodos
que se aplicam em entrevistas de emprego onde ganha quem estiver mais calmo e
souber dizer exatamente aquilo que o entrevistador está querendo ouvir. Mas
isso fica pra outro post.
Ah... Vale lembrar que existe um projeto de lei que diz que mentir sobre o currículo é crime. Mas será que o projeto também prevê punição para quem omite alguns tópicos? Nossa amiga que se cuide né... Numa dessas pode até responder processo...
Você já parou para pensar como as outras pessoas te veem? Eu
sei que escutamos desde sempre que não devemos nos importar com o que os outros
pensam de nós, mas aqui, a proposta é outra.
A Dove lançou a algumas mulheres o seguinte desafio,
descrever como elas se veem fisicamente a um desenhista profissional do FBI,
especialista em retratos falados. O resultado foi o vídeo surpreendente que
está aqui em baixo.
O fato é que nós, mulheres, somos muito críticas com nós
mesmas, com a nossa aparência, com as nossas rugas e linhas de expressão.
Muitas vezes só percebemos o que não gostamos em nós e quando alguém pergunta o
que é mais bonito no nosso rosto, por exemplo, demoramos muito tempo para
responder.
O mais legal do vídeo é ver a reação dessas mulheres quando
são colocadas frente a frente com duas descrições de si mesmas, a que elas
fizeram e a que uma terceira pessoa fez. Em todos os casos o retrato descrito
por outro foi mais bonito, mais leve, mais simpático. É a prova de que somos
muito duras com nós mesmas e um sinal de que está na hora de dar ouvidos aos
outros (pelo menos nesse aspecto) e começar a ver a nossa verdadeira beleza,
não só os nossos defeitos.
Diga pelo menos uma vez ao dia que você é linda e, acima de
tudo, acredite e aceite quando as pessoas te elogiam. Exercite a autoconfiança.
Se você não se achar bonita, quem vai ser capaz de ver a sua beleza?
Sempre que colocamos os pés em uma loja de departamentos, a
primeira coisa que acontece é alguém nos abordar para oferecer os milagrosos
“cartões da loja”.
Nessa situação, já chegaram em mim das mais diversas
maneiras...
Já levei susto de vendedores que saíram correndo na minha
direção como se eu fosse um bote salva vidas do Titanic, já fui coagida por uma
vendedora que tinha duas vezes o meu tamanho, voz grossa e olhar amedrontador,
já senti pena de outra que foi super sincera dizendo que só faltava um cartão
para que ela atingisse a meta do mês e já fui recebida com um sorriso agradável
seguido de uma reação normal diante da minha recusa em fazer o cartão.
Não importa se você está só dando uma “olhadinha” básica ou
se vai realmente comprar alguma coisa, ninguém passa batido pelos oferecedores
de cartão.
Me pergunto porque raios os comerciantes obrigam essas
pessoas a se tornarem pessoas chatas. Sim, porque me recuso a acreditar que
alguém escolha ficar ali o dia todo incomodando os outros e, muitas vezes
ouvindo não e agüentando cara feia dos estranhos que passam.
Eis que dia desses, quando finalmente resolvi fazer o cartão
de uma dessas lojas, entro no local olhando para todos os vendedores com um
sorriso no rosto que dizia: “Vem, pode me perguntar que hoje vou fazer o meu
cartão!”.
Por incrível que pareça, NENHUM deles veio até mim, nem um
sequer se aproximou de mim. Eu estava praticamente sozinha dentro da loja (eram
11h), atravessei o local duas vezes, disfarçando, e ninguém me perguntou se eu
queria fazer o maldito cartão!!
Engoli a seco meu tão ensaiado SIM e saí da loja
decepcionada.
O sistema obriga as pessoas a serem chatas e
basta não ter um supervisor de chatice por perto que elas voltam ao normal...