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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Voa voa passarinha...

Vai lindinha, voa sozinha!

Vai ver como o mundo é grande e lindo por aí afora. Se aventura. Vive tudo que der intensamente. Aproveita cada segundo do teu primeiro vôo solo.

Não te preocupa que estamos aqui te esperando e prontos pra voar do teu lado caso precises. Se não precisar (tomara que não precise), estaremos aqui no ninho te esperando de braços abertos.

Quando a saudade bater (e ela vai bater), lembra que passa logo e que quando passar, tu vai morrer de saudades desse tempo. Por isso, faz tudo que der vontade que é pra não se arrepender depois.

Que teu vôo seja lindo, cheio de luz no caminho e pessoas legais pra dividir esse momento pelo trajeto longo que vais percorrer.


Te amo passarinha!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

2,95, Ooi??

Pois é, aumento de passagem...

Sim, fico indignada. Indignada não por pagar caro pelo transporte público, mas por pagar caro e ter um transporte de péssima qualidade.

Já pegou o T11, o T3 ou o T4 em horário de pico? E o Restinga? Sabe lata de sardinha? Sobra espaço perto do ônibus lotado às 18h.

Demora, é apertado, sem ar condicionado, pessoas impacientes, cansadas, suadas... Às vezes me fazem lembrar as histórias dos navios negreiros, onde milhares de pessoas eram jogadas nos porões sem condição nenhuma.

É uma vergonha ter que esperar mais de 45 minutos para pegar um ônibus porque os que vieram antes não tinham condições de abrir as portas. É uma vergonha não existir um sistema que diga quanto tempo o seu ônibus vai demorar pra chegar. É uma vergonha imensa o ônibus que eu pego pra casa ter que fazer dois desvios, se atrasando mais 15 minutos por causa de obras que se arrastam há tempos e não tem previsões reais de finalização. É uma vergonha as paradas de ônibus espalhadas pela cidade não exibirem um painel com as linhas que passam por ali e para onde vão.

É impossível não sentir saudades de Londres... É claro que não dá pra comparar. Os britânicos andam anos luz na frente de nós nessa questão. Mas mesmo assim, a saudade bate forte. Pagava caro pelo passe livre mensal no Oyster Card (120 libras, cerca de 480 reais), mas ia para onde queria, a hora que queria, sem me preocupar com quantas moedas eu tinha no bolso ou se ia pagar duas, cinco ou 10 passagens no mesmo dia. Além disso, em todas as estações tinham o mapa com todas as linhas do metrô e um painel dizendo qual era e quanto tempo levaria para chegar o próximo trem. Ai que saudade...

Eu pagaria o que fosse para ter um transporte de qualidade, sem muitos atrasos, sem superlotação dos ônibus... Um transporte digno. Mas do jeito que está, me desculpem os responsáveis pela bagunça que é nosso transporte, não dá. É revoltante sim ter que pagar R$ 2,95 para ter um transporte desse nível.

Se você não concorda, experimenta pegar um dos ônibus que citei acima lá pelas 18h e depois a gente conversa, ok?!?!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um velho amigo secreto

Minha filha, não te preocupa. Não tem problema tu lembrar cada vez menos de mim, não mencionar meu nome há tempos, não lembrar do meu aniversário. Eu continuo te amando e te cuidando do mesmo jeito. Estarei pra sempre aqui, zelando por ti.

Não pensa não que eu não sei das estripulias que tu anda aprontando por aí. Já te falei que beber daquele jeito não leva a nada além de uma grande dor de cabeça no dia seguinte.

Eu conheço o teu namorado de perto. Aliás, eu nem ia te contar, mas os caminhos de vocês terem se cruzado é um pouco por culpa minha. E eu sei que ele cuida bem de ti e que te faz feliz. Isso é o que importa.

Eu estava lá aquele dia. Senti que tu precisava de mim e estava lá, sentado na primeira fila pra te ver brilhar no palco do teatro. Não preciso dizer o quanto meu peito se encheu de orgulho.

Eu sei que tu aprontou bastante com os que te amam. Foi pra Londres, morou em Curitiba, deixou tudo e todos. Sei o quanto tu sofreu com a saudade e sei também que tu amadureceu muito e cresceu com a distância. Não morreu. Voltou. Sejam bem vinda. Aqui é o teu lugar. O mundo te pertence, mas a tua casa é aqui.

Finalmente sossegou num emprego bom né. Pelo menos pelos próximos meses ou até que o vento bata de novo e mude o rumo da tua jornada. Tudo pode acontecer.

Vai minha menina. Tu virou mulher. Acredita em ti, no teu potencial, em tudo que tu é capaz. Não é porque eu não tô aí pra te dizer isso que tu não vai acreditar.

Não esquece que a vida é uma só. Aproveita. Vive. Pensa menos nas coisas que tu quer ter e pensa mais, muito mais naquilo que tu vai te tornar daqui alguns anos.

Aproveita os que ainda estão contigo porque assim como eu, ninguém vive pra sempre. Não quero que tu te arrependa de não ter dito eu te amo ou de ter dado uma patada em quem só queria um pouco de carinho. Presta atenção nisso. Algumas pessoas cruzam o teu caminho pra te ajudar, mesmo que as vezes pareçam chatas, elas estão ali pra isso. Paciência.

Eu sei que agora, sozinha aí no quarto, tu queria conversar comigo. Fala. Eu tô aqui, tu sabe disso. Estarei sempre. E as minhas respostas virão sempre. Fica atenta, porque todos os dias eu me comunico contigo nas pequenas coisas e talvez tu nem perceba.

Te cuida.

Com carinho do teu amigo secreto. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sobre aquarianos e liberdade

Há um tempo atrás eu adorava ler horóscopo. Lia tudo sobre o meu signo, sobre os signos dos meus amigos, da minha família, qualquer um que cruzasse o meu caminho era vítima da minha pequena obsessão. Era só conhecer alguém interessante que eu visitava sites e fazia combinações de signos pra ver se os astros estavam a nosso favor.

Sou aquariana, nascida no dia 12 de fevereiro. Sempre li que aquarianos são pessoas à frente de seu tempo e que o bem que mais apreciam é a liberdade. Com o passar dos anos, pude comprovar na real o quanto isso é verdade.

Não existe coisa mais angustiante pra mim do que viver presa, seja no que for, trabalho, pessoas, lugares, coisas. Me sinto como um passarinho engaiolado que olha o lado de fora e faz planos pro dia que conseguir escapar. A rotina muito rígida é outra coisa que me apavora.

Namorados sempre foram um problema em função disso. Compromissos longos nunca foram meu forte. Muitas exigências e cobranças com pouca liberdade.

A liberdade atrai porque junto com ela vem os desafios, o frio na barriga, a surpresa, a incerteza e a instabilidade.
Eia que cruza o meu caminho um geminiano legítimo, com um gêmeo do bem e um gêmeo do mal que se revezam constantemente e sem aviso prévio. Rotina realmente não é com ele, cada dia é uma emoção diferente, uma surpresa.

Além disso, que já é uma grande coisa, ele me prende quando me solta. Nunca ouvi dele algo que não fosse uma palavra de apoio quando tomei grandes decisões como passar dois meses em Londres sozinha ou morar em Curitiba por tempo indeterminado.

E foi nesses dois momentos que tive certeza que ele é O Cara!

Por mais engraçado que possa parecer, isso também foi o que os astros disseram quando fiz a combinação dos nossos signos.  

Coincidência ou não, essa parceria já dura há três anos e nove meses.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Voltei... De novo!

Hoje faz exatamente um ano que coloquei meus pés de novo em Porto Alegre. Cheguei de Londres!

Lembro da emoção de quando o avião pousou no aeroporto e eu só conseguia pensar em ver os meus novamente. Chorei!
A minha vontade agora é chorar. Lembrar das coisas que se passaram por lá é tão emocionante, parece que vivo tudo mais uma vez.

Hoje, fazendo essa reflexão, fiquei pensando nos lugares que visitei e quais eu visitaria de novo se pudesse...
Acho que um deles seria a Tower of London (Torre de Londres). Poucos lugares conseguiram me transportar para uma época tão específica como esse. Não tem como não se sentir em um feudo da idade média. O ar que se respira ali é diferente, cada pedra tem uma história, cada canto do castelo abrigou reis, rainhas, princesas, prisioneiros, camponeses... Impossível de esquecer.

 
Outro lugar que tem esse poder é a Tower Bridge. Vale subir e ver Londres todinha lá de cima. É uma obra magnífica de engenharia e até eu, que não sou uma grande interessada pelo assunto fiquei boquiaberta ao saber que tudo ainda funciona como antigamente e praticamente com os mesmos sistemas hidráulicos.

 
Para quem se importa com religião e curte (como eu) visitar igrejas e templos sempre que viaja, a Westminster Abbey (Abadia de Westminster) é parada obrigatória. Quando estamos longe de casa e a saudade bate, procurar abrigo em Deus é a melhor saída. Além de ter túmulos de reis, rainhas e personalidades como Isaac Newton e Charles Darwin, o que mais me chamou atenção foi quanto pedem que todos os presentes parem o que estão fazendo, fiquem em silêncio e participem de uma oração. Isso acontece de hora em hora. Foi um dos momentos mais emocionantes pra mim. Sentei em um banco da igreja e fiquei ali, rezando, lembrando, sentindo, pensando.  

 
Londres é uma cidade grande, muito bonita, que mistura o antigo com o novo, que cultiva, preserva e se orgulha da sua história. Os parques de Londres são outro exemplo de preservação, limpeza e beleza. É possível ficar um dia inteiro apreciando as belezas do Hyde Park, por exemplo. Além de ser muito grande e movimentado, é lindo. Lago, animais soltos, pessoas andando de bicicleta, patinete (sim, lá o patinete é um meio de transporte comum para pequenas distâncias) ou a cavalo. Mas a minha paixão foram os esquilos. Eles são fofos, não tem medo de gente e chegam bem pertinho se você tiver qualquer coisa de comer nas mãos.


E além de tudo isso, o que ficou pra mim, foi a experiência e as amizades que fiz por lá. Uma delas, talvez a mais importante, é com a suíça Christa. Como é incrível o poder que as circunstâncias tem de unir as pessoas. Passeamos muito juntas, nos divertimos pra caramba, ficamos amigas de verdade e choramos feito duas crianças na hora da despedida.


Hoje, fica a saudade de tudo isso, da cidade, da experiência, dos sufocos, da minha amiga, da liberdade...
Valeu! Um ano depois de ter voltado, eu posso dizer que faria tudo de novo, exatamente igualzinho. Agora, só posso dizer uma coisa: “Londres, um dia a gente se vê de novo!”

terça-feira, 26 de março de 2013

Presentão hein?!

T3 às 18h10
No dia em que a capital gaúcha completa 241 anos, nós, cidadãos ganhamos um belo presente. A passagem aumentou em Porto Alegre. Vinte centavos. Pode não parecer muito, mas para quem pega quatro ônibus por dia, esse aumento já é sentido no bolso quando acaba o mês.
A minha crítica não é diretamente contra o aumento da passagem, é contra a falta de respeito que o passageiro sofre dentro dos ônibus de Porto Alegre. É um tempo inacreditácel de espera para pegar o ônibus, quando chega está lotado (lotado mesmo, no pior sentido da palavra) e demora mais um tempão para chegar ao destino. Sem contar que a maioria não tem ar condicionado, a falta de respeito dos cobradores e motoristas (sem generalizações, ok?!).
Não tem problema pagar caro por um serviço. Desde que ele seja de qualidade.
Não tem problema estar lotado. Desde que não demore pra chegar.
Não tem problema demorar pra chegar. Desde que as pessoas sejam acomodadas confortavelmente.
Enfim... O problema maior é que todos os problemas estão presentes simultaneamente.
Desde que voltei de Londres, a coisa que mais me faz falta é o transporte, o bom, confortável, rápido e pontual UNDERGROUND (metrô)! As vezes ele é cheio sim, mas se você decide esperar pelo próximo, tem a certeza de que em cinco minutos ele está ali na estação de portas abertas. E se decide entrar mesmo com ele cheio, tem a certeza de que vai chegar rápido no seu destino. As viagens mais longas (aquela que cruza a cidade) dura mais ou menos 30 minutos, 40 no máximo. Me diz aí... Quanto tempo leva pra ir da Restinga até o Centro de Porto Alegre?? Pois é... De cortar os pulsos...
Depois que conheci o transporte público de qualidade é impossível não me sentir envergonhada, humilhada, indignada, irritada, cada vez que pego ônibus em Porto Alegre. 
SOCORRO!!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Saudade de sentir saudade


Parece que foi ontem que eu entrei naquela sala de embarque sozinha com olhos molhados e o rosto inchado de tanto chorar a saudade que eu tinha certeza que ia doer assim que eu entrasse no avião.

Hoje faz exatamente um ano que cheguei em Londres. Uma cidade desconhecida que me esperava cheia de novidades, medos, surpresas e desafios.

Aprendi muito durante os dois meses que estive lá, e hoje, um ano depois, sei o quanto me valeu a viagem e sei também que aproveitei cada segundo que estive lá apesar das dificuldades que passei.

Nem tudo são flores... É difícil lidar com a saudade. É difícil deixar a sua cidade e se ver, de repente, sozinha em um lugar onde não falam a sua língua, onde é você quem tem que aprender e se adaptar a cada instante. Deixei pra trás minha família que me dá segurança sempre que me sinto frágil, meu namorado que me dá carinho quando me sinto sozinha, triste ou simplesmente quando preciso de um abraço, meus amigos que me divertem sempre.

Foi difícil... Mas foi maravilhoso!

Foi bom me descobrir, me reinventar, me conhecer. Saber quais são as minhas preferências e vontades, do que eu gosto e do que não gosto...

Cresci. Amadureci. Voltei.

Hoje, olhando as fotos que tirei durante a viagem, não consigo organizar em palavras o que sinto. É uma confusão de sentimentos...

Fico feliz pela experiência, relembro todas as angústias e posso me sentir novamente lá, chorando de saudades depois de desligar o Skype, estudando todas as noites antes de dormir, planejando os lugares que iria conhecer no outro dia, escrevendo para transmitir um pouco do que estava se passando por lá, me esforçando para curtir tudo da melhor maneira possível...

Engraçado sentir esse nó na garganta... Sinto saudades... Saudades da “independência”, saudades de ter apenas a preocupação de estudar e aproveitar ao máximo a estadia, saudades de sentir saudades...

Ás vezes fico me perguntando: se pudesse voltar, ficaria mais tempo?

Não sei... E confesso que essa pergunta me angustia um pouco... Não gosto de pensar no “SE”...

A única certeza que eu tenho é que Londres é uma cidade encantadora, mágica e muito atraente e para onde voltarei em outras oportunidades sempre que possível.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Diário de Viagem – O que aprendi

Dois meses maravilhosos em uma cidade organizada, limpa, bem cuidada, com gente educada, parques e 'markets' por toda parte... Vou sentir saudades disso, não tenho dúvida!

Dois meses que tive que aprender a lidar com sentimentos que não gosto de sentir, a saudade, a ausência, a solidão, a tristeza... E tive que aprender a espantar todos eles sozinha, sem ninguém pra me ajudar.

Aprendi tantas coisas que é difícil deixar esse 'post' curto, por isso, quem tiver paciência leia, quem não tiver, eu perdôo...

Aprendi a pensar em quem é Gabriela Carpes e quem vai ser Gabriela Carpes.
Aprendi a saber o que eu gosto de fazer, de comer, de vestir...
Aprendi que a independência tem um gostinho ótimo e que agora eu tenho que lutar pra ter isso pra sempre.
Aprendi a controlar o meu dinheiro e que fazer comprar é muito bom, mas que depois, na hora de colocar as coisas na mala a gente pensa “porque foi que eu comprei isso mesmo?”
Aprendi que a vida existe sem televisão, mas que as novelas brasileiras tem o seu valor no final da noite.
Aprendi que alface, pimentão, pepino, abobrinha e berinjela podem não ser tão ruins assim.
Aprendi que mesmo pessoas educadas perdem a cabeça de vez em quando.
Aprendi que mãe é igual sim e só muda o endereço.
Aprendi que caminhar mais até a parada do ônibus e subir as escadas do prédio não vai doer e ainda vai me deixar mais saudável.
Aprendi que a distância une as pessoas.
Aprendi que não falar a mesma língua não é empecilho para uma amizade de verdade.
Aprendi que família é pra sempre, não importa a distância ou o tempo.
Aprendi que a saudade dói mas que quando tem data marcada pra terminar pode até ser boa.
Aprendi que uma viagem como essa vou levar pra sempre na memória e que esse tipo de coisa ninguém vai tirar de mim.
Aprendi que existem coisas mais importantes pra fazer com o dinheiro do que só adquirir coisas materiais.
Aprendi que subir e descer escadas todos os dias não mata ninguém
Aprendi que ficar um dia sem comer no almoço não faz mal pra saúde e ninguém morre de fome por isso.
Aprendi que uma comunidade para dar certo tem que ter regras e que as regras tem que ser respeitadas e que nem por isso o lugar é ruim.
Aprendi que ficar sozinha pode ser bom mesmo quando não tenho nada pra fazer.
Aprendi a cuidar melhor de mim e das minhas coisas.
Aprendi que arrumar a cama antes de sair de casa de manhã não vai fazer eu me atrasar mais do que um minuto.
Aprendi que tudo que eu posso fazer hoje eu devo fazer hoje porque amanhã pode estar chovendo.
Aprendi que roupas confortáveis são tudo de bom mesmo que não sejam as mais lindas do mundo.
Aprendi que algumas características a gente não perde nunca, não importa o quão longe de casa esteja.
Aprendi que as pessoas são diferentes fisicamente, mas é possível encontrar pensamentos bem parecidos.
Aprendi que a distância nos proporciona conhecer pessoas diferente que talvez nunca pudéssemos conhecer.
Aprendi que as pessoas vão e vem todos os dias e que não podemos ficar tão tristes por isso porque cada um tem o seu papel na nossa vida.  
Aprendi que a comida da minha mãe é a melhor do mundo, mas que existem outras comidas bem boas por aí.
Aprendi a dar valor às coisas que realmente importam.

domingo, 6 de maio de 2012

Diário de Viagem – Lições de Mrs. Tatik


É interessante quando a gente se depara com uma cultura totalmente diferente da nossa, onde tudo é motivo de surpresa e, às vezes, estranhamento. É uma experiência incrível poder compartilhar esse tipo de coisa, trocar experiências...

Aqui na casa onde moro, somos quatro pessoas, eu, uma suíça, um japonês e a dona da casa que é da Indonésia. Uma senhora no auge dos seus 60 e poucos anos, muito mais ativa do que muita gente que eu conheço e dona de um vasto conhecimento de mundo e de vida.


Dois meses foram suficientes para absorver algumas lições dessa pessoa incrível que recebe há mais de 30 anos estudantes dentro da sua própria casa e faz isso por livre e espontânea vontade (porque para ela isso não é só um negócio).

Mrs. Tatik é ‘muslim’, religião também conhecida como islamismo. Confesso que esse foi o primeiro choque quando pisei em Londres. Para mim nunca foi comum ver mulheres usando lenço na cabeça e ser recepcionada por uma me deixou sem saber o que fazer ou falar. Esse foi só o primeiro sinal de todas as surpresas que Londres reservava pra mim...

Na hora do jantar, todos nós sentamos à mesa juntos, conversamos, praticamos nosso inglês e ouvimos as histórias e lições de Mrs. Tatik...

“Não dependa de ninguém! Precisamos das pessoas para viver, mas não podemos depender delas porque um dia elas vão embora e quando dependemos delas, sofremos muito por isso!”

“Ajude os outros. Reserve um tempo da semana, organize-se. Isso é o que realmente traz felicidade e ninguém pode tirar isso de você! O dinheiro pode trazer felicidade, mas quando o dinheiro vai embora, a felicidade se vai também.”

“Não julgue ninguém pelas roupas que a pessoa usa, pelo carro que ela tem ou pela casa onde mora. Nunca sabemos as reais condições e podemos nos surpreender no futuro. Só quem pode julgar é Deus!”

“Coma salada, faça exercícios e cuida da sua saúde. Quando chegar nos 60 ou mais você vai lembrar disse e pode se arrepender de não ter feito mais por você mesmo.”

“Dedique-se a diversas atividades, dessa forma, quando uma estiver em crise, você tem outras coisas com que se preocupar e não corre o risco de duplicar a importância do problema.”

“Não gaste o seu dinheiro com coisas que você não precisa. A moda vai e vem, o que você é, é pra sempre. Busque isso!”

“NADA É IMPOSSÍVEL!”

sábado, 5 de maio de 2012

Diário de Viagem – Estilo: cada um tem o seu. Londres tem todos!


Acho que essa é uma das coisas mais legais aqui em Londres, tem lugar pra todos os estilos.

Para começar, ninguém tá nem aí para o que estamos vestindo, como está o cabelo ou se a meia-calça está furada ou não. Se é preciso andar com um lenço na cabeça cobrindo o cabelo ou se a religião só permite que os olhos sejam vistos e o resto seja coberto, não tem problema. Londres é o lugar certo!

Aqui o conceito de moda toma uma dimensão completamente diferente do que já vi. Vale tudo. Se você se sente confortável, vale! 

Já cansei de ver no metrô mulheres indo para o trabalho com o cabelo todo despenteado; pessoas vestindo roupas que, para mim são um tanto “exóticas”, mas que, com um pouco de estilo ficam legais; punks, góticos e ‘emos’, circulam com suas roupas pretas, seus piercings às vezes chocantes para os mais conservadores e seus cabelos coloridos e bem trabalhados; homens com calças curtas, gravatas divertidas, meias de algodão com calça e sapato social, e por aí vai...

O fato é que não importa o que você vista, ninguém vai apontar pra você, ninguém vai rir, ninguém vai manifestar uma reação sequer. Sabe por quê? Porque aqui, é cada um na sua, cada um interessado na sua vida, no seu ‘business’ e não no dos outros. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Diário de Viagem – Vai de ‘bike’!


Tá aí uma grande ideia que o Brasil podia copiar... Em diversos pontos de Londres tem os chamados “Barclays Cicle Hire”, onde podemos alugar uma bicicleta para andar pela cidade.

É simples! Funciona assim: a gente vai a um dos terminais, paga por um determinado período para ficar com a bicicleta e é só sair andando. Encerrado o tempo, é só devolver a ‘bike’ a qualquer outro terminal. Os valores variam de acordo com o tempo, mas os primeiros trinta minutos são gratuitos.

Genial não é! E o mais incrível é que a população utiliza (e muito) o serviço! Mesmo com o trânsito caótico de Londres (no meu ponto de vista é claro), as pessoas costumam sair de casa de bicicleta. Vale lembrar que a ciclovia por aqui é bem vasta, embora o ciclista não seja tão respeitado quando deveria.

É bom para as pessoas que aproveitam pra se exercitar e levar uma vida mais saudável; é bom para o trânsito que fica menos caótico e é melhor ainda para o meio ambiente, que deixa de receber uma boa quantidade de gases.

Eu até quis tentar, mas como minha intimidade com a bicicleta não é muita, preferi não arriscar. 

Diário de Viagem – Markets


Portobello Market, Covent Garden Market, Spitafields Market, Columbia Flower Market, Borought Market, Camden Market, Petticoat Lane Market…

Apenas alguns dos muitos markets de Londres. Um jeito bom de comprar, onde se é livre para escolher, andar, passear, olhar... E onde é possível encontrar de tudo, desde roupas de segunda mão, até antiguidades, passando por comidas diferentes, sapatos, frutas, artesanatos, flores e todo tipo de bugiganga que se pode imaginar. 

Que shopping o quê?!?! O pessoal aqui adora é ir pro "market"!!

Borough Market

Camden Market

Covent Garden Market
Petticoat Lane Market

Portobello Road Market

Apple Market

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Diário de Viagem – Profissão: trabalhador de rua


Nunca vi um lugar com tanta gente trabalhando na rua como Londres. É gente fazendo malabarismo, estátua viva, fantasia de personagem, gente dançando hip hop, fazendo bolha de sabão, mágica, gente cantando e tocando instrumentos então é o que mais tem.

E não é difícil encontrar coisas de qualidade não, pelo contrário. Se eu fosse dar uma moeda para cada um que achei legal, eu ia à falência.

E sabe que tem gente que faz isso há anos? Gente que sustenta a família e que não ganha pouco não, só fazendo apresentações na rua. Conversei com um malabarista depois do show e ele me disse que colocou os dois filhos na faculdade e pagou toda a escola dos guris com o dinheiro que ganha na rua. Disse também que adora o que faz e que não trocaria esse trabalho por nenhum outro, porque ali ele tem contato com as pessoas, escuta o retorno, as risadas, e se sente satisfeito e feliz.
 
Interessante o jeito que eles veem esse tipo de trabalho. A grande maioria, faz uma super produção, com amplificadores, cenários, roupas diferentes, equipamentos, tudo para fazer as pessoas que estão passando perceberem que aquilo ali não é só mais um “showzinho”, é um “show” de verdade e que tem que ser respeitado. Se você parou, viu, riu, se divertiu, nada mais justo do que pagar por isso. E a grande maioria das pessoas paga. Uma moeda, não importa o valor, já é suficiente.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Diário de Viagem – Falando sozinha


Às vezes me dá um desespero, acho que não aprendi nada de inglês, que vou voltar falando a mesma coisa que antes, que só gastei dinheiro a toa... Eu sei que não é verdade, sei que aprendi muita coisa, sei que cada dia é uma prova, sei que estou me virando super bem desde que cheguei, mas mesmo assim, às vezes, ainda penso do jeito errado.

Mas essa semana, acho que cheguei naquele ponto em que a gente sabe que o inglês está entrando na gente. Estava pensando e falando sozinha quando me dei conta de que não sabia determinada palavra. Foi aí que percebi que isso tudo era em inglês.

Pra mim que nunca gostei da língua e que sempre tive minhas piores médias na escola em inglês, isso, por si só, já é uma vitória. Hoje posso dizer que gosto de estudar inglês e que vou continuar praticando pra não perder nunca o que ganhei aqui.

Ponto pra mim!

Diário de Viagem – A palavra é... ADAPTAÇÃO


Antes de viajar, li uma frase de um autor que não costumo ler, Paulo Coelho. Confesso que nunca li um livro inteiro, mas estava lendo um de crônicas sobre viagens onde ele escreveu a seguinte frase:

“Seus referenciais mudam e você passa a depender dos outros. É preciso reduzir tudo, da roupa às exigências. Isso ajuda a perceber que a vida é simples. Longe do conforto do conhecido, tudo vira lar”.

Verdade. A mais pura verdade!

Uma experiência como essa que estou vivendo transforma completamente a maneira de ver o mundo. Percebemos que ele é muito maior do que parece ou do que conhecemos. Percebemos que é preciso mudar algumas coisas em nós mesmos para receber o novo, o diferente. Aprendemos a fazer coisas que nunca fizemos antes. Colocamos em prática toda a educação que temos e lembramos de coisas que ouvimos há muito tempo atrás. Comemos aquilo que nunca imaginamos e mudamos alguns conceitos pessoais. Aprendemos que a palavra ‘nunca’ pode ser substituída facilmente pelo ‘talvez’ ou ‘quem sabe’.

Sair da zona de conforto dá medo, intimida, assusta, mas não dói. Talvez no começo doa um pouco, mas logo passa e a gente aprende a fazer aquilo que nossos ancestrais sempre fizeram: se adaptar. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

Diário de Viagem – Contando moedas


Se tem uma coisa que me faz passar vergonha aqui em Londres são as moedas.

Quando tenho que pagar alguma coisa, sempre que posso evito as moedas. Mas às vezes fica difícil. Minha niqueleira ficou tão cheia que chegou a arrebentar...

2 e 1 pounds, 50 e 20 pence
10, 5, 2 e 1 pence
O problema é que as moedas são todas diferentes e de tudo que é valor. E aqui não tem essa de ficar devendo um centavo ou de troco em bala, se o troco é 93 “pence” (o centavo do pound), a pessoa vai te dar 93 certinho, nem um “pence” a mais, nem um a menos.

Imagina a cena: fila pra pedir o sanduiche. Logo aí já encontro o primeiro obstáculo, o que escolher. Geralmente tem várias opções e quero saber o que é cada uma, logo, é preciso ler as identificações. Depois de escolher um sanduíche onde eu conheço 80 por cento dos ingredientes, vou pra fila. Chego no caixa, a pessoa fala muito rápido mas como já estou acostumada e, mais ou menos, sei a sequência de perguntas, sem problemas. Na hora de pagar ela diz 3,75. Olho na carteira, nenhuma nota. Só moedas. Desespero! A fila atrás de mim cresce, as pessoas ficam impacientes enquanto eu conto as minhas inacabáveis moedas na frente do caixa. Começo a suar, ficar nervosa, perco a conta, recomeço, desisto. Peço ajuda a pessoa do caixa para contar as moedas e ela faz isso com uma facilidade que me faz sentir uma criança quando vai comprar balas pela primeira vez na venda da esquina e não tem a menor noção do valor do dinheiro que carrega.

Vergonha!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Diário de Viagem – Liverpool and The Beatles


Como descrever a sensação de estar em um lugar onde sabemos que uma das bandas mais famosas do mundo começou sua carreira? Missão difícil...

Nesse final de semana fui a Liverpool para conhecer um pouco mais sobre a história dos Beatles e pra visitar alguns lugares por onde estiveram, as ruas onde cresceram e a cidade que até hoje é lembrada por ser o berço dos quatro meninos que a fizeram inesquecível quando se fala de música.



Para começar, uma longa caminhada pela cidade só para conhecer o território. A primeira parada obrigatória é ‘Beatles History Exhibition’. Toda a história da banda que começou em 1956, gravou treze álbuns em 8 anos, virou febre mundial e tudo isso sem perder a ternura e a rebeldia da juventude. E pensar que todas as gravadoras recusaram os garotos no começo...

Fotos, vídeos, objetos, textos, reprodução de lugares, roupas, músicas, comentários, desenhos, jornais, cadernos com anotações, discos, uma infinidade de coisas que nos fazem reviver tudo nos mínimos detalhes.

Mas o auge da minha rápida passagem por Liverpool foi quando entrei no ‘Cavern Club’. Impossível descrever a sensação de estar no lugar onde eles começaram, onde se apresentavam sem compromisso, sem imaginar que um dia seriam o que foram.

Descendo as escadas, pude notar que o cheiro é exatamente como Paul descreve “suor, detergente de banheiro, cerveja e umidade”. Quando entrei, uma banda estava tocando rock, acho que ‘Rolling Stones’. Mas meu coração acelerou quando começaram a tocar “She Loves You” e todo mundo acompanhou. Foi como se todos que estavam ali estivessem esperando por esse momento.

Infelizmente, não tive oportunidade de vê-los no palco. Mas poder sentir um pouquinho dessa sensação foi simplesmente emocionante.


Obrigada pai por me apresentar a música boa e me ensinar a gostar de tudo que tem qualidade. Não tenho palavras pra agradecer...


Obs.: Seria injusto dizer que esta é minha preferida, mas com certeza é uma das mais bonitas...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Diário de Viagem – Unhas


Se tem uma coisa que me tira do sério aqui, são as unhas das mulheres. Porque é que elas não cuidam das unhas? Não quer pintar, pelo menos tira o esmalte!

Pode parecer que é coisa de mulher fresca, mas não é. Pra mim, é uma questão de higiene. Não precisa pintar de vermelho, só precisa cuidar, entenda-se, cortar, limpar, lixar, essas coisas básicas.

Nunca vi nada parecido! Fico chocada cada vez que vejo... E olha que já vi muitas, é muito comum por aqui andar com as unhas mal feitas. 

Cada vez que vejo lembro da minha mãe mandando tirar o esmalte quando já está ficando feio. "Que coisa mais porca guria! Vai tirar esse esmalte já! Credo!". Ela ia ficar horrorizada.

E acho que não sou só eu que fico chocada, porque esses dias fui colocar crédito no cartão do metrô e o atendente elogiou minhas unhas (que para mim, estavam mal-feitas). Coitado... Deve ver cada coisa durante o dia...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Diário de Viagem – Óculos de sol X guarda chuva


Hoje ouvi uma que é muito real: duas coisas que sempre tenho que ter na bolsa em Londres são o óculos de sol e o guarda chuva. 

Nunca vi tempo tão louco! É capaz de mudar três ou quatro vezes no mesmo dia.

Ontem o dia amanheceu chuvoso e muito frio. No meio da manhã o sol apareceu. No início da tarde choveu granizo, logo em seguida sol e calorzinho. No fim da tarde, frio e mais chuva. E hoje foi a mesma coisa.

Agora me diz... Como é que a pessoa escolhe uma roupa pra usar? Efeito cebola todos os dias! Vivendo no tira casaco, bota casaco...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Diário de Viagem – Turismo

Em Londres o turismo é uma preocupação primordial. É fácil se locomover, é fácil achar os pontos turísticos, tem placas espalhadas por todos os cantos, mapas em cada estação de metrô e parada de ônibus, as vezes, indicações em mais de uma língua.

Tudo isso mostra uma cidade que está se preparando para receber os jogos olímpicos, que começam no dia 27 de julho, e que se preocupa em fazer com que o turista se sinta bem aqui.

É incrível a diferença entre uma cidade que se valoriza, e uma que não dá muita atenção a isso. Propaganda. Essa é a palavra certa. Cada esquina tem um mapa com os principais pontos turísticos da cidade.

Todos os dias, visito algum ponto turístico da cidade ou algum lugar interessante. Cada um desses lugares tem, na saída, uma loja com “quinquilharias” para comprar. E, diga-se de passagem, estão sempre cheias. Os turistas adoram.

O raciocínio é lógico: a pessoa entra em determinado lugar, faz uma visita guiada que conta todos os pontos importantes, emocionais e históricos do local, se sensibiliza e na saída, compra. Os produtos são caros e nem por isso de boa qualidade. Por exemplo, uma caixinha de chá inglês que ali custa oito pounds, em outro Market qualquer, a mesma caixinha vai custar no máximo seis.

A maioria dos museus são pagos. E não são muito baratos não. O mais barato que paguei foi cinco pounds. Na maioria das vezes, no valor está incluso o fone com a visita guiada, onde podemos andar pelo local no nosso tempo, independentemente de guia ou grupo, o que é bem melhor.

É claro que se juntar tudo que já gastei só em museus dá uma quantia razoável, mas acho isso interessante porque é uma maneira de manter o espaço vivo, limpo e bem cuidado. Só entra ali quem realmente quer conhecer e saber sobre aquela determinada história.

E não tem aquele papo de que cobrando o povo não vai. Está tudo sempre cheio, independente do dia da semana, sempre tem gente transitando nos lugares mais famosos de Londres.

Definitivamente nós, brasileiros, não sabemos nos vender. Com tantas coisas lindas no nosso país para serem mostradas, a única coisa que os estrangeiros sabem sobre nós é “Pelé, Ronaldinho e samba”. Parece mentira, mas é a mais pura verdade.

2014 está chegando e temos muito o que aprender! A começar pela propaganda de nós mesmos.