Mostrando postagens com marcador momentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador momentos. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de maio de 2020

Já pensou em quanta coisa se pode viver em 100 anos?


Hoje, a Vó Ilda, minha bisavó, completou 100 anos de vida. O corpo miúdo carrega o peso de cada dia dessa caminhada. A mente, intacta, acumula as incontáveis lembranças dos momentos que ela já viveu.

Ela sempre conta que quando era jovem, uma cigana disse a ela que teria uma vida longa, viveria até os 100 anos. E cada vez que ela conta essa história diz que naquela época parecia tão longe e agora já está tão pertinho...

Enfim esse dia chegou. A nossa matriarca completou um século de vida. E justamente nesse 2020 que estamos tendo que nos afastar para proteger aqueles que amamos.

Não conseguimos dar a festa que ela merecia nem o abraço tão desejado por ela e por nós, mas estávamos lá, dando os parabéns de longe, para mostrar o quanto ela é amada. E apesar de ter sido um pouco triste, também foi muito lindo ver o sorriso e as lágrimas de felicidade no rosto dela.

E no auge dos seus 100 anos, com serenidade no olhar, ela nos ensina que, mesmo no meio do caos, a gente precisa erguer a cabeça, sorrir, olhar para frente e ter fé. E hoje, eu tenho certeza que isso tudo vai passar, vamos superar e aprender com tudo e logo conseguiremos comemorar todos juntos o centenário do jeito que ela gosta, com toda a família reunida!  








quinta-feira, 9 de abril de 2020

Auto cobranças tóxicas


Isolamento, medo, saudade da família, cobranças, ansiedade, trabalhar, malhar, cozinhar, limpar, lidar com um turbilhão de sentimentos, passar álcool gel, usar máscara, tirar o sapato ao entrar em casa, trocar de roupa, lavar as mãos... definitivamente, não tá fácil!

Os dias tem sido assim, sentada horas e horas trabalhando (mais horas do que normalmente diga-se de passagem) e me entupindo de notícias e atualizações sobre a pandemia do Coronavírus (ossos do ofício). Depois disso não sinto vontade de fazer nada além de comer, rolar infinitamente a time line do Instagram, ligar a TV ou ler um livro, esse último com menos frequência, confesso.

É difícil me desligar, a cabeça não para, fica girando num looping infinito em torno de mortes, doentes, números, curas, pautas, posts... Tem dias que me cobro por não estar fazendo uma das milhares de coisas que estão se acumulando na minha lista e tem dias que eu me respeito e aceito que não estou a fim, que o mundo não vai acabar se eu ficar sem fazer nada produtivo, e tá tudo bem! 

O que eu quero dizer é que a pressão já tá grande, a gente não precisa colocar mais peso sobre as nossas costas. Sabe aquele treino que você não fez? Tudo bem! Aquela aula de Yoga que você prometeu que ia fazer todos os dias? Sem problemas! Relaxa! Não tá fácil pra ninguém!

Se quiser, aproveita esse tempo pra pensar em você, na sua jornada, na sua missão! E se não quiser, fica de boas que tá tudo bem também!

terça-feira, 7 de abril de 2020

7 de abril de 2020, dia do jornalista e dia mundial da saúde.


Hoje, especialmente hoje, nesse dia do jornalista, venho pedir respeito a esse trabalho tão importante que também está na linha de frente dessa pandemia tanto quanto o trabalho dos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde que estão lutando dentro dos hospitais para salvar vidas.

A todos os colegas jornalistas, deixo aqui meu agradecimento e meus parabéns!

O nosso hoje anda exigindo demais de todo mundo, mas pra nós, jornalistas, tá bem desafiador. Se eu, que já não trabalho em veículo há muito tempo, não produzo mais programa diário como antes, já perdi as contas de quantos cafés já tomei, quantas matérias e entrevistas já fiz, fico imaginando os colegas que estão nas ruas todos os dias...

Não tá fácil. As coisas acontecem muito rápido e todos nós, jornalistas, seja nos grandes veículos de comunicação, seja nas assessorias, estamos correndo atrás da máquina e dando o nosso melhor para levar informação de qualidade para todos.

Apesar de tudo, da pandemia, do volume de trabalho, do home office, da distância e das dificuldades, preciso confessar que está sendo muito gratificante estar envolvida diretamente nisso. É um aprendizado incrível! Já são 10 anos de formada, 10 anos jornalista, e eu nunca me senti tão realizada profissionalmente quanto me sinto hoje. O cansaço mental é compensado quando vejo que o meu trabalho é importante para muitas pessoas.

Eu sei que não tá fácil pra ninguém... isolamento, medo, saudade, cobranças, ansiedade, conciliar todas as atividades, lidar com um turbilhão de sentimentos, passar álcool gel, usar máscara, tirar o sapato ao entrar em casa, trocar de roupa, lavar as mãos... definitivamente, não tá fácil!

Dias melhores virão, não tenho dúvidas disso! Até lá, seguimos com coragem e fé!




quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Agora não é uma boa hora...


Foi isso que ouvi quando liguei pra dizer que te amo e que estou com saudades. Meu coração apertou e as lágrimas caíram molhando o celular que estava no viva voz.

Queria poder te dar um abraço, mesmo sabendo que tu te manteria firme segurando a emoção como sempre faz.

Queria poder dizer que eu tô aqui para o que tu precisar, mesmo tu me dizendo que nada que eu diga vai mudar a situação.

Queria poder estar do teu lado só pra ficar em silêncio, mas perto do teu coração doído, só para o caso de tu precisar de mim.

Queria tudo isso, mas fui incapaz de me movimentar na tua direção... Talvez por medo, por egoísmo ou por acomodação, não importa. Perdão.

Eu só liguei pra dizer que por aqui tá tudo bem, que tu não precisa se preocupar comigo porque eu tô lidando com os problemas que aparecem um de cada vez... mas não tive coragem de abrir a boca quando tu disse que não tava bem e que, realmente, agora não era uma boa hora.

Vou te mandar as melhores vibrações que existem dentro de mim para que tu consiga ver que a esperança sempre existe e que o caminho às vezes está na nossa frente, a gente é que não consegue enxergar...

Te amo!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Trintei, e daí?

A maioria da mulherada tem medo dos 30. Medo do tal de metabolismo, medo de ficar sozinha, medo de não conseguir entrar mais naquela calça dos 20 e poucos, medo de não ter filhos, medo, medo, medo...

No dia que eu fiz 30 anos, uma amiga mais nova olhou pra mim e perguntou: “E aí Gabi, como tu está te sentindo?”. Aquela pergunta me soou tão estranha que eu fiquei pensando qual seria a resposta que ela esperava além de “Muito bem, obrigada!”.  

Os 30 não chegam de um dia pro outro, o teu metabolismo não para de funcionar do dia pra noite, os medos não chegar junto com o teu primeiro despertar após o dia do aniversário. Tudo isso é um processo. Um processo que depende de ti levar tranquilamente ou não.

Eu podia escrever aqui milhares de coisas que eu aprendi com os 30 (assim, bem clichê) mas eu prefiro que todas nós esqueçamos um pouco essa história de idade e façamos aquilo que nos dá vontade, quando e se quisermos, do jeito que for melhor pra gente.

Eu queria chegar nos meus 30 gostosa, sendo fitness, com o emprego dos sonhos, uma carreira de jornalista invejável, viajada, casada, talvez com filhos. Quase nada disso aconteceu. Mas eu sei que nunca vou ter a maturidade que eu tenho hoje com a forma física e a saúde que eu tenho hoje com as condiçõe$ que eu tenho hoje, então, bora aproveitar esses 30!

Vamos esquecer um pouco esses fantasmas, soltar o freio e sentir, viver e aproveitar.


A verdade é que as vezes eu me acho super guria pra fazer algumas coisas e em outras situações eu me sinto uma tia velha. Acho que, em resumo, isso é ter 30 anos. É o limbo da vida. Então vamos aproveitar porque esse limbo, assim como todas as outras fases que a gente já passou, passa voando e nós vamos morrer de saudade!!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Uma folha em branco para desacelerar


Uma folha em branco é quase como um recomeço. Uma oportunidade pra fazer tudo de novo, reescrever corrigindo os erros, melhorando, buscando sinônimos para palavras repetidas...

Eu gostava mais daquele tempo quando as palavras eram riscadas e rabiscadas, às vezes apagadas pela borracha que deixava suas marcas no papel, denunciando a sua tentativa de passar despercebida.

Sempre gostei de escrever à mão e à caneta, que é pra não ter chance de apagar um texto pelo simples fato de ter medo do que os outros vão pensar ou por achar que aquilo está muito piegas, muito sentimental, muito bobo.

Sou do tempo em que a gente escrevia muito. Tive diário, vários deles, muitos mesmo... Até hoje estão guardados cuidando das palavras que escrevi, muitas vezes contando problemas adolescentes, infantis até... Escrevia cartas para os familiares que moravam em outra cidade, contava as coisas que aconteciam comigo e adorava a expectativa, algumas vezes frustradas, de receber a resposta, abrir aquele envelope cheirando à cola, com selo e tudo. Ai, ai...

Por mais que a gente tente não se render à praticidade da tecnologia, é quase impossível resistir. Ela veio pra ficar, pra ajudar a tornar tudo mais rápido, mais instantâneo. Mas isso traz também a contrapartida, as coisas ficam mais efêmeras, passageiras, sem importância.

Lembra do tempo das fotografias de filme, quando precisávamos esperar até ver o resultado dos cliques? Depois de esperar tanto tempo, a gente nem se importava com fotografias meio fora de foco, tremidas, com uma pose ruim ou uma careta imperfeita. Hoje, é só celular, mil selfies na mesma pose até achar aquela fotografia perfeita que vai retratar um momento inesquecível que você não está vivendo porque encontra-se muito ocupado tirando fotos.


Eu, como boa fã do papel e da caneta, continuo escrevendo e reescrevendo as coisas. Começando e recomeçando a cada folha em branco que me aparece no caminho. Me pego pensando para onde estamos indo com essa pressa toda, onde vamos chegar... Será que não é bom reservar um pouquinho do nosso tempo pra desacelerar?

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A vida é trem bala parceiro...

Recentemente, recebi em um dos montes de grupos de whatsapp uma música que, assim que ouvi pela primeira vez, acabou se tornando um hino pra mim.

“Trem bala” tem muito a ver com a minha filosofia de vida, de viver o hoje de forma que se você ou alguém que você ama se for amanhã, não fiquem ressentimentos ou mágoas, só a saudade dos momentos bons e a certeza de que você deu o seu melhor.

Vale a pena escutar mil vezes até decorar e sair por aí cantarolando. Cada estrofe leva consigo um monte de significado e é praticamente impossível que alguém não se identifique com a música.


Tem algumas músicas que são assim e é incrível o poder que elas têm de tocar fundo na gente. 

Dá o play e já adiciona o vídeo na sua playlist.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Carta para uma passarinha

Passarinha, esse ano tu fez 18 anos de vida, 18 anos de luz.

Cada vez que olho pra ti, grande assim, esperta, interessada, estudiosa, inteligente, linda, sinto um orgulho imenso dentro de mim por ter acompanhado e feito parte desse crescimento.

Tu veio pra dar luz na nossa vida e deixar os nossos dias mais coloridos. O que seria de nós sem o teu carinho e o teu abraço?

Contigo eu me lembro todos os anos que o tempo passa e que eu fico mais velha. E parece mentira, mas estamos nós duas entrando em fases marcantes da vida juntas, tu com 18 e eu com 30.

Quando tu nasceu nós ganhamos uma “boneca” de verdade. Passaram uns anos e tu virou a irmãzinha caçula, recheada de mimos de todos os lados. Mais um tempo e tu alçou um vôo lindo e deixou o ninho carente de ti. Hoje, temos uma grande amiga, a estrela mais brilhante da nossa constelação.

12 anos fizeram muita diferença antes mas hoje já não faz tanta diferença assim. Conversar contigo sobre qualquer assunto é muito bom e eu nem vejo o tempo passar. É incrível como eu aprendo contigo cada vez que a gente se vê.

Preserva sempre a tua curiosidade e a inocência de menina, a firmeza e a perspicácia adolescente, a calma e a simplicidade da vida adulta.

Eu tenho certeza que tu ainda vai nos dar ainda mais motivos de orgulho porque tu foi enviada para este mundo pra brilha e iluminar a vida de muita gente, não só a nossa.

Que esse teu novo ciclo que começa hoje seja repleto de alegrias, amor, paz, sorrisos, carinho e aprendizados. Que os tropeços que, inevitavelmente, vão acontecer sejam para te fazer melhor e te ensinar lições preciosas.

Conta sempre comigo. Vou estar do teu lado sempre que precisar.

Te amo passarinha!

Parabéns! 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O dia que Deus falou comigo

Essa semana, muitas coisas deram errado. O computador estragou e quase perdi tudo de importante sobre trabalho, levamos uma multa, uma virose foi nos visitar e ainda não nos deixou, entre outras coisas menores.

Em alguns momentos praguejei, questionei, me fiz de vítima por causa desses problemas. “Será que eu mereço isso?” ou “Por que eu?” foram algumas perguntas que fizeram parte do meu discurso essa semana.

Vendo que esse desespero todo não ia resultar em nada, parei, pensei, rezei e, como dizia minha vó, entreguei pra Deus.

Pode parecer meio exagerado, mas eu “ouvi” a resposta ontem à noite.

Voltando da academia, com a cabeça cheia de preocupações e o corpo dolorido dos exercícios, parei no sinal e fui abordada por um homem. Como a rua estava meio deserta, eu estava no mundo da lua e a onda de violência aqui em Porto Alegre está grande, me assustei.

Quando percebi, ele estava olhando pra mim, com os braços levantados, vestido com uma camiseta de manga curta, uma calça jeans velha e um tênis todo rasgado. Tinha um rodo na mão e queria lavar o vidro do carro em troca de uma moeda qualquer. Agradeci, fiz sinal que não com a cabeça e ele se afastou com uma cara desolada.

Pra quem não sabe, a noite de ontem aqui em Porto Alegre estava muito fria, muito mesmo. Eu vestia um moletom e um casaco bem reforçado por cima com uma manta no pescoço.

Quando arranquei o carro fiquei pensando em como aquele homem estava sentindo frio com aquela camiseta de manga curta no meio da rua, aquela hora da noite. Me senti culpada e privilegiada pelo simples fato de ter um casaco pra vestir nessa noite fria. Me senti envergonhada de ter passado o dia todo reclamando por coisas tão pequenas. Me senti triste por não poder ajudar aquele homem naquele momento. Chorei.

Quando cheguei em casa, no meu lugar quentinho, com uma cama cheia de cobertas, comida me esperando, um banho quente e roupas limpas, recebi a notícia que meu computador fora arrumado, que a multa estava paga me que os sintomas de virose já estavam indo embora.


Agradeci e percebi que, às vezes, Deus fala com a gente de um jeito tão diferente e mágico que nem sempre estamos abertos para escutar o que ele quer dizer. Pra mim, foi como se ele dissesse “Calma, seus problemas são grandes porque são seus, mas dê uma olhada à sua volta de vez em quando para perceber o real tamanho deles no contexto do mundo”. 


sexta-feira, 29 de abril de 2016

7 dias...

Hoje faz uma semana que já não temos mais nossa matriarca entre nós. Uma semana que o céu está mais estrelado. Uma semana que um pedaço de nós se foi para nunca mais voltar. Uma semana de saudade. Uma semana e a minha ficha ainda não caiu...

Ainda não consegui assimilar que não verei mais aquele sorriso, não ouvirei suas queixas, não sentarei com ela pra tomar um café ou um chá acompanhado de bolo de chocolate.

Eu sei que hoje ela está bem melhor do que todos nós que ficamos. Sei que esse sentimento é muito egoísta, mas eu queria sim mais algum tempo com ela... Não que eu tenha deixado de dizer ou fazer alguma coisa, porque graças a Deus, aprendi que devemos aproveitar cada minuto com as pessoas que amamos, mas eu queria aprender mais, ouvir mais, abraçar mais, amar mais.

Lembro de quando fomos pra Gramado, só eu e ela. Muitas pessoas da minha idade, na época com 20 anos, achariam um programa desse tipo um tédio, mas pra mim, pra nós, foi muito divertido. Passeamos, fizemos compras, conversamos sobre os mais diversos assuntos, fomos ao teatro ver musicais todas as noites, relembramos momentos bons e vivemos momentos inesquecíveis. Foi lá, junto com ela que tomei a decisão de que queria dançar ou atuar. Quando voltamos, ela me apoiou totalmente. Procuramos escolas de teatro e dança e, no dia da minha estreia como bailarina ela estava lá, com flores nas mãos e muito orgulho no rosto.

Apoio... Ela sempre foi uma grande torcedora e apoiadora dos meus projetos malucos. Cada coisa legal que eu inventava ela a primeira a apoiar e ficar toda orgulhosa. Foi assim quando entrei no Vida Urgente, quando comecei a dançar, quando fiz teatro e, mais recentemente, na ONG Doutorzinhos. Ela sempre dizia: "Gabi, tu adora essas coisas que fazem bem pros outros né?! Sempre fica procurando alguma coisa pra se envolver, isso é muito legal!". 

Ela sempre se preocupou se eu estava trabalhando e, quando eu respondia que sim, ela dizia que não precisava se preocupar comigo porque eu nunca passaria dificuldades, que eu era esforçada e que teria o que eu quisesse. Quando me decepcionei com os amores da vida, ela sempre me dizia: Gabi, o que é teu tá guardado! E quando eu encontrei o meu companheiro de vida, ela não só aprovou, como acolheu ele como se fosse um neto.

Lembro da minha vó como uma mulher linda, elegante, bem vestida, antenada com as últimas tendências. Ela é a mulher que eu quero ser quando chegar na idade dela. Até modelo de desfile ela foi... Linda! Ela não saia pra ir na padaria sem maquiagem e só dormia de camisola novinha...

Eu queria mais tempo... Queria que ela tivesse visto meus filhos, que tivesse pegado eles no colo, abraçado e cheirado seus bisnetos. Não deu tempo. Talvez porque eu tive medo e achei que não era o momento certo, talvez porque não era pra ter sido...

Hoje ela e o vô estão lá, olhando por nós, cuidando de nós, rindo de nós... Estão juntos como sempre estiveram, rindo, brigando, amando um ao outro.

Uma vez, em uma missa de sétimo dia de um primo que morreu de repente e muito jovem, o Dudu, ouvi uma frase que jamais esquecerei: “A morte com fé, é saudade. A morte sem fé, é desespero”. Tento me lembrar disso sempre que essa dor invade meu coração...


Vó, tu tá fazendo muita falta! 


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quase 30

Então chegaram os tão temidos 29 anos... Temidos porque falta só um ano para os ainda mais temidos, 30 anos. Mas porque será que é tão assustador fazer 30?

Te confesso que assusta. Assusta porque quando você se dá conta, já tem tanta história pra contar e já se vê falando coisas como “na minha época...” para os mais jovens e, de repente, você olha pra trás e se dá conta que já percorreu um caminho considerável. De repente aquele bar que era o ponto de encontro da sua adolescência não existe mais, aquele brinquedo que você adorava a sua irmã mais nova não tem nem a menor ideia de como funciona, aquele programa de TV que você corria da escola pra ver e acompanhava cada capítulo, já tá sendo regravado com atores mais jovens e você não acha a menor graça. Assusta ainda mais quando seus pais falam que na sua idade já tinham filhos, casa própria, família e você sente que ainda está saindo da adolescência. Você curte uma boa festa, mas já não se lembra quando foi a última vez que ficou até as 4h da manhã acordado e, sempre que dá, prefere um churrasco com os amigos ou uma janta em casa mesmo pra bater um papo e dar risada.

No meu caso, tenho uma irmã de 17, 12 anos mais nova que eu, e que faz questão de lembrar a minha “quase” idade sempre que me vê. Como se precisasse... Cada vez que eu olho pra ela me lembro de cada fralda que troquei, de como ela cabia em uma única almofada do sofá da sala e hoje fica com os pés pra fora. Lembro de como ela cabia no meu colo e puxava a minha camiseta pra chamar atenção quase na pontinha dos pés. Acompanhar o crescimento dela fez com que, a cada aniversário, eu me lembrasse que eu é que ficava mais velha.  

Tudo isso assusta. Perceber tudo isso assusta, mas no fundo, a gente sente que já faz parte desse mundo adulto “desconhecido”. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Liberdade


Foto de @muradosmann
Um dia, conversando com uma amiga sobre relacionamentos, ela me diz a seguinte frase: “Para eu namorar com alguém agora, essa pessoa tem que me deixar livre, mas tão livre que me dê vontade de ficar com ela”.

Faz tempo que tivemos essa conversa, mas essa frase nunca saiu da minha cabeça.

Se eu tivesse um desejo só que tivesse o poder de melhorar a vida de todas as pessoas, eu pediria que todos encontrassem um amor de verdade, um amor livre.

Um amor capaz de compreender as diferenças, ficar feliz com as conquistas do outro, ajudar a levantar nas derrotas, puxar a orelha quando é preciso, ter coragem de ser criança, brincar e ser 100% verdadeiro sem medo do que o outro vai pensar. Um amor que embarca junto nas maiores loucuras porque acredita em você, livre de medos e incertezas e que, mesmo que eles apareçam, vai enfrentar e seguir junto com medo mesmo e sem certeza. Um amor que confia, que ensina e que aprende, que ajuda quando tá tudo bagunçado e atrapalha quando tudo tá certinho demais. Um amor que acalma quando estamos estressados e que tira do eixo quando estamos acomodados.

Um amor que cresce com a saudade, que conta os dias, as horas e os minutos pra te ver de novo mesmo que vocês se vejam sempre, mesmo que morem juntos, mesmo que sejam casados, não importa. Um amor que pega na mão, olha nos seus olhos e te dá coragem pra enfrentar os problemas mais cabeludos que aparecerem no caminho e que fica te dando todo o suporte enquanto você luta.

Um amor que te deixa ir se essa for a sua vontade, que não te impede de realizar um sonho só porque esse sonho não é dos dois. Se der, vamos juntos, se não der, você vai porque eu vou estar feliz por ver que você está feliz, simples assim. Um amor que confia e que respeita, que não diminui o que você sente ou fala, que escuta com atenção e leva tudo em consideração. Um amor que compartilha e doa.

Encontrar um amor assim não é fácil. Não basta encontrar a pessoa certa, você precisa estar nessa vibração boa, nesse nível de maturidade, nessa vibe. Não adianta nada aquela pessoa certa aparecer e você ter um ataque de ciúme no meio da rua sem o menor fundamento. Você precisa estar pronto pra dar e receber esse amor. E quando você está pronto, a mágica acontece. Você encontra alguém com quem se sente feliz na maior parte do dia e que vira o seu porto seguro, o seu carregador de energia boa.

Eu desejo que você que está lendo esse texto encontre esse amor (se ainda não encontrou) e seja muito feliz! 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Parabéns pra você!

Tanta coisa aconteceu que nem sei por onde começar. Tantas coisas mudaram em mim, na minha vida, na vida daqueles que amamos, no mundo... Só tem uma coisa que nunca muda, a falta que tu faz, a saudade que sentimos de ti todos os dias.

É batata, família reunida, mesa posta, comida farta, conversas, risadas e a certeza de que tu está por ali. Papo vai papo vem, uma lembrança surge e puxa outra e outra e muitas outras...

Se tu estivesse aqui, eu estaria agora me arrumando pra ir ao teu encontro, te dar aquele abraço apertado, comer o churrasquinho feito com tanto carinho, cantar parabéns e comer bolo contigo.

Mas não é assim... Hoje tu não está mais entre nós. Já nem sei quanto tempo faz, mas sei que não foi e nunca será suficiente pra esquecer de ti, do teu sorrisão largo e das brincadeiras irritantes.

Hoje, meu modo de te dar parabéns é assim, lembrando, escrevendo, rezando, rindo e chorando, porque hoje, só me restam as lembranças boas que tu deixou, só me resta olhar pro céu, procurar a estrela mais brilhante e agradecer.


Obrigada vô! Parabéns!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Agora não, depois eu faço, ainda tem tempo...

Esse é um dos meus principais defeitos, a procrastinação. Eu iria ainda mais fundo, a sabotagem.
Quando deixo para amanhã algo que poderia ser feito já, sei exatamente o que estou fazendo, não é algo inconsciente. Sei que amanhã mil e uma coisas podem acontecer e pode não dar tempo, sei que vou ficar ansiosa porque vou achar que não vai dar tempo, mas me conforto com a icônica frase “trabalho melhor sobre pressão”.

De fato, nunca deixei nada importante por fazer, embora as deixe sempre pra última hora. Nunca atrasei trabalhos da faculdade ou projetos no trabalho. Mas ultimamente, eu diria até nos últimos anos, tenho deixado uma coisa muito importante para depois (um depois que nunca chega) EU.

Mais um ano se passando e mais uma vez eu vendo coisas minhas que eu não fiz, sonhos que eu não realizei (e que eram totalmente possíveis), projetos que não andaram nem um pouquinho. Resultado: mais e mais ansiedade pingando nesse poço que já tá quase transbordando.

É ruim ouvir de alguém que amamos muito que é preciso definir prioridades e que uma delas tem que ser eu, a minha saúde física e mental. Faz a gente pensar em que rumo está seguindo, onde isso vai parar, o que queremos do futuro... Aquelas perguntas cretinas que nunca sabemos as respostas.

Minha vida toda até aqui foi de desculpas. Não fiz isso porque aquilo. Não fui lá porque choveu. Não segui esse plano porque me desmotivei e pisei na bola. Não vou em tal lugar porque acaba tarde e eu moro longe.

Perdi tempo procrastinando muitas coisas. Perdi algumas oportunidades de fazer coisas bacanas, conhecer pessoas legais, visitar lugares que nunca imaginei. Não quero mais isso. Não quero mais ser a pessoa preguiçosa, procrastinadora e cheia de desculpas.

Já me disseram que eu sou muito forte, que eu já fiz tanta coisa que nem me dei conta de como precisei ser forte, que se eu me visse como os outros me veem eu sentiria orgulho de mim. Realmente, meu espelho tem defeito e meu senso crítico também. Não me vejo essa pessoa forte e capaz que algumas pessoas enxergam. Talvez eu esteja me escondendo atrás dessa aparência frágil para ter atenção, talvez eu não queira ser essa pessoa por algum motivo que eu juro que não sei qual é...

Enfim, final de ano é assim pra mim... Fico mais pensativa, faço um balanço de tudo que aconteceu e, escrevendo isso agora, parando pra pensar nesse 2015, percebo que apesar de algumas coisas não terem sido tão legais, foi muito bom, aconteceram coisas maravilhosas, tive ótimos resultados, mas percebo também que me deixar de lado esse tempo todo não me fez nem um pouco bem e faz com que a sensação seja de fracasso total.


Eu quero. Eu posso. Eu consigo. Eu vou mudar isso para que os próximos anos sejam cada vez melhores e que essa sensação ruim dê lugar a alguma outra que eu desconfio que não conheço... 

Entre paixões...

Já diziam os sábios que “para esquecer um amor antigo, nada melhor que um novo amor”.

A dança sempre foi uma paixão. Pela dança em si, pela música, pelo grupo, pelas pessoas, pelo significado do todo. Mas as vezes, a vida nos desafia e é preciso tomar decisões difíceis, pesar tudo na balança e escolher. Fiz a escolha de seguir uma vida sem os compromissos, as coreografias, o sapato de salto, os figurinos e o palco.

A saudade ficou e eu, inquieta como sempre fui, busquei alguma coisa para tomar o lugar da dança. Esbarrei no teatro.

O teatro me abriu os olhos para um outro universo. Me levou de volta a uma época em que eu era feliz e não sabia, a infância. Lá, me encontrei com uma Gabi que eu achava que nem morava mais em mim, mas descobri que ela estava ali, louca pra sair, só esperando a oportunidade para ser livre de novo. Me permiti. Deixei que essa Gabizinha de ontem tomasse conta de mim e fui muito feliz cada dia que nos encontrávamos.

O teatro me levou de volta pro palco, um espaço que me foi apresentado pela dança. Ficar atrás das coxias de novo, esperando dessa vez a deixa ao invés da música, decorar o texto ao invés da coreografia, foi uma experiência que ao mesmo tempo que é muito parecida, foi completamente diferente... 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Bobi, Bito, Brito, Bobito

Mãe, eu não gosto de tirar foto. Me deixa aqui no meu cantinho.
Cheguei em casa hoje e tu não estava ali, deitado no sofá esperando por mim. Lembrei. Chorei. Doeu.

O tempo que tivemos juntos foi bom, mas me parece que foi tão curto.

Ontem mesmo eu te peguei no colo como uma bolinha cheia de pelos. Logo em seguida tu cresceu e me acompanhou em muitos passeios e viagens.

Ficou doente algumas vezes e em todas elas eu estava ali, cuidando de ti, te dando o meu melhor carinho. Quando foi a minha vez de sofrer e chorar tu, mesmo sem poder fazer muito, ficou ali, do meu lado, angustiado e choramingando junto comigo. Pedindo carinho como se soubesse que uma gracinha tua já ia ser suficiente pra acalmar meu coração. E foi.

Close no focinho preto.
Um dia, cheguei em casa e tu não tava lá. Te deram para outra pessoa que eu nem sabia quem era. Quis o destino que eu te encontrasse no mesmo dia na rua, passeando com o novo dono. Eu chorei de um lado e tu do outro. No fim do dia tu já estava em casa de novo, junto comigo.

Minha única companhia quando chegava em casa tarde da faculdade. Tu acordava com aquela cara amassada e os pelos marcados só pra ficar do meu lado enquanto eu jantava, tomava banho e ia dormir. Aliás, dormir era tua atividade favorita... Dormir com qualquer uma de nós, com a cabeça bem apoiada na dobra das pernas.

Tu sempre aguentou as brincadeiras que fizemos contigo. Sempre foi paciente e quando a coisa ficava demais ia se esconder de nós no teu cantinho.

No Natal eu virei Papai Noel!
Mais um tempinho passou e rapidamente a tua energia de infância deu espaço a um velhote rabugento, cheio de manias e manhas. Mas o teu jeito delicado de subir na cama não mudou. Era raro perceber de tão leve que era teu pulo.

Pulos e pulos depois os sinais da tua idade foram aparecendo cada vez mais. Aos poucos os pulos foram ficando mais raros, a palavra passear já não te fazia mais ficar de orelhas em pé e as dores nas costas que insistiam em aparecer te incomodavam.

Minha mãe parece a Felícia. Socorro!!
No início desse ano nos separamos, fui morar na minha casa e achei que seria melhor para um senhor da tua idade ficar onde sempre esteve. Achei que uma mudança dessas não te faria bem. Hoje, carrego um pouco dessa culpa egoísta no meu coração. Queria ter passado mais tempo contigo, dando pra ti o meu melhor carinho e recebendo de ti o amor mais puro do mundo.

Nessa última semana te trouxe comigo. Vi de perto teu sofrimento e sofri junto contigo. Cuidei de ti mais uma vez, a última vez. Não quis acreditar que não tinha mais jeito. Fui até onde deu. Nos últimos dias, parece que eu conseguia ver lágrimas nos teus olhinhos castanhos. Resisti o quanto pude, mas não conseguia mais te ver sofrendo, sem caminhar, sem conseguir ser o cachorrinho sapeca e sem vergonha que tu sempre foi, aquele que dava pulos altos e corria atrás dos gatos e da bolinha com uma energia incrível. Desculpa.

Hoje o dia acordou chuvoso e cinza, assim como o meu coração. É doloroso andar por aqui e não ouvir o barulho das tuas patinhas pelo chão ou os teus choramingos pedindo um pouco de atenção. É péssimo olhar para os lugares onde tu deitava e perceber que tu não está mais por aqui. Dá um aperto no peito...

Para a eternidade...
Digo hoje sem medo de cometer exageros que essa foi a decisão mais dolorosa e difícil que já tomei na vida. Se foi a certa eu não sei. Dizem que foi.

A única certeza que eu tenho é que tu foi um grande amigo e companheiro de quatro patas e que me ensinou muitas coisas nesses 15 anos, mesmo sem uma palavra.

Lamento e vou lamentar sempre não ter passado mais tempo contigo, não ter te dado mais atenção e carinho.

Obrigada meu amigo. Vai com Deus e fica cuidando de nós de onde quer que tu estejas.

Ah... E se der, aparece em um dos meus sonhos qualquer noite dessas pra gente brincar de novo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O que é felicidade pra você?

Esses dias minha irmã mais nova, a Júlia, de 16 anos, olhou pra mim e fez essa perguntinha ingrata:
“Mana, o que é felicidade pra ti?”

Depois de alguns minutos pensando, respondi que felicidade pra mim era ver as pessoas que eu amo felizes também.

O melhor de tudo foi a explicação que ela deu quando perguntei porque ela estava fazendo esse tipo de pergunta.

“Eu percebi que quando a gente pergunta para as pessoas o que é felicidade pra elas, elas ficam pensando em coisas felizes. E sorriem.”

Depois disso, fiquei com aquela cara de boba e orgulhosa. Quando foi que tu cresceu assim passarinha?

Hoje mana, vou te responder o que REALMENTE é felicidade pra mim.
“Felicidade é te ver assim, crescida, inteligente, perspicaz e linda!
É saber que apesar de todas as dificuldades, nossa família permanece unida.
É sabe que em pouco tempo vou ter o meu cantinho pronto pra receber os amigos, a família e tu né lindinha!Felicidade é ficar rodeada de pessoas legais, amigos queridos, alto astral, aqueles que não deixam a peteca da gente cair nunca.
Felicidade é dançar um samba bem agarradinho, uma salsa gostosa ou um forró pé de serra.
Felicidade é ver um filme bem quentinha, debaixo das cobertas, com o Bobi esquentando meus pés.
Felicidade pra mim é não me arrepender de nada que eu fiz até hoje e ter certeza que se tivesse outra chance, faria tudo igualzinho.
Felicidade de verdade é viver todos os momentos intensamente. Fazer o que tiver vontade pra não se arrepender de não ter feito alguma coisa quando já for tarde demais.”

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Escondido no pôr do sol

Eu sei que tu tava lá, entre os raios daquele pôr do sol maravilhoso.

Rimos das coisas engraçadas que passamos, lembramos momentos lindos e eu chorei de saudade quando me dei conta de que sempre que abria os olhos tu desaparecia e só sobrava o vento e o perfume...


Essa semana foi teu aniversário e me desculpe, mas não sei qual seria a tua idade hoje. Não me culpo... Quantos netos sabem qual a idade dos avós?! São avós, são mais velhos, ponto. 


Hoje, meu eterno amigo secreto, assim como ontem e assim como todos os dias depois da tua partida, é dia de lembrar de ti, da tua risada gostosa, das peças que pregava na gente, do colo e do cafuné que sempre estiveram ali. Hoje é dia de celebrar a saudade, de celebrar a amizade, a família, o amor.


Eu sei que tu tá por aí, cuidando de nós, se divertindo com as peripécias e iluminando os caminhos, mas pode apostar, tu não tem noção da falta que faz aqui nesse mundão de Deus.
Saudade...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Lista de ano novo

Sempre fui dessas de fazer listas a cada virada de ano, prometendo mundos e fundos pra mim mesma e lá nos meados de junho ou julho, meio ano se passa e nada de concreto acontece. Resultado: frustração máster.

Na virada de 2013 para 2014, fiz mais uma dessas listas traçando algumas metas para o ano que começava. Eram uns sete ou oito itens. De todos, consegui cumprir dois. Os outros cinco ou seis que faltaram ficaram lá, pendurados no mural até o dia 31 de dezembro me fazendo sentir a pessoa mais incompetente da face da terra.

Quando sentei para fazer a lista de 2015, com os objetivos não atingidos em uma mão e uma folha em branco pronta para a nova lista na outra, comecei a me questionar sobre o ano que passou, sobre a efetividade dessas listas e do que aquela em especial representava pra mim. 2014 foi um ano bom. Aconteceram coisas maravilhosas e a principal delas foi a compra do nosso apartamento.

Olhei a lista. Li e reli inúmeras vezes. Repassei na cabeça aquele exato momento em que a escrevi e descobri que eu NUNCA, em momento algum, cogitei a ideia de comprar um apartamento. A melhor coisa que me aconteceu no ano não estava na lista. As coisas que estavam na lista e não aconteceram só serviram para me frustrar nos momentos em que o que eu mais precisava era de estímulo.

Conclusão: abre o coração e deixa as coisas acontecerem. Às vezes existem coisas guardadas pra gente que nunca imaginamos que aconteceriam, basta ficar de olhos e coração abertos para enxergar e receber.

Peguei o papel em branco, escrevi no topo da folha: "metas para 2015: receber o que o ano me oferecer", pendurei no mural e rasguei a lista antiga. 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Era fotografar ou viver. Eu escolhi viver.

E aquele momento único eu não consegui capturar. Porque eu, logo eu que sou fotógrafa e tenho uma câmera maravilhosa, não fui capaz de fotografar aquele momento?

Era a primeira vez que colocávamos a chave na porta daquele que vai se tornar o nosso primeiro lar. Não se faz isso duas vezes na vida. A máquina estava ali, preparada. Guardei.

Era fotografar ou viver. Eu escolhi viver.

Escolhi guardar cada segundo, cada sensação, cada lágrima de emoção daquele momento que não durou mais que um minuto na minha memória. Decidi eternizar o sentimento e não a imagem. Guardei no coração, não no papel.  

Fecho os olhos e consigo voltar exatamente àquele segundo. Sinto o coração bater forte e aquela mesma lágrima que correu lá, corre agora. Lembro perfeitamente de cada canto do apê, dos sorrisos, das palavras, das juras. Sinto o abraço, o beijo, o cheiro de casa fechada, vejo as janelas se abrindo e escuto o champanhe estourando.


Tem coisas na vida que vale a pena serem guardadas só na lembrança. Há quem diga que se lembra melhor através das fotografias. Pra mim, se você não consegue fechar os olhos e sentir tudo de novo, cada sensação, os mínimos detalhes, me desculpe a franqueza, mas você não conseguiu viver aquele momento intensamente.