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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Auto cobranças tóxicas


Isolamento, medo, saudade da família, cobranças, ansiedade, trabalhar, malhar, cozinhar, limpar, lidar com um turbilhão de sentimentos, passar álcool gel, usar máscara, tirar o sapato ao entrar em casa, trocar de roupa, lavar as mãos... definitivamente, não tá fácil!

Os dias tem sido assim, sentada horas e horas trabalhando (mais horas do que normalmente diga-se de passagem) e me entupindo de notícias e atualizações sobre a pandemia do Coronavírus (ossos do ofício). Depois disso não sinto vontade de fazer nada além de comer, rolar infinitamente a time line do Instagram, ligar a TV ou ler um livro, esse último com menos frequência, confesso.

É difícil me desligar, a cabeça não para, fica girando num looping infinito em torno de mortes, doentes, números, curas, pautas, posts... Tem dias que me cobro por não estar fazendo uma das milhares de coisas que estão se acumulando na minha lista e tem dias que eu me respeito e aceito que não estou a fim, que o mundo não vai acabar se eu ficar sem fazer nada produtivo, e tá tudo bem! 

O que eu quero dizer é que a pressão já tá grande, a gente não precisa colocar mais peso sobre as nossas costas. Sabe aquele treino que você não fez? Tudo bem! Aquela aula de Yoga que você prometeu que ia fazer todos os dias? Sem problemas! Relaxa! Não tá fácil pra ninguém!

Se quiser, aproveita esse tempo pra pensar em você, na sua jornada, na sua missão! E se não quiser, fica de boas que tá tudo bem também!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A vida é trem bala parceiro...

Recentemente, recebi em um dos montes de grupos de whatsapp uma música que, assim que ouvi pela primeira vez, acabou se tornando um hino pra mim.

“Trem bala” tem muito a ver com a minha filosofia de vida, de viver o hoje de forma que se você ou alguém que você ama se for amanhã, não fiquem ressentimentos ou mágoas, só a saudade dos momentos bons e a certeza de que você deu o seu melhor.

Vale a pena escutar mil vezes até decorar e sair por aí cantarolando. Cada estrofe leva consigo um monte de significado e é praticamente impossível que alguém não se identifique com a música.


Tem algumas músicas que são assim e é incrível o poder que elas têm de tocar fundo na gente. 

Dá o play e já adiciona o vídeo na sua playlist.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

7 dias...

Hoje faz uma semana que já não temos mais nossa matriarca entre nós. Uma semana que o céu está mais estrelado. Uma semana que um pedaço de nós se foi para nunca mais voltar. Uma semana de saudade. Uma semana e a minha ficha ainda não caiu...

Ainda não consegui assimilar que não verei mais aquele sorriso, não ouvirei suas queixas, não sentarei com ela pra tomar um café ou um chá acompanhado de bolo de chocolate.

Eu sei que hoje ela está bem melhor do que todos nós que ficamos. Sei que esse sentimento é muito egoísta, mas eu queria sim mais algum tempo com ela... Não que eu tenha deixado de dizer ou fazer alguma coisa, porque graças a Deus, aprendi que devemos aproveitar cada minuto com as pessoas que amamos, mas eu queria aprender mais, ouvir mais, abraçar mais, amar mais.

Lembro de quando fomos pra Gramado, só eu e ela. Muitas pessoas da minha idade, na época com 20 anos, achariam um programa desse tipo um tédio, mas pra mim, pra nós, foi muito divertido. Passeamos, fizemos compras, conversamos sobre os mais diversos assuntos, fomos ao teatro ver musicais todas as noites, relembramos momentos bons e vivemos momentos inesquecíveis. Foi lá, junto com ela que tomei a decisão de que queria dançar ou atuar. Quando voltamos, ela me apoiou totalmente. Procuramos escolas de teatro e dança e, no dia da minha estreia como bailarina ela estava lá, com flores nas mãos e muito orgulho no rosto.

Apoio... Ela sempre foi uma grande torcedora e apoiadora dos meus projetos malucos. Cada coisa legal que eu inventava ela a primeira a apoiar e ficar toda orgulhosa. Foi assim quando entrei no Vida Urgente, quando comecei a dançar, quando fiz teatro e, mais recentemente, na ONG Doutorzinhos. Ela sempre dizia: "Gabi, tu adora essas coisas que fazem bem pros outros né?! Sempre fica procurando alguma coisa pra se envolver, isso é muito legal!". 

Ela sempre se preocupou se eu estava trabalhando e, quando eu respondia que sim, ela dizia que não precisava se preocupar comigo porque eu nunca passaria dificuldades, que eu era esforçada e que teria o que eu quisesse. Quando me decepcionei com os amores da vida, ela sempre me dizia: Gabi, o que é teu tá guardado! E quando eu encontrei o meu companheiro de vida, ela não só aprovou, como acolheu ele como se fosse um neto.

Lembro da minha vó como uma mulher linda, elegante, bem vestida, antenada com as últimas tendências. Ela é a mulher que eu quero ser quando chegar na idade dela. Até modelo de desfile ela foi... Linda! Ela não saia pra ir na padaria sem maquiagem e só dormia de camisola novinha...

Eu queria mais tempo... Queria que ela tivesse visto meus filhos, que tivesse pegado eles no colo, abraçado e cheirado seus bisnetos. Não deu tempo. Talvez porque eu tive medo e achei que não era o momento certo, talvez porque não era pra ter sido...

Hoje ela e o vô estão lá, olhando por nós, cuidando de nós, rindo de nós... Estão juntos como sempre estiveram, rindo, brigando, amando um ao outro.

Uma vez, em uma missa de sétimo dia de um primo que morreu de repente e muito jovem, o Dudu, ouvi uma frase que jamais esquecerei: “A morte com fé, é saudade. A morte sem fé, é desespero”. Tento me lembrar disso sempre que essa dor invade meu coração...


Vó, tu tá fazendo muita falta! 


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Parabéns pra você!

Tanta coisa aconteceu que nem sei por onde começar. Tantas coisas mudaram em mim, na minha vida, na vida daqueles que amamos, no mundo... Só tem uma coisa que nunca muda, a falta que tu faz, a saudade que sentimos de ti todos os dias.

É batata, família reunida, mesa posta, comida farta, conversas, risadas e a certeza de que tu está por ali. Papo vai papo vem, uma lembrança surge e puxa outra e outra e muitas outras...

Se tu estivesse aqui, eu estaria agora me arrumando pra ir ao teu encontro, te dar aquele abraço apertado, comer o churrasquinho feito com tanto carinho, cantar parabéns e comer bolo contigo.

Mas não é assim... Hoje tu não está mais entre nós. Já nem sei quanto tempo faz, mas sei que não foi e nunca será suficiente pra esquecer de ti, do teu sorrisão largo e das brincadeiras irritantes.

Hoje, meu modo de te dar parabéns é assim, lembrando, escrevendo, rezando, rindo e chorando, porque hoje, só me restam as lembranças boas que tu deixou, só me resta olhar pro céu, procurar a estrela mais brilhante e agradecer.


Obrigada vô! Parabéns!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Entre paixões...

Já diziam os sábios que “para esquecer um amor antigo, nada melhor que um novo amor”.

A dança sempre foi uma paixão. Pela dança em si, pela música, pelo grupo, pelas pessoas, pelo significado do todo. Mas as vezes, a vida nos desafia e é preciso tomar decisões difíceis, pesar tudo na balança e escolher. Fiz a escolha de seguir uma vida sem os compromissos, as coreografias, o sapato de salto, os figurinos e o palco.

A saudade ficou e eu, inquieta como sempre fui, busquei alguma coisa para tomar o lugar da dança. Esbarrei no teatro.

O teatro me abriu os olhos para um outro universo. Me levou de volta a uma época em que eu era feliz e não sabia, a infância. Lá, me encontrei com uma Gabi que eu achava que nem morava mais em mim, mas descobri que ela estava ali, louca pra sair, só esperando a oportunidade para ser livre de novo. Me permiti. Deixei que essa Gabizinha de ontem tomasse conta de mim e fui muito feliz cada dia que nos encontrávamos.

O teatro me levou de volta pro palco, um espaço que me foi apresentado pela dança. Ficar atrás das coxias de novo, esperando dessa vez a deixa ao invés da música, decorar o texto ao invés da coreografia, foi uma experiência que ao mesmo tempo que é muito parecida, foi completamente diferente... 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Bobi, Bito, Brito, Bobito

Mãe, eu não gosto de tirar foto. Me deixa aqui no meu cantinho.
Cheguei em casa hoje e tu não estava ali, deitado no sofá esperando por mim. Lembrei. Chorei. Doeu.

O tempo que tivemos juntos foi bom, mas me parece que foi tão curto.

Ontem mesmo eu te peguei no colo como uma bolinha cheia de pelos. Logo em seguida tu cresceu e me acompanhou em muitos passeios e viagens.

Ficou doente algumas vezes e em todas elas eu estava ali, cuidando de ti, te dando o meu melhor carinho. Quando foi a minha vez de sofrer e chorar tu, mesmo sem poder fazer muito, ficou ali, do meu lado, angustiado e choramingando junto comigo. Pedindo carinho como se soubesse que uma gracinha tua já ia ser suficiente pra acalmar meu coração. E foi.

Close no focinho preto.
Um dia, cheguei em casa e tu não tava lá. Te deram para outra pessoa que eu nem sabia quem era. Quis o destino que eu te encontrasse no mesmo dia na rua, passeando com o novo dono. Eu chorei de um lado e tu do outro. No fim do dia tu já estava em casa de novo, junto comigo.

Minha única companhia quando chegava em casa tarde da faculdade. Tu acordava com aquela cara amassada e os pelos marcados só pra ficar do meu lado enquanto eu jantava, tomava banho e ia dormir. Aliás, dormir era tua atividade favorita... Dormir com qualquer uma de nós, com a cabeça bem apoiada na dobra das pernas.

Tu sempre aguentou as brincadeiras que fizemos contigo. Sempre foi paciente e quando a coisa ficava demais ia se esconder de nós no teu cantinho.

No Natal eu virei Papai Noel!
Mais um tempinho passou e rapidamente a tua energia de infância deu espaço a um velhote rabugento, cheio de manias e manhas. Mas o teu jeito delicado de subir na cama não mudou. Era raro perceber de tão leve que era teu pulo.

Pulos e pulos depois os sinais da tua idade foram aparecendo cada vez mais. Aos poucos os pulos foram ficando mais raros, a palavra passear já não te fazia mais ficar de orelhas em pé e as dores nas costas que insistiam em aparecer te incomodavam.

Minha mãe parece a Felícia. Socorro!!
No início desse ano nos separamos, fui morar na minha casa e achei que seria melhor para um senhor da tua idade ficar onde sempre esteve. Achei que uma mudança dessas não te faria bem. Hoje, carrego um pouco dessa culpa egoísta no meu coração. Queria ter passado mais tempo contigo, dando pra ti o meu melhor carinho e recebendo de ti o amor mais puro do mundo.

Nessa última semana te trouxe comigo. Vi de perto teu sofrimento e sofri junto contigo. Cuidei de ti mais uma vez, a última vez. Não quis acreditar que não tinha mais jeito. Fui até onde deu. Nos últimos dias, parece que eu conseguia ver lágrimas nos teus olhinhos castanhos. Resisti o quanto pude, mas não conseguia mais te ver sofrendo, sem caminhar, sem conseguir ser o cachorrinho sapeca e sem vergonha que tu sempre foi, aquele que dava pulos altos e corria atrás dos gatos e da bolinha com uma energia incrível. Desculpa.

Hoje o dia acordou chuvoso e cinza, assim como o meu coração. É doloroso andar por aqui e não ouvir o barulho das tuas patinhas pelo chão ou os teus choramingos pedindo um pouco de atenção. É péssimo olhar para os lugares onde tu deitava e perceber que tu não está mais por aqui. Dá um aperto no peito...

Para a eternidade...
Digo hoje sem medo de cometer exageros que essa foi a decisão mais dolorosa e difícil que já tomei na vida. Se foi a certa eu não sei. Dizem que foi.

A única certeza que eu tenho é que tu foi um grande amigo e companheiro de quatro patas e que me ensinou muitas coisas nesses 15 anos, mesmo sem uma palavra.

Lamento e vou lamentar sempre não ter passado mais tempo contigo, não ter te dado mais atenção e carinho.

Obrigada meu amigo. Vai com Deus e fica cuidando de nós de onde quer que tu estejas.

Ah... E se der, aparece em um dos meus sonhos qualquer noite dessas pra gente brincar de novo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Escondido no pôr do sol

Eu sei que tu tava lá, entre os raios daquele pôr do sol maravilhoso.

Rimos das coisas engraçadas que passamos, lembramos momentos lindos e eu chorei de saudade quando me dei conta de que sempre que abria os olhos tu desaparecia e só sobrava o vento e o perfume...


Essa semana foi teu aniversário e me desculpe, mas não sei qual seria a tua idade hoje. Não me culpo... Quantos netos sabem qual a idade dos avós?! São avós, são mais velhos, ponto. 


Hoje, meu eterno amigo secreto, assim como ontem e assim como todos os dias depois da tua partida, é dia de lembrar de ti, da tua risada gostosa, das peças que pregava na gente, do colo e do cafuné que sempre estiveram ali. Hoje é dia de celebrar a saudade, de celebrar a amizade, a família, o amor.


Eu sei que tu tá por aí, cuidando de nós, se divertindo com as peripécias e iluminando os caminhos, mas pode apostar, tu não tem noção da falta que faz aqui nesse mundão de Deus.
Saudade...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Voa voa passarinha...

Vai lindinha, voa sozinha!

Vai ver como o mundo é grande e lindo por aí afora. Se aventura. Vive tudo que der intensamente. Aproveita cada segundo do teu primeiro vôo solo.

Não te preocupa que estamos aqui te esperando e prontos pra voar do teu lado caso precises. Se não precisar (tomara que não precise), estaremos aqui no ninho te esperando de braços abertos.

Quando a saudade bater (e ela vai bater), lembra que passa logo e que quando passar, tu vai morrer de saudades desse tempo. Por isso, faz tudo que der vontade que é pra não se arrepender depois.

Que teu vôo seja lindo, cheio de luz no caminho e pessoas legais pra dividir esse momento pelo trajeto longo que vais percorrer.


Te amo passarinha!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quando o olhar for mais forte que tocar, é amor

Quem nunca se perguntou o que é o amor? Quantas e quantas vezes sofremos por um amor não correspondido ou por um amor daqueles que machucam a gente?

O texto abaixo fala sobre um amor lindo e de verdade, daqueles que dura até o fim e faz querer viver para ficar junto.

Recomendo!!

Então é isso

Quando tinha 13 anos, pedi pra Júlia, dizer pra Ana Carolina, que eu gostava dela. Fiquei atrás da porta para escutar.

Julia: “O Ique gosta de você Aninha.”

Ana Carolina respondeu: “Ele é feio. Não gosto dele.”

Afastei da porta. Voltei pra casa chorando. Peguei um papel e escrevi: “O que é amor?”. Fiquei 20 minutos olhando para o papel. Dobrei e guardei. Se me permitem, depois de 20 anos, gostaria de continuar o texto.

Hoje quando cheguei em casa, vi minha mãe no quarto dos fundos, chorando. Corri para abraça-la. Ela chorando, disse: “Sinto falta do seu pai”

Respondi: “Eu também mãe.”

Ela: “Sinto falta do cheiro dele, do abraço, do beijo.”

Seguro o choro, e aperto mais forte o abraço.

Ela: “Sinto falta das viagens juntos, do ciúme dele, de como ele segurava a minha mão para atravessar a rua. Sinto falta dele abrir a porta do carro pra mim, de trazer flores toda sexta feira, do beijo de boa noite.”

Olho pra cima, respiro e seguro o choro.

Ela continua: “Sinto falta da voz dele, do som da risada, da mão dele pelo meu corpo.”

Começo a chorar e falo: “Mãe! Filho presente!”

Ela chorando, dá um sorriso e diz: “Seu pai era ótimo na cama!”

Enxugando as lágrimas respondo: “CARALHO MÃE!”

Ela sorrindo diz: “Sinto falta dele me chamar de ENE!, de dançar, do beijo de bom dia, do sexo pela manhã.”

Dei um beijo nela e disse: “Tudo vai ficar bem.”

Ela sorriu e foi se deitar. Vou até o quarto do meu pai. Conto o que minha mãe disse. Ele começa a chorar. Pega o ipad e escreve: “Amanhã, compre rosas vermelhas. Não deixe sua mãe ver.”

No outro dia, a noite, entro no quarto do meu pai. Ele escreveu: “Chame sua mãe.”

Ela entrou no quarto. Ele começou a escrever. Quando terminou, me entregou o ipad. Estava escrito: “Coloque a música dos Beatles: Yesterday. E entregue as rosas.”

Coloquei a música. Entreguei as rosas. Minha mãe começou a chorar. Continuei a ler: “Há 35 anos atrás, coloquei a sua música favorita e lhe pedi em casamento. Foram os 35 anos mais felizes da minha vida. Não quero que acabe. Por isso luto todos os dias para viver. Só para ter mais um dia ao seu lado. Para ter o seu beijo de bom dia. Sentir o seu cheiro. Seu abraço. Sentir o seu corpo encostando no meu. Escutar a sua voz, suave. Não posso falar, mas posso sentir, que você é o amor da minha vida. Agora… Pegue a mão da sua mãe, e a chame para dançar.”

Entreguei o ipad pra ele. Peguei a mão da minha mãe. Começamos a dançar. Ele passou a música sorrindo. Quando terminamos. Minha mãe pegou o ipad, estava escrito: “A única razão, de ainda estar vivo, é você.” 

Os dois se olharam, e as lágrimas escorriam na mesma velocidade. Naquele momento, descobri.


Quando o olhar, for mais forte que tocar, é Amor.

Texto original aqui.

segunda-feira, 5 de maio de 2014


Quando eu caí e ralei meus joelhos, tu estava lá pra me amparar e secar minhas lágrimas. Quando eu precisei de conselhos foi tu que me deu os mais valiosos e que carrego comigo até hoje.

Hoje, olhando pra ti, sinto um misto de saudade e culpa que me rasgam por dentro.

Me perdoa pelo meu descaso aparente. Me perdoa por não te dar a atenção que tu precisa e merece. Me perdoa por não estar do teu lado quando tu chama por mim. Me perdoa pelas ligações e visitas que não fiz.

Não quero me desculpar. Desculpas são lamentáveis. Quero pedir perdão pelas minhas falhas burras. Quero me aproximar mais de ti. Quero que tu volte à minha vida, de onde nunca deveria ter saído.

Quantas vezes quis compartilhar contigo as minhas coisas e não fiz porque achei que não te interessavam... Quantas vezes senti falta do teu abraço, da tua voz suave e dura ao mesmo tempo... Saudades de nós, daquilo que existe e que por conta de tantas coisas a fazer fui deixando em segundo plano... Me perdoa.

Eu não posso mudar nada no mundo além das minhas próprias atitudes. E é isso que eu vou fazer. A partir de hoje tu não vai mais chamar por mim, não vai mais lamentar a minha ausência, não vai mais chorar essas lágrimas de saudade. Eu vou me fazer presente na tua vida. Prometo! Juro!


Te amo!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Um velho amigo secreto

Minha filha, não te preocupa. Não tem problema tu lembrar cada vez menos de mim, não mencionar meu nome há tempos, não lembrar do meu aniversário. Eu continuo te amando e te cuidando do mesmo jeito. Estarei pra sempre aqui, zelando por ti.

Não pensa não que eu não sei das estripulias que tu anda aprontando por aí. Já te falei que beber daquele jeito não leva a nada além de uma grande dor de cabeça no dia seguinte.

Eu conheço o teu namorado de perto. Aliás, eu nem ia te contar, mas os caminhos de vocês terem se cruzado é um pouco por culpa minha. E eu sei que ele cuida bem de ti e que te faz feliz. Isso é o que importa.

Eu estava lá aquele dia. Senti que tu precisava de mim e estava lá, sentado na primeira fila pra te ver brilhar no palco do teatro. Não preciso dizer o quanto meu peito se encheu de orgulho.

Eu sei que tu aprontou bastante com os que te amam. Foi pra Londres, morou em Curitiba, deixou tudo e todos. Sei o quanto tu sofreu com a saudade e sei também que tu amadureceu muito e cresceu com a distância. Não morreu. Voltou. Sejam bem vinda. Aqui é o teu lugar. O mundo te pertence, mas a tua casa é aqui.

Finalmente sossegou num emprego bom né. Pelo menos pelos próximos meses ou até que o vento bata de novo e mude o rumo da tua jornada. Tudo pode acontecer.

Vai minha menina. Tu virou mulher. Acredita em ti, no teu potencial, em tudo que tu é capaz. Não é porque eu não tô aí pra te dizer isso que tu não vai acreditar.

Não esquece que a vida é uma só. Aproveita. Vive. Pensa menos nas coisas que tu quer ter e pensa mais, muito mais naquilo que tu vai te tornar daqui alguns anos.

Aproveita os que ainda estão contigo porque assim como eu, ninguém vive pra sempre. Não quero que tu te arrependa de não ter dito eu te amo ou de ter dado uma patada em quem só queria um pouco de carinho. Presta atenção nisso. Algumas pessoas cruzam o teu caminho pra te ajudar, mesmo que as vezes pareçam chatas, elas estão ali pra isso. Paciência.

Eu sei que agora, sozinha aí no quarto, tu queria conversar comigo. Fala. Eu tô aqui, tu sabe disso. Estarei sempre. E as minhas respostas virão sempre. Fica atenta, porque todos os dias eu me comunico contigo nas pequenas coisas e talvez tu nem perceba.

Te cuida.

Com carinho do teu amigo secreto. 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Mais um ano que se vai...

Esse 2013 foi cheio de surpresas... Tantas coisas aconteceram e ainda assim, eu tenho a sensação de que não saí do lugar.

Não vou fazer uma retrospectiva de tudo que aconteceu porque o que passou já foi e o importante agora é relembrar as lições e aproveitar o melhor de cada uma delas para que possamos crescer ainda mais no ano que chega.

Esse ano conheci muitas pessoas que se tornaram importantes pra mim e que vou levar pra sempre no coração; conheci também pessoas que me decepcionaram muito e me lembraram que desde pequena aprendi a virar as páginas da vida e seguir em frente; passei por provações fortes no meu relacionamento e percebi que, como dizem os sábios, as dificuldades nos fortalecem e fazem amadurecer; tive que aprender coisas que achei que seriam fáceis e vi que não foram tão fáceis assim mas também não foram tão difíceis como me disseram que seriam; percebi que julgar os outros pelas escolhas que fazem é bobagem porque só quem pode entender as decisões é quem tem que escolher...

Agradeço por cada momento desse ano que passa e espero ter aprendido com ele para não repetir os erros e também para reproduzir os acertos sempre! Obrigada 2013 por todas as lições e ensinamentos.


Que 2014 seja ainda melhor, me surpreenda e ensine muito mais!! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

13 lições de Curitiba

Esses três meses que morei em Curitiba fizeram com que me conhecesse melhor e tomasse algumas decisões que vou levar pra vida toda. Algumas delas estão escritas aqui, outras eu guardo pra mim porque infelizmente não consegui colocar as ideias em palavras...

- Eu não consigo e não quero viver longe das pessoas que eu amo e, enquanto eu puder escolher, vou escolher a felicidade, o brilho nos olhos, a paz de espírito que elas me dão só de estar por perto e que não encontro em lugar algum.

- Dinheiro nenhum no mundo paga ou sequer ameniza a saudade das pessoas que amamos. Quando a saudade bater forte, o dinheiro vai embora nas passagens e ligações que você vai fazer. Pense se vale a pena.

- Trabalhar duro é importante, dinheiro é importante para nos dar o conforto que precisamos/queremos. Mas sempre que possível, faça algo de que realmente gosta. Assim, as coisas ficam muito mais fáceis.

- Educação a gente aprende em casa e pratica na rua. Preserve isso! Lembre-se de tudo que teus pais ensinaram e pratique. Pratique sempre! Você não é melhor que ninguém. Não importa qual o seu cargo ou seu salário. Você continua igual aos outros. Poder pagar por coisas caras não te dá o direito de ser mal educado com ninguém. Ninguém mesmo!

- Peça conselhos. Escute os mais experientes. Mas não esqueça que a sua vida é uma só e pertence única e exclusivamente a você. Ninguém sabe o que você sente, o que passa ou o que é importante pra você. Escute, pense, pondere e decida. A discussão é solidária, a decisão é solitária.

- Quando tiver que tomar uma decisão importante, pense em que impactos isso vai ter na sua vida e se você é capaz de (com)viver com eles. E não se esqueça que as consequências reais podem não ter sido previstas por você. Aguente.

 - Aqueles que te criticam, que dão conselhos e opiniões sobre a sua vida ou não te conhecem ou morrem de inveja da tua coragem. Nesse caso, não se importe com o que eles dizem e não deixe que nada influencie nas suas decisões. Quem vai conviver com elas é você mesmo, não eles.

- Aprenda a se virar sozinho. Dependa o mínimo possível de quem quer que seja para fazer as coisas básicas da sua rotina. Seja independente. Busque essa independência sempre. Acredite que pode ser divertido fazer programas onde a sua melhor companhia é você mesmo.

- Faça amigos. São eles que vão te apoiar nos momentos difíceis. Eles vão estar ali quando a sua família não estiver. Escolha-os bem.

- Adapte-se. A vida vai te dar milhares de situações para viver. Viva cada uma delas intensamente, aproveite os momentos, arrisque-se. No final das contas, o que levamos são as experiências que vivemos e não as coisas que temos.

- Curta a saudade, fique triste, chore, descabele-se. Até os momentos de tristeza terminam. Curta-os intensamente, aprenda as lições e levante-se. As decepções, obstáculos, quedas existem para nos fazer perceber o que é realmente importante e não para nos matar. Acredite, você não vai morrer se tiver uma grande decepção ou perda. Faça de cada situação um aprendizado e siga em frente mais forte. O que não mata, fortalece.

- Cuide-se. A sua saúde é a coisa mais importante que você tem. Sem ela, nenhum dos itens anteriores é possível. Faça exercícios, caminhe, corra, sorria, alimente-se bem. Pequenas coisas podem ter um grande efeito a curto, médio e longo prazo.

- Se no final de tudo, você perceber que não está feliz mesmo tendo tomado a decisão racionalmente mais acertada, não tenha vergonha de recomeçar. Sempre é tempo de começar de novo e descobrir mais sobre si mesmo. Não tenha medo, é errando que se aprende.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Entre sorrisos e lágrimas

Cada sorriso esconde uma lágrima...
É triste ter que sorrir quando o nosso coração se afoga em um mar de lágrimas.
É triste mas é preciso. É preciso ser forte para aguentar as voltas que a vida dá.
O nó na garganta sufoca o grito que vem de dentro... Seguro pra não assustar aqueles por quem tenho tanto carinho e que me tratam tão bem desde o início.
É preciso sorrir para não machucar os outros. É triste, mas é preciso. Meus sorrisos são sinceros embora escondam a verdade. Gosto sinceramente mas isso não é o suficiente para mudar o que o coração sente.
Podia ser diferente?

domingo, 10 de novembro de 2013

Quando a saudade bate...

Quando a saudade bate, não adianta lembrar os bons momentos, ver fotos, ouvir músicas, sentir cheiros ou ouvir a voz.

Quando a saudade bete a única coisa capaz de resolver a dor que vem junto com ela é um abraço, daqueles bem apertados sabe?

A saudade machuca, dói, sangra. Quer que ela fique um pouco “menos pior”? Pense que pelo menos ela não é pra sempre. A saudade de alguém que já se foi é o pior tipo de saudade que existe. Essa não pode ser esquecida ou amenizada com um abraço.

Lembrar disso me faz ter um pouco mais de forças pra aguentar a saudade que sinto dos meus...

sábado, 9 de novembro de 2013

A hora certa de errar...

Depois que entrei na faculdade, sempre ouvi meu pai dizer que “a hora de errar é agora!”. Essa frase sempre me deu arrepios. É como se amanhã eu já ficasse velha de mais para fazer qualquer coisa, para mudar qualquer coisa com a qual eu não estivesse satisfeita na vida, como se eu fosse obrigada a aguentar uma coisa que não suporto porque o meu tempo de errar já passou.

O fato é que por mais assustador que isso pudesse parecer pra mim, sempre me motivou a fazer as coisas, a caminhar para frente, a vislumbrar todas as oportunidades que eu tive e encarar cada uma delas.

Hoje, mais velha, entendo o que ele sempre quis dizer com isso. Coragem! Foi o jeito que ele encontrou de me empurrar pra fora do ninho. 

Eu sei que o que ele quis dizer é que eu não posso ter medo de mudar, de fazer escolhas difíceis, de tentar, de arriscar, porque ainda não tenho nenhuma grande responsabilidade.  

Mas se eu pudesse dar um conselho pra ele hoje (sei que é bem difícil os pais ouvirem conselhos dos filhos mas não custa tentar), diria que a hora de errar é toda hora. É errando que se aprende! Não importa se você tem 25 ou 50, não vale a pena ficar fazendo algo que a gente não gosta só por causa do dinheiro ou do conforto. Não faz bem pra gente, não faz bem para os que amamos. A vida é uma só e não vale a pena viver ela sem ser feliz.

Uma vez ele me disse que iria atrás da felicidade e que mesmo que não a encontrasse, morreria tentando. E pai, é esse teu conselho que eu vou seguir, Vou deixar de lado as coisas que não me fazem felizes e correr para aquelas que me satisfazem. 

Tentar, tentar, tentar e tentar. Até acertar... ou morrer tentando!


domingo, 27 de outubro de 2013

Sonho real

Quando dei por mim estava de novo nos teus braços, sentindo teu coração batendo pertinho do meu.

Fazia tanto tempo que não te via que nem acreditei que fosse verdade. O teu calor me convenceu que era e fiquei tão feliz que não cabia dentro de mim.

Passeamos, namoramos, dançamos como antes, trocamos carinhos e cafunés, conversamos, rimos, andamos de mãos dadas pela rua, te apresentei para alguns conhecidos toda orgulhosa.

Foi tudo muito melhor do que planejei. Perfeito. Sorria sozinha, boba como uma criança que acaba de ganhar um brinquedo prometido há muito tempo.


Aproveitamos cada segundo como se fosse único. E foi. Quando te vi entrando no avião, meu coração parou. Foi-se embora o meu sorriso. Acordei. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sobre aquarianos e liberdade

Há um tempo atrás eu adorava ler horóscopo. Lia tudo sobre o meu signo, sobre os signos dos meus amigos, da minha família, qualquer um que cruzasse o meu caminho era vítima da minha pequena obsessão. Era só conhecer alguém interessante que eu visitava sites e fazia combinações de signos pra ver se os astros estavam a nosso favor.

Sou aquariana, nascida no dia 12 de fevereiro. Sempre li que aquarianos são pessoas à frente de seu tempo e que o bem que mais apreciam é a liberdade. Com o passar dos anos, pude comprovar na real o quanto isso é verdade.

Não existe coisa mais angustiante pra mim do que viver presa, seja no que for, trabalho, pessoas, lugares, coisas. Me sinto como um passarinho engaiolado que olha o lado de fora e faz planos pro dia que conseguir escapar. A rotina muito rígida é outra coisa que me apavora.

Namorados sempre foram um problema em função disso. Compromissos longos nunca foram meu forte. Muitas exigências e cobranças com pouca liberdade.

A liberdade atrai porque junto com ela vem os desafios, o frio na barriga, a surpresa, a incerteza e a instabilidade.
Eia que cruza o meu caminho um geminiano legítimo, com um gêmeo do bem e um gêmeo do mal que se revezam constantemente e sem aviso prévio. Rotina realmente não é com ele, cada dia é uma emoção diferente, uma surpresa.

Além disso, que já é uma grande coisa, ele me prende quando me solta. Nunca ouvi dele algo que não fosse uma palavra de apoio quando tomei grandes decisões como passar dois meses em Londres sozinha ou morar em Curitiba por tempo indeterminado.

E foi nesses dois momentos que tive certeza que ele é O Cara!

Por mais engraçado que possa parecer, isso também foi o que os astros disseram quando fiz a combinação dos nossos signos.  

Coincidência ou não, essa parceria já dura há três anos e nove meses.

domingo, 1 de setembro de 2013

Fazendo as pazes com Curitiba

Como é estranho voltar a um lugar que já fez parte da nossa vida e não reconhecer uma esquina sequer...

Sinceramente, não tenho muitas lembranças de Curitiba. Sei que não foram os melhores momentos da nossa história familiar, que foram tempos difíceis para minha mãe, que minha irmã sofreu na escola, mas eu não tenho más lembranças... Não sei se meu cérebro se encarregou de apagar as coisas ruins que aconteceram (ele faz isso frequentemente) ou se realmente eles não aconteceram.

Fazia quinze anos que não pisava em Curitiba. Não lembro de muita coisa, alguns lugares, praças e só. Não sei andar nas ruas, não sei pegar ônibus, estou recém me orientando no bairro, aprendendo os caminhos do trabalho pra casa... Abandonei completamente minha zona de conforto e isso me dá um orgulho de mim mesma, um frio na barriga e uma vontade de que dê tudo certo que só eu sei...

Enfim, agora, por um tempo que só Deus sabe qual é, meu lugar é aqui.


O mais difícil agora é lidar com a saudade das pessoas que ficaram em Porto Alegre, cidade que nasci e amo de paixão! 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Fazendo as malas

A parte mais difícil vem agora... 

Sinto como se cada peça de roupa, cada sapato, cada coisinha colocada na mala estivesse condenada a não voltar nunca mais para casa. Ver meu quarto se esvaziando e ficando cada vez menos com a minha cara, sem as minhas coisas, me dá um aperto no peito. É como se depois das malas feitas eu pudesse ser facilmente esquecida por todos que ficam.  

Pode parecer dramático, mas pra mim não é.

Escolher a dedo todas as coisas que vou precisar para começar mais esse capítulo da minha vida em uma mala. Apenas uma mala! Como escolher? O que não é realmente necessário fica, mas vai me fazer falta em algum momento, seja por necessidade ou pela simples vontade de olhar uma foto que não levei, usar uma roupa que deixei ou um creme que esqueci.

Se desse, eu fugia! Não queria ter que fazer isso. Não queria precisar fazer isso. Fazer as malas é a concretização de tudo, é o ponto final. Não tem mais volta.


Guardar as coisas que me pertencem e deixar tudo pra trás... Me falta coragem... Pra mim essa é, definitivamente, a pior parte...