terça-feira, 17 de abril de 2012

Diário de Viagem – Turismo

Em Londres o turismo é uma preocupação primordial. É fácil se locomover, é fácil achar os pontos turísticos, tem placas espalhadas por todos os cantos, mapas em cada estação de metrô e parada de ônibus, as vezes, indicações em mais de uma língua.

Tudo isso mostra uma cidade que está se preparando para receber os jogos olímpicos, que começam no dia 27 de julho, e que se preocupa em fazer com que o turista se sinta bem aqui.

É incrível a diferença entre uma cidade que se valoriza, e uma que não dá muita atenção a isso. Propaganda. Essa é a palavra certa. Cada esquina tem um mapa com os principais pontos turísticos da cidade.

Todos os dias, visito algum ponto turístico da cidade ou algum lugar interessante. Cada um desses lugares tem, na saída, uma loja com “quinquilharias” para comprar. E, diga-se de passagem, estão sempre cheias. Os turistas adoram.

O raciocínio é lógico: a pessoa entra em determinado lugar, faz uma visita guiada que conta todos os pontos importantes, emocionais e históricos do local, se sensibiliza e na saída, compra. Os produtos são caros e nem por isso de boa qualidade. Por exemplo, uma caixinha de chá inglês que ali custa oito pounds, em outro Market qualquer, a mesma caixinha vai custar no máximo seis.

A maioria dos museus são pagos. E não são muito baratos não. O mais barato que paguei foi cinco pounds. Na maioria das vezes, no valor está incluso o fone com a visita guiada, onde podemos andar pelo local no nosso tempo, independentemente de guia ou grupo, o que é bem melhor.

É claro que se juntar tudo que já gastei só em museus dá uma quantia razoável, mas acho isso interessante porque é uma maneira de manter o espaço vivo, limpo e bem cuidado. Só entra ali quem realmente quer conhecer e saber sobre aquela determinada história.

E não tem aquele papo de que cobrando o povo não vai. Está tudo sempre cheio, independente do dia da semana, sempre tem gente transitando nos lugares mais famosos de Londres.

Definitivamente nós, brasileiros, não sabemos nos vender. Com tantas coisas lindas no nosso país para serem mostradas, a única coisa que os estrangeiros sabem sobre nós é “Pelé, Ronaldinho e samba”. Parece mentira, mas é a mais pura verdade.

2014 está chegando e temos muito o que aprender! A começar pela propaganda de nós mesmos. 

domingo, 15 de abril de 2012

Diário de Viagem – Vergonha? Que vergonha?

Já faz cinco semanas que estou aqui. Nesse meio tempo, aprendi muitas coisas. Algumas já mencionei e outras ainda não, mas uma grande coisa que aprendi é que vergonha é uma coisa que não existe.

Na hora da necessidade, não há vergonha que resista. Ela some rapidinho...

Não tem essa de falar errado ou falar certo, o negócio é se comunicar. Sabe aquele ditado que diz que só se aprende errando? Pois é! Quando erramos e alguém nos corrige, é bem mais difícil de esquecer. Aos poucos a gente vai aprendendo a falar certo, a pedir informação de um jeito mais “polite” e por aí vai.

Quando pisei em solo britânico pensei: “Putz! E agora?”. Logo nos primeiros minutos já tive que me desdobrar com a mulher da imigração que pegou no meu pé. Fez milhares de perguntas, contou meu dinheiro e me deu a primeira lição de inglês que eu jamais vou esquecer: quando usar “what?” e quando usar “sorry?”.

Deixei minha vergonha no avião. Tive que me virar com o inglês que eu sabia (que descobri não ser tão pouco quanto imaginava) e tudo correu bem até agora. Já pedi informação, já dei informação, já conversei com estranhos, já fiz amizades num pub, já troquei e-mails com um professor, já falei no telefone com uma agência de turismo...

Não sabe? Pergunta. Não entendeu? Pergunta de novo.

Ás vezes é melhor pedir uma informação do que ficar rodando, rodando, rodando pela cidade com o mapa na mão e com cara de turista. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Diário de Viagem – Olhe para os dois lados

Uma das coisas mais comentadas sobre Londres é a tal mão inglesa. Aqui o trânsito é completamente virado no avesso. Sabe tudo aquilo que a gente sabe de trânsito? Esquece. Não se aplica aqui.

Só para começar, o motorista fica do lado direito do carro. A partir daí, troca tudo de lado pronto! Tá feita a confusão. É tão diferente que lá pelas tantas a gente já nem sabe mais o que é esquerda e o que é direita, o que é certo e o que é errado. Sim, porque até na escada tem o lado que sobe e o lado que desce, não sei bem qual é o lado, sempre dá aquele nó no cérebro. Para não errar, sigo o fluxo.

Deixei pra escrever sobre isso só agora porque queria dar um tempo para o meu pobre cérebro se acostumar com a dita cuja. Impossível! Já se passou um mês e ainda não tenho a menor idéia de que lado tenho que olhar quando atravesso a rua.

Conselho número 1: “Na dúvida, olhe para os dois lados”.
Sabe quando somos crianças e estamos aprendendo a atravessar a rua? É só lembrar aquilo que a mamãe sempre dizia “Olhe para os dois lados antes de atravessar a rua”. Não tem erro! E como Londres é uma cidade cosmopolita, em algumas sinaleiras, no chão tem uma flecha dizendo para que direção devemos olhar.



Conselho número 2: “Nunca ande com pressa”.
Mais um clichê “A pressa é inimiga da perfeição”, nesse caso, a palavra perfeição pode perfeitamente ser substituída por vida. Não interessa o quão apressado esteja, não somos britânicos e ponto final. Não nascemos aqui, não sabemos pra que lado olhar e sempre vamos precisar parar pra pensar antes de olhar para o lado certo.

Conselho número 3: “Confie no sinal e não nos outros pedestres”.
Não é raro ver o sinal fechado para os carros e para os pedestres. Quando isso acontecer, o melhor a fazer é esperar o sinal. Se está com pressa, novamente, olhe para os dois lados. Sempre tem aquele que passa correndo e aquele monte de gente que vai atrás. Mas... se o sinal está vermelho, algum motivo tem né? Já vi vários “quase” atropelamentos de turistas por causa disso.

Uma última coisa a falar sobre o trânsito dessa cidade maravilhosa é que os motoristas são tão ou mais estressados que nós brasileiros, e dirigem muito, muito, muito rápido pelas ruas estreitas que não raramente tem carros estacionados dos dois lados. Logo, atravessar a rua ás vezes é uma aventura e tanto.  

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Diário de Viagem – Conhecido X Amigo

Longe de casa, em uma cidade estranha, com uma língua completamente diferente, sem a família por perto, sem os amigos, sem ninguém pra dizer o que fazer. Essa é a situação de todos os estudantes como eu, que vem estudar inglês em Londres.

Todos estão carentes, por isso, conhecer pessoas na escola é muito fácil. Todos estão abertos para conversa. Meia dúzia de palavras trocadas e já ficou marcado um pub depois da aula ou uma volta em algum lugar desconhecido para ambos.

Pode não parecer, mas é um pouco difícil fazer amigos de verdade. As pessoas vem e vão toda hora. Cada segunda-feira chega gente nova na turma e toda sexta-feira alguém se despede. Conhecemos muita gente, do mundo todo, mas amigos mesmo é difícil.

Eu mesma tenho uma amiga de verdade aqui. Mas amiga daquelas que um só olhar basta pra dizer tudo. Fazemos muitas coisas juntas e damos muitas risadas. Às vezes o silêncio vem, mas nunca incomoda. Conversamos muito, sobre diversos assuntos, temos muito em comum. E acima de tudo, compartilhamos essa experiência nova pra nós duas.

Posso dizer que minha vinda a Londres, além de todo conhecimento e toda visão de mundo que me deu, me rendeu uma grande amiga. Só por isso já valeu!

Eu e Christa

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Diário de Viagem – Gardens & Parks

Algumas coisas são muito peculiares aqui em Londres. Já citei algumas e com certeza citarei muitas mais, mas hoje, vou falar de duas em especial que me chamam muita atenção sempre que caminho nos parques e jardins da cidade: a limpeza e a harmonia em que vivem os animais e os homens.

Existem muitos parques e jardins aqui, cada um com seu tamanho, com sua história, suas particularidades, seus públicos e sua vida. Sim, vida. Cada um desses lugares é cheio de vida.

E essa vida toda fica ainda mais bonita de se ver quando não encontramos nenhum papel, nenhuma “bituca” de cigarro, nenhum cocô de cachorro no chão. E isso que não tem muitas lixeiras espalhadas pela cidade.  

Patos, cisnes, esquilos, corvos, pombas, gansos, todo esse tipo de animal vive em harmonia com as pessoas que passeiam pelos gramados. Eles chegam tão perto de nós que é possível tocá-los. Não existe nenhuma grade, nenhuma espécie de gaiola que os mantenham presos naquele determinado local, pelo contrário, eles ficam ali soltos, andando pela grama, atraindo a atenção dos turistas e ganhando comida. É tão bonito de se ver que é possível ficar horas observando a interação entre os bichos e as pessoas.

É impossível não comparar com os parques que temos no Brasil, por exemplo, onde muitos animais fogem de medo das pessoas porque não raramente, são alvo de maldades. E quanto ao lixo na rua, isso não merece nem comentário. Se resume em uma só palavra: educação. Temos muito que aprender ainda...

Green Park

Kensington Gardens

Kensington Gardens

Kensington Gardens

St. James's Park

St. James's Park

St. James's Park

St. James's Park

St. James's Park