sábado, 9 de novembro de 2013

Emoção x Razão

- Vai, tu consegue!
- Tu não sabe o que tá falando!
- Eu sei. Acredita em mim! Coragem!
- É fácil falar né, não é tu que tem que arcar com as consequências depois. 
- Vamos guria!! Não perde tempo! Não esquece: a hora é agora!
- Eu tenho medooo!!
- Esquece isso!! Tu é capaz. Vai dar tudo certo!
- E se...
- E se nada!! Vai! Pula! Voa!
- Mas...
- Ó, falando sério... Tu vai te arrepender se não for agora!
- Peraí! Eu preciso pensar!
- Que pensar o que?? Quem pensa demais não faz nada na vida.
- Mas eu preciso pensar, colocar na balança... 
- Isso aqui não é feira pra colocar as coisas na balança. Isso é a tua vida! Te mexe guria!
- Dá pra ter um pouquinho só de calma?
- Não!
- 5 minutinhos só?
- Já disse que não! Decida-se! Já!
- Ai meu Deus... O que eu faço??
- Não é óbvio? Larga tudo e arrisca! 
- E o dinheiro? Minhas contas no final do mês? 
- Tudo isso se ajeita, acredita em mim porra!
- Não consigo fazer isso!
- Consegue sim! Quanta coisa tu já arriscou?? Pensa!!
- Tá, é verdade, mas...
- Então? Tá esperando o que? 
- Tchê!!! Eu não posso fazer isso agora!!
- E porque não, posso saber?
- Eu acabei de dar uma guinada na vida. Não acha que tá muito cedo pra outra?
- Sinceramente? Não!
- Pois eu acho...
- Tu tá feliz pelo menos?
- Tu sabe que não né?!
- Então porque tu não pode ir?? 
- Tu nunca vai entender... 
- Blá, blá, blá... 
- Tu fala como se fosse muito fácil... O que vão dizer de mim?
- E isso te interessa?
- Não.
- Então?? Não tô te entendendo mesmo...
- É que eu não me importo com o que os outros vão pensar, mas tenho medo de pensar que eu sou um fracasso. 
- Tu não é um fracasso.
- Ok, mas as vezes eu acho que sou, dá licença?
- Tudo bem. Mas cada vez que tu pensa isso, eu perco as forças, tu sabe. 
- Eu sei. Desculpa, mas é mais forte que eu.
- Por favor... Tenta! O que é que custa?
- Como assim o que é que custa? Tu acha que é tudo muito fácil... Eu lutei até agora pra chegar aqui, não posso simplesmente jogar a toalha. 
- Não entendo... Se tu não tá feliz, porque não pode? Vai ficar ai perdendo tempo?
- Pelo menos tem a recompensa no final do mês!
- A gente sabe que isso não é o mais importante. 
- Eu sei, mas ainda assim é importante. 
- Meu... Tenta!!! 
- E eu não tô perdendo tempo! Tô aprendendo...
- Tá é te iludindo, isso sim!
- Não tô não!
- Tá sim. Cagona! 
- Não sou cagona não!
- Ok, desculpa. Tu não é cagona. Não mesmo... Mas tu ainda pode ir mais longe. Só depende de ti! Vai!!
- Calma, tenho que esperar mais uns meses. 
- Eu não posso ter calma. O meu trabalho é te jogar pra frente. Vamos!!
- Como eu queria que fosse fácil assim como tu diz. Mas não é... Tu sabe disso.
- Eu nunca disse que ia ser fácil. Os caminhos mais difíceis são os mais prazerosos. Não custa arriscar. 
- Tá. Vou pensar! Vou planejar e outra hora conversamos. Tá bom assim? 
- Claro que não! Mas por enquanto não posso fazer mais nada por ti... 
- Desculpa te decepcionar.

domingo, 27 de outubro de 2013

Sonho real

Quando dei por mim estava de novo nos teus braços, sentindo teu coração batendo pertinho do meu.

Fazia tanto tempo que não te via que nem acreditei que fosse verdade. O teu calor me convenceu que era e fiquei tão feliz que não cabia dentro de mim.

Passeamos, namoramos, dançamos como antes, trocamos carinhos e cafunés, conversamos, rimos, andamos de mãos dadas pela rua, te apresentei para alguns conhecidos toda orgulhosa.

Foi tudo muito melhor do que planejei. Perfeito. Sorria sozinha, boba como uma criança que acaba de ganhar um brinquedo prometido há muito tempo.


Aproveitamos cada segundo como se fosse único. E foi. Quando te vi entrando no avião, meu coração parou. Foi-se embora o meu sorriso. Acordei. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sobre aquarianos e liberdade

Há um tempo atrás eu adorava ler horóscopo. Lia tudo sobre o meu signo, sobre os signos dos meus amigos, da minha família, qualquer um que cruzasse o meu caminho era vítima da minha pequena obsessão. Era só conhecer alguém interessante que eu visitava sites e fazia combinações de signos pra ver se os astros estavam a nosso favor.

Sou aquariana, nascida no dia 12 de fevereiro. Sempre li que aquarianos são pessoas à frente de seu tempo e que o bem que mais apreciam é a liberdade. Com o passar dos anos, pude comprovar na real o quanto isso é verdade.

Não existe coisa mais angustiante pra mim do que viver presa, seja no que for, trabalho, pessoas, lugares, coisas. Me sinto como um passarinho engaiolado que olha o lado de fora e faz planos pro dia que conseguir escapar. A rotina muito rígida é outra coisa que me apavora.

Namorados sempre foram um problema em função disso. Compromissos longos nunca foram meu forte. Muitas exigências e cobranças com pouca liberdade.

A liberdade atrai porque junto com ela vem os desafios, o frio na barriga, a surpresa, a incerteza e a instabilidade.
Eia que cruza o meu caminho um geminiano legítimo, com um gêmeo do bem e um gêmeo do mal que se revezam constantemente e sem aviso prévio. Rotina realmente não é com ele, cada dia é uma emoção diferente, uma surpresa.

Além disso, que já é uma grande coisa, ele me prende quando me solta. Nunca ouvi dele algo que não fosse uma palavra de apoio quando tomei grandes decisões como passar dois meses em Londres sozinha ou morar em Curitiba por tempo indeterminado.

E foi nesses dois momentos que tive certeza que ele é O Cara!

Por mais engraçado que possa parecer, isso também foi o que os astros disseram quando fiz a combinação dos nossos signos.  

Coincidência ou não, essa parceria já dura há três anos e nove meses.

domingo, 8 de setembro de 2013

Subindo a montanha

Se tem algumas coisas no mundo que eu não me imaginava fazendo, uma delas, com certeza é correr. Mas hoje, mudei um pouco meu conceito...

Acordar no domingo às 6h30 da manhã para ir a uma corrida na montanha realmente é uma coisa que se eu contar para as pessoas que me conhecem, elas provavelmente riam muito antes de acreditar em mim. Mas é verdade!

Foto: Claudio Andrade

É claro que conheço meus limites e não fui até lá para correr, apenas caminhei. Detalhe, a corrida na montanha era só de subida. Pouquíssimos metros planos, a grande maioria subidas, imensas e intermináveis subidas.

Em muitos momentos pensei em desistir, voltar e esperar o pessoal lá em baixo, mas pensei em várias coisas, uma delas foi a vontade de provar pra mim mesma que era possível. Busquei pensar na recompensa da vista lá de cima e de como eu ia me sentir bem se conseguisse completar a prova.

E valeu a pena. A vista era linda!

Foi ótimo. Apesar de sentir as dores do sedentarismo no meu corpo até agora, essa caminhada me serviu de incentivo para voltar a fazer uma atividade física logo, o quanto antes.

Fica o meu desejo de fazer isso mais vezes! 


domingo, 1 de setembro de 2013

Fazendo as pazes com Curitiba

Como é estranho voltar a um lugar que já fez parte da nossa vida e não reconhecer uma esquina sequer...

Sinceramente, não tenho muitas lembranças de Curitiba. Sei que não foram os melhores momentos da nossa história familiar, que foram tempos difíceis para minha mãe, que minha irmã sofreu na escola, mas eu não tenho más lembranças... Não sei se meu cérebro se encarregou de apagar as coisas ruins que aconteceram (ele faz isso frequentemente) ou se realmente eles não aconteceram.

Fazia quinze anos que não pisava em Curitiba. Não lembro de muita coisa, alguns lugares, praças e só. Não sei andar nas ruas, não sei pegar ônibus, estou recém me orientando no bairro, aprendendo os caminhos do trabalho pra casa... Abandonei completamente minha zona de conforto e isso me dá um orgulho de mim mesma, um frio na barriga e uma vontade de que dê tudo certo que só eu sei...

Enfim, agora, por um tempo que só Deus sabe qual é, meu lugar é aqui.


O mais difícil agora é lidar com a saudade das pessoas que ficaram em Porto Alegre, cidade que nasci e amo de paixão!