quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Ensinamentos que 2016 me deu

Muitas coisas aconteceram esse ano. Muitas coisas boas e muitas coisas ruins, como em todos os anos. Foi um ano de encerramento de ciclos e construção de novos começos. 2016 foi um ano intenso, muito intenso... Tanto para as coisas boas quanto para as ruins.

Muitas mudanças aconteceram (e ainda estão acontecendo, porque se tem uma coisa que 2016 nos ensinou é que ele só termina depois da meia noite de 31 de dezembro) e mudanças são sempre muito poderosas, fazem a gente pensar na vida, no rumo que está seguindo e no que deseja para o futuro. Ás vezes não temos muita opção, somos obrigados a mudar, outras vezes desejamos a mudança e escolhemos fazê-la.

O fato é que todas elas sempre nos levam para caminhos diferentes do que estávamos acostumados e sair da zona de conforto dá medo e frio na barriga pelo simples fato de pisar em um terreno desconhecido para nós. Mas é fato também que toda mudança vem carregada de coisas boas que precisamos perceber e apreciar para tirar o melhor de cada uma delas.

O texto abaixo foi escrito por Amanda Areias e publicado no Livre Blog. Ela sintetiza algumas lições que 2016 deu para todos nós e, por isso, resolvi reproduzir aqui. Os grifos e destaques são meus.

24 coisas que 2016 me ensinou:
1. As pessoas são temporárias nas nossas vidas. Todas. E todas se vão exatamente no momento que deveriam ter ido. Não adianta chorar nem reclamar, se é o momento delas irem embora, elas vão.
2. Crescer, muitas vezes, significa se sentir sozinho. (Aprenda a ser feliz com a sua própria companhia e esse processo se tornará um pouco mais fácil)
3. As pessoas que você tem ao seu redor têm um impacto direto em como você se sente. Se elas não estão te fazendo bem, por que continuar ao lado delas?
4. Pessoas que você nunca imaginaria que sairiam da sua vida, na maioria das vezes saem. E não tem problema. (Reconhecer isso pode doer muito, mas não adianta, você na pode agarrar as pessoas pelos cabelos para ficarem ao seu lado. Aceita, chora se for preciso, respira e segue adiante)
5. A sua felicidade deve vir sempre em primeiro lugar. (SEMPRE! Se você não estiver bem não vai ter condições de ajudar ninguém e ainda corre o risco de ficar reclamando da vida)
6. Ajudar os outros te faz crescer como pessoa. (E como faz! Tem coisas que dinheiro nenhum no mundo compra e uma delas é a gratidão de alguém. Além de te fazer crescer, te faz feliz)
7. Você nunca conhece alguém tão bem quanto você pensa que conhece. E saber disso é o primeiro passo para não se decepcionar. (Nunca espere nada das pessoas, quanto menos expectativas você tiver, melhor pra você)
8. Os problemas do mundo não são seus pra você carregar nas costas. As injustiças do mundo não são culpa sua. Trabalhe para melhorá-los, mas não se culpe se não conseguir. (Esse eu ainda estou tentando aprender. Não tem coisa que deixe mais doente do que ver pessoas passando necessidade e não ter condições de ajudá-las)
9. As vezes você vai sentir falta de pessoas que te machucaram. Não tem problema. Isso significa que elas foram importantes na sua vida e que você soube amá-las. 
10. Aprenda a perdoar.
11. Você vai crescer, e você vai se distanciar cada vez mais da pessoa que você já foi um dia. Certifique-se que você está se distanciando na direção certa.
12. 365 dias podem mudar muita coisa.
13. Lutar pelo o que você acredita vai te trazer muita dor de cabeça e muita decepção, mas é extremamente necessário. Não desista. (No final, quando você começar a ver os resultados vai ver que tudo valeu a pena)
14. Não se compare com os outros. A vida não deveria ser uma grande competição entre quem é mais bem sucedido, bonito ou popular. Cada pessoa tem seu brilho próprio. O sucesso de uma pessoa não significa o seu fracasso.
15. Gaste o dinheiro que você ganha com experiências, não com coisas materiais. (MANTRA! Só as experiências que você tem dizem quem você é e não as coisas que você compra)
16. Não ponha a sua felicidade nas mãos de outras pessoas. Elas vão derrubar. Elas sempre derrubam.
17. Aprenda a admitir que está errado, quando estiver. (O orgulho nunca levou ninguém a lugar nenhum)
18. Tente não se preocupar com o que os outros pensam de você. Se conseguir, me conte como.
19. SE IMPONHA. Não tolere o desrespeito e não tenha medo de dizer o que você pensa. (Aprenda a dizer não quando você achar que é necessário. É melhor magoar alguém com um não do que desrespeitar você mesmo)
20. Se informe antes de opinar sobre qualquer assunto. O mundo não precisa da sua opinião em todos os assuntos. (E lembre-se de checar as informações. Nem tudo que você lê as redes sociais é verdade)
21. Não importa o que você faça ou diga, as pessoas vão sempre acreditar no que elas querem acreditar.
22. Aprenda a escolher as suas batalhas. Existem coisas que simplesmente não valem a pena.
23. Não desista, tem sempre alguém se inspirando em você. (E isso é incrível! É muito legal quando alguém olha você e diz que te tem como exemplo. Faz valer a pena todo o esforço)
24. Comece hoje aquele projeto que você tem em mente, ou comece a aprender a tocar aquele instrumento que você sempre quis, ou aquele idioma que você sempre quis falar, ou comece hoje a juntar dinheiro pra aquela viagem que você sempre quis fazer. Daqui a um ano você vai desejar ter começado agora.
Feliz 2017! 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

É hora de falar sobre o que está aqui dentro...

É como uma sombra que impede o sol de iluminar a planta. Ela viverá por um longo tempo ali, aproveitando as poucas brechas que aparecem quando o sol se movimenta. Mas se não sair da sombra, ela estará condenada a uma vida sem brilho e, aos poucos, morrerá por falta de luz.

Tudo isso sempre morou dentro de mim. Quem é que nunca percebeu que existe dentro de si um lado obscuro, que dá medo, que fazemos questão de fingir que não existe e seguir a vida com um belo sorriso no rosto.

De uns tempos pra cá, esse meu lado tem dado as caras cada vez mais frequentemente. Isso assusta a mim e às pessoas que estão perto de mim, que convivem comigo.

O fato é que não sei muito bem por que, mas ultimamente me sinto assim, totalmente sem vontade de nada. Faço tudo que preciso fazer, mas a verdade é que não tenho nenhum objetivo nas coisas que faço. É como se eu fosse uma espectadora passiva da minha própria vida.

São coisas que estão na minha cabeça e que eu não aprendi como lidar com elas. A vida toda eu pratiquei a arte de escondê-las. Olhar para elas nunca fez parte da minha rotina. Quando elas apareciam, rapidamente eu dava um jeito de mudar a rota e elas voltavam a ficar escondidas na escuridão.

O que será que está faltando? O que será que eu realmente quero fazer nessa vida? O que me faz feliz? Quando a minha vida vai começar?

O sol bate na janela, por entre as nuvens desse dia esquisito, me lembrando que as respostas, assim como as perguntas, estão dentro de mim...

segunda-feira, 25 de julho de 2016

“Pra ser jornalista não precisa de diploma”

Realmente, não precisa de diploma, não precisa de papel.

Pra ser jornalista precisa saber escrever direito, precisa saber pesquisar, ir atrás das informações, checar, checar e checar. Pra ser jornalista precisa ter senso crítico para diferenciar o que é notícia do que não é. Pra ser jornalista precisa pensar e saber quais os impactos que aquilo que você escreve vai ter na vida das pessoas. Pra ser jornalista é preciso conhecer um pouco de legislação, de tecnologia, de meio ambiente, de esporte, de cultura, de ciência, de tecnologia, de inovação, de mundo, de tudo. Pra ser jornalista é preciso saber que a sua opinião tem que ter embasamento e não ficar só no “eu acho”. Pra ser jornalista tem que saber ouvir os dois lados antes de sair por aí falando bobagem.

É meu amigo, pra ser jornalista não precisa ter diploma. Precisa muito mais do que isso, precisa saber muita coisa que a faculdade não te ensina.


Mas mais do que qualquer conhecimento técnico, hoje, mais do que nunca, pra ser jornalista é preciso ter coragem e paciência para lidar e enfrentar pessoas que além de não reconhecer o seu trabalho ainda desdenham da sua competência e “acham” que qualquer um pode fazer o que você faz. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O dia que Deus falou comigo

Essa semana, muitas coisas deram errado. O computador estragou e quase perdi tudo de importante sobre trabalho, levamos uma multa, uma virose foi nos visitar e ainda não nos deixou, entre outras coisas menores.

Em alguns momentos praguejei, questionei, me fiz de vítima por causa desses problemas. “Será que eu mereço isso?” ou “Por que eu?” foram algumas perguntas que fizeram parte do meu discurso essa semana.

Vendo que esse desespero todo não ia resultar em nada, parei, pensei, rezei e, como dizia minha vó, entreguei pra Deus.

Pode parecer meio exagerado, mas eu “ouvi” a resposta ontem à noite.

Voltando da academia, com a cabeça cheia de preocupações e o corpo dolorido dos exercícios, parei no sinal e fui abordada por um homem. Como a rua estava meio deserta, eu estava no mundo da lua e a onda de violência aqui em Porto Alegre está grande, me assustei.

Quando percebi, ele estava olhando pra mim, com os braços levantados, vestido com uma camiseta de manga curta, uma calça jeans velha e um tênis todo rasgado. Tinha um rodo na mão e queria lavar o vidro do carro em troca de uma moeda qualquer. Agradeci, fiz sinal que não com a cabeça e ele se afastou com uma cara desolada.

Pra quem não sabe, a noite de ontem aqui em Porto Alegre estava muito fria, muito mesmo. Eu vestia um moletom e um casaco bem reforçado por cima com uma manta no pescoço.

Quando arranquei o carro fiquei pensando em como aquele homem estava sentindo frio com aquela camiseta de manga curta no meio da rua, aquela hora da noite. Me senti culpada e privilegiada pelo simples fato de ter um casaco pra vestir nessa noite fria. Me senti envergonhada de ter passado o dia todo reclamando por coisas tão pequenas. Me senti triste por não poder ajudar aquele homem naquele momento. Chorei.

Quando cheguei em casa, no meu lugar quentinho, com uma cama cheia de cobertas, comida me esperando, um banho quente e roupas limpas, recebi a notícia que meu computador fora arrumado, que a multa estava paga me que os sintomas de virose já estavam indo embora.


Agradeci e percebi que, às vezes, Deus fala com a gente de um jeito tão diferente e mágico que nem sempre estamos abertos para escutar o que ele quer dizer. Pra mim, foi como se ele dissesse “Calma, seus problemas são grandes porque são seus, mas dê uma olhada à sua volta de vez em quando para perceber o real tamanho deles no contexto do mundo”. 


sexta-feira, 29 de abril de 2016

7 dias...

Hoje faz uma semana que já não temos mais nossa matriarca entre nós. Uma semana que o céu está mais estrelado. Uma semana que um pedaço de nós se foi para nunca mais voltar. Uma semana de saudade. Uma semana e a minha ficha ainda não caiu...

Ainda não consegui assimilar que não verei mais aquele sorriso, não ouvirei suas queixas, não sentarei com ela pra tomar um café ou um chá acompanhado de bolo de chocolate.

Eu sei que hoje ela está bem melhor do que todos nós que ficamos. Sei que esse sentimento é muito egoísta, mas eu queria sim mais algum tempo com ela... Não que eu tenha deixado de dizer ou fazer alguma coisa, porque graças a Deus, aprendi que devemos aproveitar cada minuto com as pessoas que amamos, mas eu queria aprender mais, ouvir mais, abraçar mais, amar mais.

Lembro de quando fomos pra Gramado, só eu e ela. Muitas pessoas da minha idade, na época com 20 anos, achariam um programa desse tipo um tédio, mas pra mim, pra nós, foi muito divertido. Passeamos, fizemos compras, conversamos sobre os mais diversos assuntos, fomos ao teatro ver musicais todas as noites, relembramos momentos bons e vivemos momentos inesquecíveis. Foi lá, junto com ela que tomei a decisão de que queria dançar ou atuar. Quando voltamos, ela me apoiou totalmente. Procuramos escolas de teatro e dança e, no dia da minha estreia como bailarina ela estava lá, com flores nas mãos e muito orgulho no rosto.

Apoio... Ela sempre foi uma grande torcedora e apoiadora dos meus projetos malucos. Cada coisa legal que eu inventava ela a primeira a apoiar e ficar toda orgulhosa. Foi assim quando entrei no Vida Urgente, quando comecei a dançar, quando fiz teatro e, mais recentemente, na ONG Doutorzinhos. Ela sempre dizia: "Gabi, tu adora essas coisas que fazem bem pros outros né?! Sempre fica procurando alguma coisa pra se envolver, isso é muito legal!". 

Ela sempre se preocupou se eu estava trabalhando e, quando eu respondia que sim, ela dizia que não precisava se preocupar comigo porque eu nunca passaria dificuldades, que eu era esforçada e que teria o que eu quisesse. Quando me decepcionei com os amores da vida, ela sempre me dizia: Gabi, o que é teu tá guardado! E quando eu encontrei o meu companheiro de vida, ela não só aprovou, como acolheu ele como se fosse um neto.

Lembro da minha vó como uma mulher linda, elegante, bem vestida, antenada com as últimas tendências. Ela é a mulher que eu quero ser quando chegar na idade dela. Até modelo de desfile ela foi... Linda! Ela não saia pra ir na padaria sem maquiagem e só dormia de camisola novinha...

Eu queria mais tempo... Queria que ela tivesse visto meus filhos, que tivesse pegado eles no colo, abraçado e cheirado seus bisnetos. Não deu tempo. Talvez porque eu tive medo e achei que não era o momento certo, talvez porque não era pra ter sido...

Hoje ela e o vô estão lá, olhando por nós, cuidando de nós, rindo de nós... Estão juntos como sempre estiveram, rindo, brigando, amando um ao outro.

Uma vez, em uma missa de sétimo dia de um primo que morreu de repente e muito jovem, o Dudu, ouvi uma frase que jamais esquecerei: “A morte com fé, é saudade. A morte sem fé, é desespero”. Tento me lembrar disso sempre que essa dor invade meu coração...


Vó, tu tá fazendo muita falta!